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Madalena Barros

Madalena Barros

Jornalista, Pós-Graduada em Comunicação Educacional, Gerente de Negócios das marcas Natura e Avon.

O cérebro também precisa de exercício

Por Madalena Barros
Publicado em 21 de agosto de 2026 às 10:57

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Falar sobre envelhecer ainda parece, para muita gente, falar sobre perdas. Eu, sinceramente, prefiro falar sobre descobertas.

Descobertas que chegam quando a gente menos espera. Novos interesses, novos amigos, novas experiências e, principalmente, novas maneiras de cuidar de nós mesmos.

Foi assim que, quase por acaso, descobri que o cérebro também tem academia e precisa de exercicios para se manter vivo e criar novas sinapses.

A descoberta aconteceu durante uma conversa no Pilates com minha amiga Neves. Ela me falou sobre o espaço Andrea Mendes e sobre um programa chamado Academia do Cérebro, criado para estimular a memória, o raciocínio, a atenção, a concentração e tantas outras habilidades cognitivas. Confesso: o nome já me conquistou.

Se é fato que a gente se matricula na academia para cuidar do corpo, por que não haveria de existir um lugar para colocar os neurônios para suar um pouquinho? ….rsrs

Fui para a primeira aula chamada  “experimental”, mas acho que a palavra “experimental” durou pouco. Bastou colocar os pés naquele lugar para eu perceber que queria ficar. Havia uma energia boa, leve, acolhedora e divertida. Uma atmosfera que me deu a sensação de ter encontrado uma espécie de terra prometida para a lucidez.  E lá fui eu, toda animada, encarar os desafios, pronta dar algo que faz parte de mim: o meu melhor.

Teve alguns exercicios ludicos e depois o famoso e temido Sudoku, aqueles quadradinhos aparentemente inocentes que, de repente, começa a testar a nossa dignidade intelectual! É preciso pensar, planejar, observar, estabelecer relações, prestar atenção e, sobretudo, não entrar em pânico quando os números parecem estar conspirando contra nós. E para minha surpresa, me sai bem.

E tudo isso acontece sob a orientação de Andrea, que conduz as atividades com maestria, uma combinação admirável de conhecimento, leveza, ludicidade e empatia. Duas horas depois, saí de lá com a matrícula feita: fui fazer uma aula experimental e saí oficialmente aluna feliz. Muito feliz.

Aliás, é justamente essa a razão pela qual decidi escrever sobre a Academia do Cérebro. Não como especialista, porque estou longe disso. Escrevo como novata. Como alguém que acabou de descobrir esse universo e ainda está começando a mergulhar nele. E assim, ainda verdinha, quis trazer o tema sob a minha perspectiva, já que a proposta é muito mais profunda do que aquilo que consegui perceber depois de um mês. Minha imersão está apenas começando. Mas, se existe uma coisa que já posso afirmar, é que o percentual de felicidade que esta experiência está me proporcionando é altíssimo e isso merece ser compartilhado.

Voltando a narrativa, na semana seguinte, voltei. São duas horas, uma vez por semana, que passam como um raio. Lá escrevemos a mão, fazemos contas, brincamos com jogos que nos testam, revisitamos conhecimentos, exercitamos a memória e conversamos sobre assuntos importantes. Até temas delicados, como depressão, podem entrar na conversa sem que o ambiente fique pesado. Existe seriedade, mas não existe peso. Existe acolhimento, troca e vida.

Até um tablet simples, desses que muitas mães compram para os filhos, vira ferramenta de diversão e exercício mental. Jogos e desafios nos convidam a raciocinar, experimentar, errar, tentar novamente e descobrir outras formas de pensar,  e esta é uma das grandes riquezas da experiência: não precisamos acertar tudo. Precisamos continuar tentando.

As turmas são pequenas, e isso faz toda a diferença. Cada pessoa recebe atenção, mas também encontra espaço para criar vínculos.Já estamos falando em marcar um café. E, para minha surpresa, até uma viagem com os alunos já está agendada! Aparentemente, na Academia do Cérebro, a gente exercita a memória, o raciocínio, a atenção… e ainda corre o risco de sair de lá com ampla e excelentes amizades.

O grupo é bastante diversificado. Profissionais da saúde, professores, aposentados, empresarios, donas de casa… Pessoas com histórias, idades e experiências diferentes e lá dentro somos iguais e ainda existe algo mais que nos conecta: ninguém quer assistir à própria vida de camarote. Queremos continuar participando. Queremos lembrar, aprender, raciocinar, conversar, descobrir e  principalmente, queremos continuar curiosos.

Isso me fez pensar em uma pergunta que talvez valha para todos nós, independentemente da idade: O que você está fazendo hoje para exercitar o seu cérebro assim como exercita o corpo?

Sim, porque nós nos preocupamos em fortalecer os músculos, cuidar da alimentação, caminhar, fazer Pilates, musculação, corrida… E o cérebro?

Ahhhh!!! Ele também precisa de exercício, de novidade, de desafio, de conversa, de aprendizado, de curiosidade, de renovo. Precisa sair, de vez em quando, daquela confortável rotina em que tudo já é conhecido.

Envelhecer bem não é simplesmente acrescentar anos à vida. Acredito que seja acrescentar vida aos anos. E cuidar do cérebro faz parte disso.

Não se trata de lutar contra o tempo. O tempo é invencível. Trata-se de caminhar com ele de maneira inteligente, consciente e, por que não, divertida, mesmo porque ainda temos muitos capítulos para viver. E eu quero estar lúcida para ler cada um deles.

Quero continuar aprendendo, me surpreendendo, fazendo perguntas, conhecendo pessoas, rindo das minhas dificuldades no Sudoku e celebrando cada pequena conquista dos meus neurônios e sentindo novas sinapses nascendo.

Pra mim, idade pode até contar os anos que passaram, mas não precisa determinar quantos sonhos ainda cabem dentro de nós.

Que venham os anos, os desafios, os aprendizados, as novas descobertas, e que nossos cérebros nunca se aposentem da maravilhosa tarefa de aprender a viver. Envelhecer é inevitável, parar de aprender, jamais.

E se existe uma idade para cuidar do corpo, existe também uma idade  para cuidar da mente. Na verdade, existe uma idade para isso: todas as idades.

Que a nossa memória seja forte, nossa curiosidade insaciável, nosso pensamento desperto e nossa vontade de viver maior do que qualquer número escrito na certidão de nascimento.

Enquanto houver um cérebro curioso, um coração disposto e vontade de descobrir o novo, a vida ainda terá muito a nos ensinar, e nós, muito a aprender e viver.

Leia a coluna anterior:

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