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Arimatéa Souza

Bifurcação familiar

Arimatéa Souza
Publicado em 17 de setembro de 2026 às 0:05

Erosão da imparcialidade

A perplexidade que toma conta do país (e de parte do mundo) com a “desidratação” moral e institucional do Supremo Tribunal Federal novamente levou os três principais jornais do Brasil a abordarem simultaneamente sobre o assunto, tamanha é a gravidade dos fatos que estão vindo à tona, com a necessária (e decantada) imparcialidade de magistrados saltando pelos ares, desnudando o que supremas “togas” negociaram no epicentro da República, numa cidade irreal chamada Brasília.

A seguir, trechos dos editoriais dos referidos jornais, começando pelo jornal O Globo.

Objeto da sessão

“Uma manobra dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes bastou para manter a agonia na maior crise enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em seus 135 anos de História. O dever dos ministros na sessão de (anteontem) não era fácil, mas era simples: autorizar ou não uma investigação sobre as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master e maior fraudador da História do sistema financeiro brasileiro.

Sessão infrutífera

“Mas, em vez de enfrentar a questão com o destemor exigido dos magistrados mais graduados do Brasil, a Corte se perdeu em intermináveis discussões sobre procedimentos jurídicos, entremeadas por indiretas, algum bate-boca e até agressões incompatíveis com o decoro do cargo.

Expectativa

“A sociedade brasileira esperava que o STF transmitisse um recado cristalino: o fato de Moraes ser ministro da mais alta Corte não o livraria de ser investigado; a lei que vale para todos os demais brasileiros valeria para ele também. E é oportuno repetir: não se tratava de condenar, nem sequer de denunciar, mas apenas de autorizar a apuração dos fatos diante dos indícios levantados pela PF.

Decepção

“Aqueles que desde o início queriam tumultuar lograram seu objetivo: Moraes foi por ora poupado. Ficou claro que o Supremo decepcionou. A sociedade exige que o Judiciário zele pela justiça, não que se perca em embates vazios de interesse pessoal dos ministros. A agonia persiste na mais alta Corte – enquanto o Brasil assiste a tudo com perplexidade e consternação”.

Corte dividida

Jornal Folha de São Paulo: “A frustrante sessão do Supremo Tribunal Federal destinada a deliberar sobre a investigação do ministro Alexandre de Moraes serviu ao menos para expor ao público as faces da atual divisão da corte.

Exacerbação

“Na obstrução teatral, magistrados que cometeram todo tipo de heterodoxia nos últimos anos se converteram em advogados fervorosos de ritos, protocolos e minúcias regimentais. Trataram um mero início de investigação formal como uma perseguição ou até uma ameaça à democracia ou ao Estado de Direito.

Cerne da crise

“Quase nada se falou do mais importante: que um ministro da mais alta corte do país se conectou ao maior fraudador da história do sistema financeiro nacional por meio de um contrato de R$ 131 milhões com o escritório de sua família; que há dezenas de mensagens de Vorcaro em busca de ajuda e orientação enviadas, segundo a Polícia Federal, ao ministro, com o uso sintomático do recurso de visualização única.

Incerteza alargada

Rachado, o Supremo amplia a incerteza quanto a uma decisão crucial para sua credibilidade. Sabe-se lá quando a deliberação, dependente de uma maioria, será retomada; a desfaçatez do quarteto da impunidade e sua aposta no compadrio aprofundam uma crise que ameaça levar de roldão a política e as instituições.

“Incapacidade”

“Se a sessão pública teve o mérito de dissolver conchavos, a incapacidade escancarada de fazer o que é óbvio e republicano faz do STF um impasse nacional.

“Caminho perigoso”

“As indicações para a corte, bem como o impeachment de ministros, tornaram-se tema da campanha eleitoral. O caminho para as reformas imprescindíveis do Supremo vai ficando mais perigoso”.

“Caso escabroso”

Jornal O Estado de São Paulo: “Por meio de chicanas e ofensas, Alexandre de Moraes e seus aliados tumultuam a sessão que deveria se ater ao caso escabroso do ministro. Cármen Lúcia se disse envergonhada. Todo o Brasil decente está”.

Desmoralizado

“O Supremo Tribunal Federal (STF) se desmoralizou perante a Nação de um jeito que nem o mais obstinado de seus detratores poderia desejar.

Triunfo

“Foi uma vitória, muito bem arquitetada, da turma chicaneira pró-Alexandre de Moraes e contra a sociedade, personificada pelos ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, além do indigitado.

