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Jornalista pela URNE – Bacharelado em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo. Pós-Graduação em Comunicação Educacional. Trabalhou na Rádio Campina Grande/FM, Jornal da Paraíba, Diário da Borborema, Jornal interno da Indústria São Braz, atualmente aposentada depois de 33 anos na área de cosméticos na Natura/Avon como Gerente de Negócios.
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A vida é feita de mudanças, embora, muitas vezes, estejamos tão ocupados vivendo que nem percebemos o quanto nos transformamos. A natureza, sábia e generosa, dá aulas diárias sobre isso, basta observar as estações do ano: nada permanece exatamente como antes. As árvores perdem as folhas, os jardins florescem, os dias ficam mais longos ou mais curtos e até o sol parece mudar de humor. Tudo se renova, cada coisa a seu tempo.
A borboleta, já citada em outra coluna, antes de ganhar asas e sair por aí exibindo suas cores, precisa passar por um longo e delicado processo de transformação. Deixa de ser uma lagarta que se arrasta, recolhe-se em um casulo e enfrenta uma metamorfose que não deve ter nada de confortável. Mas é justamente ali, naquele aparente isolamento, que acontece a mágica. Para voar, ela precisa deixar para trás a forma que conhecia.
Nós também somos assim: mudamos todos os dias, mesmo quando insistimos em acreditar que continuamos iguais. Aquela máxima filosófica de que ninguém atravessa o mesmo rio duas vezes é mais verdadeira do que imaginamos. A água já não é a mesma, e nós também não. Entre uma travessia e outra, acumulamos experiências, aprendizados, alegrias, decepções e descobertas. O rio segue seu curso, enquanto nós seguimos o nosso, carregando pensamentos que ontem não tínhamos e deixando pelo caminho algumas certezas que já não fazem tanto sentido.
Desde o nascimento, a transformação acontece em velocidade impressionante. Basta observar uma criança: em apenas um ano, ela pode mudar tanto que quase não reconhecemos a pequena criatura de meses antes. Cresce, aprende, descobre o mundo e, quando percebemos, já está fazendo coisas que antes pareciam impossíveis. A natureza não pede nossa autorização para evoluir. Simplesmente acontece.
O curioso é que, quando crescemos, começamos a negociar com as mudanças. Criamos apego à rotina, aos caminhos conhecidos, às pessoas de sempre e até aos problemas familiares – sim, porque há quem se acostume tanto com os próprios problemas que, se eles desaparecerem, não saberá muito bem o que fazer com o tempo livre!
O conhecido nos oferece segurança. Sabemos onde pisar, o que esperar e até onde ficam os obstáculos. O novo, por outro lado, chega sem manual de instruções, sem garantia de satisfação e, frequentemente, sem sequer avisar onde está o botão de desligar. Ainda assim, é justamente fora desse território confortável que encontramos oportunidades de crescimento.
Sair do lugar comum não significa desprezar o que construímos, abandonar nossas raízes ou viver mudando de endereço, de emprego, de cabelo e de personalidade a cada estação. Significa, antes de tudo, permitir-se experimentar para aprender algo novo, conhecer pessoas diferentes, frequentar lugares desconhecidos, rever opiniões, descobrir talentos adormecidos e, principalmente, não transformar a própria zona de conforto em uma zona de confinamento.
Às vezes a mudança começa com uma decisão aparentemente pequena: aceitar um convite que normalmente recusaríamos, matricular-se em um curso, iniciar uma atividade, viajar para um destino desconhecido ou simplesmente fazer um caminho diferente para chegar ao mesmo lugar. São pequenas rupturas com o automático que podem abrir grandes janelas para a vida.
E há uma alegria particular em descobrir que ainda somos capazes de nos surpreender: a consciência de que não estamos prontos, acabados ou condenados a repetir eternamente a mesma versão de nós mesmos. Que podemos aprender aos 20, aos 50, aos 60 ou em qualquer idade que ainda nos permita acordar pela manhã e dizer: hoje quero experimentar uma coisa diferente!
Envelhecer é inevitável; acomodar-se é uma escolha. E não há idade de validade para a curiosidade, para os sonhos ou para a disposição de começar de novo.
Outro dia, uma pessoa próxima me disse que eu havia mudado muito. E disse isso com uma certa mágoa, como se estivesse apontando um defeito. Ouvi como um elogio! Afinal, depois de tanto estudo, tantos anos de experiências, tantas horas em pé conduzindo reuniões, tantas viagens, tantos desafios e tantas coisas lindas vividas, seria quase um atestado de fracasso se eu continuasse exatamente a mesma pessoa. Se tudo isso não tivesse me transformado, alguma coisa teria dado muito errado.
