Fechar
O que você procura?
Educação e Ciência
Foto: Pixabay/ilustrativa
Continua depois da publicidade
Continue lendo
Quem nunca ouviu alguém dizer que “desmentiu o dedo” depois de uma queda ou durante uma partida de futebol?
A expressão, bastante comum em diversas regiões do Norte e Nordeste do Brasil, costuma despertar dúvidas e até estranhamento. Afinal, trata-se de um erro de português ou de uma manifestação legítima da linguagem popular?
O tema foi abordado pelo professor Golbery Rodrigues em mais uma edição do quadro semanal “Português Nosso de Cada Dia“.
Segundo o professor, a expressão é amplamente utilizada para indicar que um dedo sofreu uma luxação ou deslocamento após um acidente.
Embora na linguagem médica e em contextos mais formais sejam mais comuns expressões como “luxou o dedo”, “deslocou o dedo” ou “o dedo saiu da articulação”, a forma popular possui uma lógica própria.
“A fala popular cria imagens muito interessantes. É aí que entra o verbo ‘desmentir’. Historicamente, a palavra pode carregar sentidos ligados a desencaixar, tirar do alinhamento ou desfazer uma posição. Ou seja, o dedo estava certinho, alinhado, e depois ficou ‘desmentido’, fora do lugar”, explicou.
Golbery destaca que expressões regionais não devem ser vistas como sinais de ignorância, mas como demonstrações da riqueza cultural da língua portuguesa. Para ele, cada região desenvolve formas próprias de interpretar e descrever o mundo ao seu redor.
“Assim como existem expressões como ‘arriou’, ‘aperriar’ e ‘mói de gente’, também existe quem diga ‘desmentiu o dedo’. A língua vive justamente dessa diversidade, da memória e da identidade cultural dos povos.”

Foto: ParaibaOnline/Arquivo
O professor ressalta, porém, que é importante compreender os diferentes contextos de uso da língua. Em situações formais, acadêmicas ou profissionais, a expressão pode não ser a mais adequada. Já no contexto popular, seu uso é plenamente compreensível e funcional.
“No contexto culto, ‘desmentir o dedo’ não terá a mesma aceitabilidade. É importante fazer essa demarcação. Mas no contexto popular a expressão existe, está viva, é funcional e carrega um valor cultural significativo.”
Ao encerrar o quadro, Golbery agradeceu ao ouvinte que sugeriu o tema e reforçou a importância de valorizar as diferentes formas de expressão presentes na língua portuguesa.
“Da próxima vez que ouvir alguém dizendo que desmentiu o dedo, já sabe: não é uma invenção sem sentido. É um regionalismo que tem seu lugar de ser, sua importância e representa a cultura popular viva dentro de uma língua que também está viva e em constante movimento.”
Veja também:
Você fala “revelei o pé”? Professor explica por que a expressão está incorreta
Aluno não significa “sem luz”: professor desmistifica origem da palavra
© 2003 - 2026 - ParaibaOnline - Rainha Publicidade e Propaganda Ltda - Todos os direitos reservados.