“Espetáculo degradante”

“Só a ministra Cármen Lúcia teve a dignidade de pedir desculpas ao País pelo “mal-estar cívico” que o STF provocou em “todos os cidadãos e todas as cidadãs” do Brasil. Ela se disse “envergonhada” pelo espetáculo degradante protagonizado por alguns de seus pares. Como ela, todo o Brasil decente está envergonhado.

“Gravidade das suspeitas”

“Antes de (Flávio) Dino pedir vista a pretexto de serenar ânimos após um chilique teatral de Gilmar Mendes e, assim, interromper o julgamento da questão principal por semanas ou meses, os chicaneiros se lançaram em enfadonhas perorações, de claro vezo procrastinatório, sobre questões preliminares minúsculas à luz da gravidade das suspeitas que pesam sobre o sr. Moraes.

Intenção clara

“O propósito, evidentemente, era fugir, ao menos agora, da singela decisão de autorizar ou não a investigação – a mera investigação – do ministro.

Degradação

“Enquanto Alexandre de Moraes e André Mendonça discutiam sobre qual deles teria “mais medo” da Polícia Federal e se insinuava a existência de uma “PF paralela” monitorando ministros, Mendes e Dino, em jogral, atacaram a autoridade do presidente do STF, o ministro Edson Fachin. Ambos chegaram a dizer que Fachin teria se valido de um expediente da ditadura militar para avocar a relatoria da petição de investigação de Moraes – não só um absurdo jurídico-factual, como um insulto à decência e à história de vida do ministro presidente. Eis o nível da degradação da mais alta instância judicial do País, à beira do irrecuperável.

Conteúdo intocável

“Tudo o que se viu foi pura chicana. Nenhum dos ministros discutiu de fato o conteúdo das dezenas de mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro. Discutiram relatorias, ritos, objeto e outras filigranas. Sobre a gravidade do que lhes apresenta o caso concreto, nem uma palavra de horror ou de vergonha, à exceção, como notamos, de Cármen Lúcia.

“Barbaridade”

“Tal foi a bagunça, decerto deliberada, que o ministro Kassio Nunes Marques nem sequer se constrangeu ao cometer a barbaridade de se declarar “impedido” por sua jurisdição à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – como se a Constituição não autorizasse o acúmulo de função de ministro do TSE e do STF. Impassível, Marques levantou-se e foi embora.

“Esgoto moral”

“Ao contrário do que alega Moraes, não está em curso um ataque de golpistas ressentidos com ele ou com a Corte. Foram ministros como o próprio Moraes que lançaram o Supremo nesse esgoto moral, um ultraje à memória de todos os ministros de genuína reputação ilibada que lá já tiveram assento.

“Suicídio”

“São amplos os segmentos da sociedade civil, de convicções democráticas insofismáveis, que não se conformam em ver o Supremo se suicidar como instituição republicana em nome da salvação pessoal de um ou outro de seus integrantes.

“Blindagem pura”

“Quando uma ministra da própria Corte se diz envergonhada pelo que viu acontecer diante de seus olhos, não há brecha para que alguns de seus colegas sigam tratando como zelo processual o que é blindagem pura e simples.

“História escabrosa”

“Se, ao fim de toda essa história escabrosa, o Supremo decidir não investigar Moraes, não será mais visto como um Poder da República, e sim como uma extensão do escritório de advocacia da família do ministro – e de sabe-se lá mais quem.

Autoimolação

“Nunca é demais lembrar que a força do Judiciário vem da legitimação cotidiana de seus juízes. E se o próprio Supremo vier a matá-la para que um dos seus possa escapar do escrutínio de suas atitudes, que a maioria dos senadores salve a Corte de si mesma”.

´Prelo´

Na próxima terça-feira será divulgada a segunda pesquisa de intenções de voto para governador e senador na Paraíba, executada pelo Instituto Quaest e contratada pela Rede Paraíba de Comunicação.

Lego familiar para o Senado

Nesta quarta-feira, o candidato a deputado estadual pelo PV, Lafa Gadelha, anunciou nas redes sociais o seu apoio e o do seu tio (Dalton Gadelha) ao ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos) para o Senado.

O segundo voto de Lafa e do primo e candidato a deputado federal Leonardo Gadelha (Podemos) para o Senado é para um terceiro primo, André Gadelha (MDB).

Dalton deverá apoiar (segundo voto) João Azevedo (PSB).

Irmão de Dalton, Renato Gadelha apoia André Gadelha e Veneziano (MDB).

 

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