Já ouvi também que mudar é bom, até quando a mudança parece ruim. E há muita sabedoria nisso. Nem toda transformação chega embrulhada para presente. Algumas vêm acompanhadas de sustos, desconfortos, perdas e reviravoltas. Se até as pedras, que não rolam, acabam criando limo, imagine nós, que temos pernas, cabeça e, teoricamente, alguma disposição para usá-las!
Quem não muda corre o risco de não evoluir, não melhorar e, principalmente, deixar de viver experiências que poderiam ampliar seus horizontes. Basta imaginar o que teria acontecido se a humanidade tivesse decidido que morar em cavernas era suficientemente confortável. Provavelmente ainda estaríamos discutindo quem ficaria com o melhor pedaço da parede para fazer sua inscrição rupestre. Não teríamos explorado o espaço, chegado à Lua, mergulhado nas profundezas dos oceanos, inventado o avião ou tantas outras maravilhas que nasceram da inquietação humana. Tudo começou porque alguém, em algum momento, achou que dava para ir além.
Na minha própria história, as mudanças foram muitas e deliciosamente transformadoras. Depois que me casei, precisei aprender a ser esposa, a compartilhar a vida, a conviver com diferenças e a construir uma família. Tornei-me mãe, descobri outras dimensões do amor e aprendi que a maternidade é uma escola sem férias, sem diploma e com provas-surpresa todos os dias, além de ser a que melhor qualifica!
Também descobri uma segunda profissão na qual me encontrei e que me proporcionou 33 anos de trabalho, realização, alegria e prazer. Foram décadas de encontros, aprendizados, pessoas, desafios e conquistas que me fizeram crescer muito além do que eu poderia imaginar quando comecei. Não saí dessa experiência sendo a mesma mulher que entrou. Saí gigante!
Mudanças e mudanças…de carro, de casa… A última mudança aconteceu recentemente, e apesar de toda a trabalheira que uma mudança de endereço costuma provocar – caixas, malas, objetos que desaparecem misteriosamente e coisas que descobrimos não saber por que guardamos -, estou achando uma delícia essa novidade. Casa nova, ambiente novo, novas possibilidades. É uma aventura doméstica, com direito a reencontrar objetos que julgávamos desaparecidos e descobrir que acumulamos coisas suficientes para abastecer uma pequena loja de antiguidades.
Mas o melhor de tudo é a sensação de renovação. A alegria de olhar ao redor e perceber que estamos começando uma nova etapa, construindo novas memórias e abrindo espaço para experiências que ainda nem sabemos quais serão.
Assim sendo, pode-se dizer que uma das melhores novidades seja aprender que a vida nos convida permanentemente a mudar. Algumas transformações chegam delicadamente; outras nos sacodem, desmontam planos e nos obrigam a sair do casulo. Mas todas podem nos ensinar alguma coisa.
Por isso, aprendi a agradecer por cada mudança. Pelas que escolhi, pelas que me surpreenderam e até por aquelas que, num primeiro momento, não compreendi. Cada experiência trouxe alguma coisa: um aprendizado, uma descoberta, uma pessoa, uma oportunidade ou uma nova versão de mim mesma.
Que saibamos alimentar nossas transformações com alegria, entusiasmo e gratidão. Que não tenhamos medo de virar a chave, mudar os móveis de lugar, trocar o endereço, rever conceitos, experimentar caminhos e, quando necessário, deixar para trás aquilo que já cumpriu sua missão em nossa história.
Não precisamos carregar o passado nas costas para provar que ele foi importante. Basta agradecer pelo que vivemos, honrar o que construímos, seguir inteiros para o que ainda está por vir, olhar para trás apenas para agradecer e olhar para frente para continuar vivendo.
A vida não nos pede que sejamos fiéis à pessoa que fomos, mas que tenhamos coragem de nos tornar tudo aquilo que ainda podemos ser.
Mude! Mude de ideia, de caminho, de paisagem, de casa, de planos e, se necessário, até de opinião. Só não mude sua vontade de ser feliz. Porque a vida não combina com gente estacionada. E cá entre npis e o mundo inteiro, depois de tanto trabalho para ganhar asas, ninguém merece continuar morando no casulo!
Leia a coluna anterior:
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