Fechar
O que você procura?
Blogs e Colunas
Jornalista, Pós-Graduada em Comunicação Educacional, Gerente de Negócios das marcas Natura e Avon.
Continua depois da publicidade
Setembro Amarelo nos convida a falar sobre prevenção ao suicídio, mas antes de falar, talvez precisemos aprender a olhar.
Olhar de verdade, não apenas olhar, e sim, enxergar.
Às vezes, alguém se queixa de solidão, de tristeza, de depressão, de falta de sentido. E quando essas queixas se repetem, quando a tristeza se prolonga e começa a fazer parte da rotina, precisamos levar a sério. Não devemos nem podemos banalizar a dor de ninguém.
Existe um perigo ainda mais perigoso que não faz o menor barulho: há pessoas que sofrem caladas, que afogam suas tristezas no trabalho, nas obrigações, na disponibilidade constante para os outros. Pessoas que suportam bullying sozinhas, que escondem suas lágrimas, que não pedem ajuda. Pessoas que, diante dos outros, parecem ser a própria personificação da felicidade: sorriem, brincam, ajudam, acolhem, estão sempre prontas para servir. A triste noticia, é que muitas vezes essa felicidade é uma máscara tão bem construída que engana até quem está mais próximo.
Assim sendo, fica uma pergunta que não quer calar: e se aprendêssemos a observar melhor, sem normalizar: os extremos, a tristeza persistente, a alegria exagerada que parece esconder alguma coisa, se tivéssemos um interesse genuíno pelo outro, será que não poderíamos perceber sinais antes que a dor chegasse a um ponto irreversível ou de um ato tresloucado?
Talvez nem sempre possamos evitar uma tragédia, já que nem sempre temos o poder de salvar alguém sozinhos, mas podemos oferecer presença, perguntar e, principalmente, podemos permanecer para ouvir a resposta.
Há alguns anos, presenciei uma pessoa conhecida depois de uma tentativa de suicídio, que graças a Deus sobreviveu, e uma coisa ficou muito clara para mim: o arrependimento. Fiquei imaginando que alguem quando pula de um prédio, na mesma hora se arrepende e se pudesse voltar atras, com certeza voltaria. Já tive um sonho em que vivi isso e acordei atordoada e grata por ter sido só um sonho ruim.
Neste momentos compreendemos o quanto a vida pode ser atravessada por uma dor que parece definitiva, mas que pode mudar quando encontra acolhimento, tratamento, tempo e companhia.
Terapia ajuda, tratamento ajuda, amor pode aliviar, presença pode sustentar. Mas, para que alguém seja ajudado, muitas vezes é preciso que consiga falar e nós precisamos aprender a ouvir e ouvir sem julgar, sem minimizar, sem responder com frases prontas, sem transformar a dor do outro em comparação com a nossa. Ser verdadeiramente empático, ter escuta ativa e não soltar a mão de quem precisa do apoio da nossa. Não é fácil mas é possivel.
Talvez Setembro Amarelo possa, um dia, ser celebrado pela sua superação e tranformada em cor de amor, sobretudo do amor pela própria vida.
Que possamos olhar para quem está ao nosso lado com menos pressa e mais presença. Que possamos perguntar “você está bem?” e ter disposição para ficar quando a resposta for “não”.
Pode ser que o gesto mais bonito de amor não seja encontrar as palavras certas. Por ser simplesmente não ir embora quando alguém finalmente encontra coragem para dizer que está sofrendo, e que nunca nos esqueçamos: A vida não é apenas aquilo que alguém está sentindo hoje.
Há manhãs que ainda não chegaram, abraços que ainda serão vividos, encontros que ainda não aconteceram, caminhos que ainda não foram percorridos, recomeços que a dor não nos deixa enxergar.
A vida é um presente divino, precioso, imperfeito, surpreendente e cheio de possibilidades. Deus conheçe profundamente o sofrimento de cada coração e rogo a Ele que acolha com misericórdia aqueles que chegaram ao limite da própria dor.
A vida é sagrada, e a misericórdia divina é maior do que aquilo que conseguimos compreender.
Que possamos cuidar uns dos outros, mas também aprender a cuidar de nós mesmos. Que possamos escolher a escuta antes do julgamento, a presença antes da indiferença e o amor antes do silêncio.
E quando a vida parecer pesada demais, que ninguém precise carregá-la sozinho, porque enquanto houver vida, existe a possibilidade de um novo capítulo. E enquanto houver amor, sempre haverá alguém disposto a ajudar a virar a página e escrever um final diferente💛
Leia a coluna anterior:
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
Continua depois da publicidade
© 2003 - 2026 - ParaibaOnline - Rainha Publicidade e Propaganda Ltda - Todos os direitos reservados.