Uma republiqueta chamada Brasil
Uma lupa sobre a Paraíba
O presidente nacional do Sebrae, Rodrigo Soares, participa hoje (9h), em Campina Grande, no auditório da Fiepb, da formalização de uma parceria “para identificar vocações produtivas e oportunidades de desenvolvimento nos 223 municípios paraibanos”.
Trata-se do projeto “Raio-X da Indústria Paraibana”.
Tilintar
Rogéria Bolsonaro, ex-esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro e mãe de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro, recebeu R$ 1 milhão do Partido Liberal como 1ª parcela para sua campanha a deputada federal pelo Rio de Janeiro.
Encontro…
Daqui a 26 dias os brasileiros vão estar novamente diante da urna para decisões importantes sobre o futuro de todos: escolher um novo presidente, novos congressistas, novos governadores (e vices), assim como deputados estaduais.
… Marcado
Essa caminhada democrática se mostra novamente incomum. Em primeiro plano, porque a discussão sobre os candidatos que se colocam ao crivo do eleitorado, com os seus potenciais e vulnerabilidades, virou algo periférico e de limitada visibilidade.
Indução ao erro
Isso comporta todos os ingredientes para que os eleitores façam escolhas equivocadas, motivadas pela desinformação ou – o que é pior – pela omissão de informações acerca de figuras políticas relevantes na cena pública atual.
Muita coisa está represada ou sendo colocada “debaixo do tapete”, só devendo vir à tona quando “sua excelência” o eleitor já tiver digitado as suas opções eleitorais.
Poder não moderador
O que está dito acima decorre de outra anomalia brasileira: o que está no centro do debate, aglutinando o desengano e a decepção nacional é o Judiciário, poder que não carece do voto popular para a sua composição.
Moeda de troca
O Supremo Tribunal Federal, principal instância da justiça no país, que deveria ser integrado por “excelências” nas ciências jurídicas, virou uma espécie de “alcova” dos presidentes da Repúblicas e/ou das cúpulas da República, que balizam a chancela de seus ministros na perspectiva de eventuais blindagens pessoais ou demandas de aliados políticos.
O tal do “notável saber jurídico” se transformou numa frase dos livros de história.
Hipertrofia
Por conveniências ou interesses pessoais, ou em contrapartida ao apadrinhamento para a indicação, o fato é que a maioria dos integrantes do Supremo Tribunal Federal “mergulhou de cabeça” na vida partidária do Brasil, ao ponto de personificar o desgaste evidente (e próprio) no universo político nacional.
Parte do problema
O “andar de cima” do Judiciário adentrou (deliberadamente, ou não) na insana radicalização que suportamos desde 2018, sem horizonte para a sua neutralização, apesar dos prejuízos imensuráveis de natureza política, econômica e social.
Arriscaria acrescentar: também de natureza familiar.
Superação
Na verdade, no momento, alguns ministros do STF conseguem a proeza de superarem em desgaste a maioria de tradicionais lideranças políticas.
Pecado capital
A “porta” para o desrespeito ao Supremo foi aberta há alguns meses, quando um acordo “a portas fechadas” optou por tisnar a imagem da instituição para salvar do precipício o ministro Dias Toffoli, cuja relação – milionária, em termos financeiros – com o banqueiro Daniel Vorcaro ficou pra lá de evidente.
Indecente
As semanas se sucederam e vieram à tona mensagens vexatórias de outro ministro do STF (Alexandre de Moraes) com o mesmo banqueiro, constituindo-se em conselheiro de um investigado, tendo como pano de fundo contratos do escritório de sua esposa com o aludido banqueiro que se aproximam dos R$ 200 milhões.
Rede de arrasto
Como num novelo que se solta incontrolavelmente, a Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal igualmente foram sugadas para esse lamaçal de sequenciais revelações de desmedida partidarização.
Investigado liderando protesto
Nesse inimaginável quadro eleitoral que vivenciamos, nesta segunda-feira o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) convocou um ato de desagravo ao ministro André Mendonça, do STF, e também para desancar Alexandre de Moraes.
A motivação para os dois magistrados tem como origem o mesmo assunto: o caso Master, do qual o próprio Flávio também é investigado.
Carimbada
Nessa demolição de fronteiras entre a politica convencional e o Poder Judiciário, a ex-primeira-dama do país, Michelle Bolsonaro, candidata do PL ao Senado pelo Distrito Federal, ocupou as redes sociais para uma pública solidariedade com o ministro André Mendonça, reforçando a parcialidade que a ele é atribuída: “Um escolhido e ungido do Senhor”.
Confrontação explicita
Nessa ´zorra´ completa, o ministro Flávio Dino, também do STF, ocupou as mesmas redes sociais, no final de semana, para criticar o presidente da Corte, ministro Edson Fachin: “É possível a um julgador, qualquer que seja ele, ‘prometer’ o final de um inquérito, como se fosse um candidato ou para receber aplausos?” – indagou Dino.
Situando
A menção implícita diz respeito à intenção do ministro Fachin de colocar um ponto final do famoso inquérito (chamado de fake news) que se arrasta há quase uma década no STF.
Ao largo
A desarrumação brasileira é tamanha, que virou tema secundário, nos últimos dias, os indícios milionários (para dizer o mínimo) de influência de um filho do presidente da República nos contratos firmados pelo governo federal.
Gesto de cidadania
Se decência fosse um artigo ainda em voga na Praça dos Três Poderes, em Brasília, somada à mínima preocupação republicana com o país, os ministros engalfinhados com o ´Caso Master´ deveriam, unilateralmente, ter solicitado (pelo menos) o afastamento processual dos desvios bilionários de Daniel Vorcaro.
Toda essa nódoa institucional – e vergonha mundial – teriam sido evitadas, apesar do esdruxulo processo de definição dos membros dos tribunais superiores, com uma medida elementar sob o ponto de vista da racionalidade e do bom senso: o imediato afastamento dos ministros envolvidos, por parte da Presidência do STF, até que os fatos sejam inteiramente apurados e esclarecidos.
Enfim, a crise que atravessamos é extremamente grave e sem (até aqui) a existência de protagonistas interessados e credibilizados para arrefecê-la de maneira legal e pacífica, mas também exemplar.
Nicolau Maquiavel, festejado filosofo italiano, ensinava que “nunca se deve deixar prosseguir uma crise para escapar a uma guerra”.
Quantas candidaturas de oposição ao governo da Paraíba temos efetivamente na atual campanha?…