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Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
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Segundo o Dicionário Aurélio, “tincoã” é uma palavra de origem tupi, designativa de uma ave da família dos cuculídeos e de suas subespécies amazônicas que habitam o cerrado brasileiro, também conhecida como alma-de-gato.
Já “Os Tincoãs” é o nome de um excelente trio vocal formado originalmente por Erivaldo, Heraldo e Dadinho (Grinaldo Salustiano), todos naturais de Cachoeira (BA), município baiano situado às margens do Rio Paraguaçu.
Por ser Cachoeira um dos mais importantes centros de preservação das tradições afro-brasileiras do Recôncavo Baiano, a formação cultural dos integrantes esteve profundamente vinculada a esse ambiente, marcado pelo samba de roda, pelas irmandades religiosas e pelos terreiros de candomblé.
O início da carreira do grupo se deu entre 1959 e 1960, em Salvador, no programa da TV Itapoã intitulado “Escada para o Sucesso”, interpretando canções, em sua maioria boleros, no estilo do Trio Irakitan, tanto é que o primeiro disco gravado, em 1962, foi intitulado “Meu último bolero”.
Em 1963, Erivaldo desligou-se do grupo e foi substituído por Mateus Aleluia. A partir de então, o repertório foi renovado, com a adaptação de cantos de candomblé, sambas de roda e cantos sacros católicos. Entretanto, foram os terreiros de candomblé que deram a base principal à musicalidade dos Tincoãs.
Em 1973, “Os Tincoãs” gravaram o segundo disco: um LP produzido por Adelzon Alves, sob a direção musical do maestro Gaya.
Na capa do álbum, sob o título “Os Tincoãs”, os três componentes, dois negros e um branco, posam caminhando descalços na areia da praia, vestidos com calças brancas e faixas vermelhas na cintura, ostentando colares de contas sobre os peitos nus. Nessa composição visual, estão presentes referências aos orixás no branco de Oxalá, no vermelho de Xangô e no azul do mar de Yemanjá.
Nas doze faixas que compõem o disco, a maioria foi composta ou adaptada por Mateus e Dadinho. Os arranjos mantêm características de canto coral, elaborados a partir de canções oriundas dos terreiros de candomblé, tendo como base apenas quatro instrumentos: violão, atabaque, agogô e cabaça. O destaque da harmonização vocal está no emprego de vozes em falsete.
Os títulos das faixas são os seguintes: “Deixa a Gira girá”, “Iansã, Mãe Virgem”, “Sabiá roxa”, “Ogundê”, “Na beira do mar”, “Raposa e guará”, “Saudação aos Orixás”, “Canto pra Iemanjá”, “Capela d’Ajuda”, “Obaluaê”, “A força da Jurema” e “Embola, embola”.
O terceiro LP do grupo foi lançado em 1975, sob o título: “O Africanto dos Tincoãs”, sem a participação de Heraldo, precocemente falecido, tendo sido substituído por Morais e, posteriormente, por Badu (Getúlio de Souza).
As dez faixas do LP “O Africanto dos Tincoãs” são as seguintes: “Promessa ao Gantois”, “Dora”, “Salmo”, “Homem Nagô”, “Canto e danço pra curar”, “Sereia”, “Jó”, “Oxossi te chama”, “Anita” e “Ogum Pai”.
Em 1976, o grupo lançou um compacto simples com as músicas “Promessa ao Gantois” e “Anita”, ambas compostas por Mateus Aleluia e Dadinho.
No ano seguinte, “Os Tincoãs” gravaram outro disco, no qual, entre as doze faixas, destacam-se as canções: “Atabaque chora”, “Lamento das águas”, “Cordeiro de Nanã” e “Chapeuzinho Vermelho”.
Em 1980, eles lançaram outro compacto simples com duas músicas: “Embola, embola” e “Mãe d’água é rica”, compostas por Mateus e Dadinho.
Em 1983, “Os Tincoãs” voaram para a África, a fim de cumprir uma temporada de uma semana em Luanda, e lá se estabeleceram, participando de projetos da Secretaria de Estado da Cultura de Angola, que visavam identificar valores angolanos na cultura e na música brasileira, além de estabelecer ligações entre o culto angolano e o candomblé praticado no Brasil.
Após o falecimento de Dadinho, em 2000, e a dissolução do grupo, Mateus Aleluia retornou ao Brasil e continuou desenvolvendo carreira artística, tornando-se o principal guardião da memória musical dos Tincoãs. Seus discos solo preservam muitos dos elementos estéticos e espirituais que caracterizaram o grupo.
Entre os anos de 2000 e 2010, vários de seus discos foram relançados em formato digital e em vinil, ampliando o acesso à obra do grupo e contribuindo para sua redescoberta por pesquisadores, colecionadores e apreciadores da música brasileira.
Assim, por todo o trabalho realizado, é possível afirmar que os Tincoãs foram mais do que um grupo vocal e instrumental, pois construíram uma ponte entre a tradição afro-brasileira e a música popular contemporânea, deixando uma obra singular que continua a inspirar novas gerações de artistas e pesquisadores.
Além disso, a trajetória artística de Os Tincoãs vem despertando crescente interesse acadêmico, especialmente em programas de pós-graduação da Bahia, onde o grupo tem sido objeto de estudos e pesquisas.
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