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Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
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Chegou às minhas mãos, por intermédio do colega José Adailton Barbosa Cavalcanti, a edição número 220 da Revista O Setor Elétrico, publicada em julho de 2026.
Na capa, a chamada de destaque é para a matéria intitulada “Terras raras: reservas abundantes e cadeia produtiva limitada”, além de outros temas referentes ao potencial de atração de investimentos no segmento de armazenamento de energia, à cobertura do Congresso de Inovação na Distribuição de Energia Elétrica – CIDE, e ao artigo técnico intitulado “Cibersegurança na convergência TI/TO: estratégias para proteção de operações críticas no setor elétrico”.
Embora seja uma revista de conteúdo predominantemente técnico, alguns dos assuntos contidos nessa edição podem despertar o interesse do público em geral, pois dizem respeito aos impactos de decisões que podem afetar diretamente a competitividade econômica, a segurança energética e a qualidade de vida da sociedade.
A reportagem sobre terras raras citada no segundo parágrafo é um desses exemplos. Conforme Matheus de Paula, que assina a matéria, as reservas abundantes dessas matérias-primas possuem potencial para atrair R$ 57 bilhões em investimentos até 2035, somente no segmento de armazenamento de energia.
Por esse motivo, o Brasil precisa avançar no processamento desses materiais estratégicos e na fabricação de tecnologias para a transição energética. Nesse contexto, não basta o país continuar exportando matérias-primas com baixo valor agregado. É preciso agregar valor aos minerais ao longo da cadeia produtiva para, assim, se tornar competitivo.
Convém observar que nem todas as matérias-primas utilizadas em sistemas de armazenamento de energia pertencem ao grupo das chamadas terras raras. Muitas dessas tecnologias utilizam, também, minerais como lítio, níquel, manganês, cobalto e grafite, amplamente empregados na fabricação de baterias.
No que diz respeito ao armazenamento de energia, o assunto é abordado pelos especialistas Raphael Gomes e Isadora Felipo, no texto intitulado “O cenário regulatório e de mercado para o armazenamento no Brasil: flexibilidade, custeio e segurança jurídica”.
Nesse artigo, os autores destacam um aspecto fundamental: o sucesso do armazenamento dependerá não apenas do desenvolvimento tecnológico, mas da capacidade de estabelecer regras claras, previsíveis e economicamente equilibradas. Esse é o grande desafio regulatório que se apresenta ao setor.
Por fim, um dos textos cuja leitura também chamou minha atenção foi o artigo sobre redes subterrâneas de média tensão, de autoria do engenheiro Daniel Bento, no qual ele levantou um questionamento interessante: “Quanto custa não tornar a rede mais resiliente?”.
Para ilustrar a importância desse questionamento, basta lembrar o que aconteceu em São Paulo após o temporal ocorrido em outubro de 2024, quando mais de três milhões de consumidores ficaram sem energia elétrica em decorrência, principalmente, de quedas de árvores sobre a rede aérea.
Além dos prejuízos para a concessionária e para a sociedade em geral, de acordo com estimativas da FecomercioSP, as perdas financeiras para os setores de comércio e serviços chegaram a aproximadamente R$ 1,65 bilhão.
Durante décadas, a principal pergunta feita entre os profissionais do setor elétrico era sobre o custo da implantação e manutenção do sistema subterrâneo de distribuição de energia elétrica.
Segundo o articulista citado, essa continua sendo uma pergunta necessária, mas talvez ela já não seja suficiente. Talvez o próximo passo não seja apenas discutir quanto investir em resiliência, mas entender onde a falta dela custa mais caro para a sociedade.
Com base na minha experiência com sistemas de distribuição de energia elétrica subterrâneos de baixa (até 1 kV), média (entre 1 kV e 35 kV) e alta tensão (69 kV), concordo plenamente com as reflexões apresentadas pelo engenheiro Daniel Bento.
Congratulações à equipe editorial da Revista O Setor Elétrico.
Leia a coluna anterior:
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