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Padre e psicólogo.
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Celebramos hoje o 27º Domingo do Tempo Comum e, por Providência Divina, celebramos a memória de São Francisco de Assis. Este homem que fez de sua vida uma resposta generosa ao amor de Deus.
A liturgia neste domingo gira em torno da imagem da vinha do Senhor e dos frutos de justiça que Deus espera de nós.
Na 1ª leitura (Isaías 5, 1-7) escutamos o cântico da vinha: Deus cuidou com amor de sua plantação. Ele fez a parte Dele (a Aliança): cercou-a, limpou as pedras e construiu uma torre de proteção, mas ela produziu uvas selvagens. Ele esperava que o direito, a justiça (cf Sl 33,5), a verdade e amor (cf. Sl 24) justiça e paz (cf. Sl 85,10) fossem os pilares da vinha, mas só houve opressão e clamor. Esta é a mesma denúncia que Jesus fez no evangelho: “espancaram…bateram….mataram….” (cf. Mt 21, 35). A vinha se tornou inculta e selvagem, isto é, a barbárie e uma anticivilização.
Este é um canto de amor que se transforma e um desabafo doloroso e nos faz lembrar uma canção dos nossos tempos que diz: “Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo e fizemos, ainda somos os mesmos” (Elis Regina). No texto, Deus diz: “o que mais eu poderia ter feito por minha vinha que eu não fiz?” (Is 5, 4). Como convencer à bondade se a ingratidão e a ambição cegaram os responsáveis pela vinha e ela se tornou selvagem.
O Salmo 79(80) que é uma “extensão” da primeira leitura é um cântico e um clamor a Deus para que olhe, visite e proteja a sua vinha, pedindo conversão e a restauração da vida pelo Senhor-Amor.
Na 2ª Leitura (Fl 4, 6-9) Paulo exorta a comunidades cristãs à ocupar-se do que é verdadeiro e justo, pois assim estamos colaborando para que a vinha do Senhor possa dar frutos. As comunidades e os cristãos precisam aprender que não se podem produzir frutos doces se estamos nos alimentando com o lixo da ganância, do ódio, da discórdia e da violência.
No Evangelho (Mt 21, 33-43) Jesus conta uma parábola para fazer uma denúncia: os vinhateiros esqueceram que a vinha não era deles e que os seus corações estavam corrompidos. Recordemos do que meditamos nas ultimas semanas. Pois bem, movidos pela ganância e pelo poder, os vinhateiros começaram agora a ameaçar, espancar e matar. Nem mesmo o Filho do Dono lhe pouparam e, certamente, não poupariam outros membros desta família, incluindo a Mãe. Eles pecaram por rejeitar o Amor de Deus. Mas, Jesus faz uma advertência de que “o Reino de Deus será tirado destes e entregue a um povo que produza frutos”.
A história da salvação contada nestes textos de hoje faz a gente entender, inicialmente, que a vinha é Israel (A casa do Senhor), mas vamos intuído também que a vinha é a própria vida, o lugar da nossa própria humanidade. E os textos mostram que a cultura da posse e a ilusão do domínio, a selvageria, a avareza e mercenarismo devem ser convertidos em desapego, renúncia e respeito humano. O eivado de cupidez não compreende a lógica do Reino e, por tanto, por não ter abertura, perde o Reino de Deus. A parábola intui que não sensato colocar nas mãos dos tiranos a responsabilidade da vinha, pois eles a destroem.
São João Crisóstomo advertiu, certa vez, que “a raiz de todo o pecado dos vinhateiros foi a soberba de se julgarem donos daquilo que receberam como custódia: “matemos o herdeiro e a herança será nossa” (cf. Mt 21,38/ Lc 20,14).
São Francisco de Assis compreendeu que o Reino de Deus precisava de frutos concretos e, esvaziando-se de si mesmo, para confiar na Providência Divina, lembrou que a verdadeira riqueza consiste em servir, cuidar, amar, criar espaços de fraternidade, de olhar para a vinha/vida com o desejo de cuidar de tudo e de todos superando a ideia de meritocracia e de guetos sociais. São Francisco compreendeu que quando acumulamos e disputamos pelas coisas deste mundo, começamos a nos armar uns contra os outros: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio que eu leve o amor!”
Não é por acaso que o mundo dos mercenários e ambiciosos produz tantas guerras, gosta de armar a população civil e incitar o ódio uns contra os outros. Não é por acaso que governos imperialistas se apropriam da soberania de outros países (frágeis), pois eles ambicionam as riquezas destes povos e são capazes de destruir e matar a muitos. Não é por acaso que estruturas injustas produzem tantos conflitos.
Quantas vezes somos sujeitos de dizer “você precisa entender que quem manda aqui sou eu”. Ou mesmo o que disse certo senhor presidente (narcisista) de uma nação neoliberal: “mostre-me alguém sem ego que eu lhe mostrarei um perdedor”…”o meu negócio é dinheiro. Eu sempre fui muito ganancioso. Sempre peguei, peguei, peguei. Agora quero ser ganancioso pelo nosso país”.
A parábola dos vinhateiros homicidas faz recordar o Salmo 49(48) que diz “Ouvi isto povos todos, minha boca falará de sabedoria, inclinarei os meus ouvidos às parábolas. (…) Aquele que se confia nas suas riquezas e se gloria a própria morte é o pastor que os pascenta”.
Que Deus nos dê o discernimento no Espírito para compreender e viver na simplicidade, na justiça, na fraternidade e na paz.
Paz e Bem!
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
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