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Cardeal e Arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil.
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“Salvador tem alto consumo de álcool entre adolescentes” foi a triste e preocupante manchete estampada, há poucos dias, pelo jornal A Tarde, refletindo uma realidade que necessita ser conhecida e que exige a devida atenção, principalmente, nas escolas e nas famílias.
A capital baiana ocupa o 2º lugar do ranking brasileiro.
Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, 46,5% dos adolescentes entre 13 e 17 anos admitiram já ter ficado alcoolizados ao menos uma vez, situando Salvador acima da média nacional que é de 41,4%.
Segundo os especialistas o consumo de álcool por adolescentes prejudica o seu desenvolvimento, inclusive do cérebro, não devendo ser consumido por eles.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe vender ou servir bebida alcoólica a menores de idade, valendo a regra para qualquer lugar, inclusive no ambiente familiar, onde muitas vezes o seu consumo é tolerado ou facilitado.
Por isso, os pais e educadores devem redobrar a atenção, não somente pela proibição legal, mas por razões éticas e pedagógicas.
O abuso de bebida alcoólica tem sido motivo de piadas em programas humorísticos e em rodas de amigos. Contudo, o alcoolismo necessita ser tratado com a merecida seriedade, pois o álcool está incluído na relação de drogas que causam dependência e, em muitos casos, a morte.
As suas tristes consequências são bastante conhecidas: graves danos à saúde, acidentes de trânsito, acidentes de trabalho, violência doméstica, brigas e homicídios.
O risco de dependência química aumenta com o consumo precoce de bebidas alcoólicas. A dependência química, em suas variadas formas, tem se difundido bastante, vitimando a juventude.
Algumas drogas têm o seu consumo proibido pela legislação brasileira, enquanto outras são toleradas ou utilizadas livremente por jovens e adultos, como o álcool e o cigarro.
Infelizmente, a compreensão que se tem não ajuda na recuperação das pessoas. É preciso superar a visão que reduz a dependência química à uma fraqueza moral, para considerá-la um problema de saúde.
A relutância em admitir a situação, em pedir ou aceitar ajuda, dificulta muito a superação do problema.
A ajuda fraterna de familiares e amigos é fundamental. No campo religioso, há muitas iniciativas que necessitam ser divulgadas e apoiadas, como como a Pastoral da Sobriedade e as comunidades terapêuticas.
Há necessidade de medidas preventivas, de cunho educativo e social; de controle rigoroso da venda de bebidas alcoólicas para menores; de aplicação da lei coibindo o uso de álcool pelos motoristas; de eliminar bebidas alcoólicas da propaganda.
Além disso, a vivência religiosa e o cultivo dos valores éticos muito podem contribuir para vencer a dependência de álcool e trazer uma nova vida, iluminada pela fé.
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
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