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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
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Uma das principais características do amor cristão é sua capacidade de elevar. O verdadeiro amor não diminui, não aprisiona nem humilha; ele reconhece a dignidade do outro, estende a mão, dá sentido e ajuda a pessoa a caminhar para o alto.
Neste domingo, celebramos a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, uma das grandes festas marianas da Igreja.
A fé na Assunção está profundamente enraizada na tradição cristã e foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio XII, em 1950. Mas qual é a grande mensagem que a Igreja deseja nos transmitir ao celebrar Maria elevada ao Céu em corpo e alma?
A resposta toca o próprio sentido da nossa existência. Como ensinava Bento XVI, a Assunção nos recorda que “também para o corpo existe um lugar em Deus”.
A salvação não é uma fuga da nossa humanidade, mas a sua plena realização em Deus. Em Maria, contemplamos antecipadamente aquilo que esperamos para todos os que permanecem unidos a Cristo.
É significativo que, depois da Anunciação, Maria não permaneça fechada sobre a experiência extraordinária que acabara de viver. Ao contrário, coloca-se a caminho.
“Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia” (Lc 1,39). Ela vai ao encontro de Isabel, leva consigo Jesus e torna-se presença de Deus na vida de outra pessoa.
Aqui encontramos uma das marcas mais bonitas do amor cristão: quem verdadeiramente acolhe Deus é enviado ao encontro do outro. Maria não guarda para si a graça recebida.
Ela a transforma em serviço, proximidade e cuidado. Sua presença leva alegria à casa de Isabel; sua saudação faz João Batista estremecer de alegria no ventre de sua mãe; sua vida inteira se torna espaço para a ação de Deus.
Maria nos mostra, assim, que o amor verdadeiro nunca nos deixa indiferentes diante do outro. O amor nos coloca a caminho. Faz-nos sair de nós mesmos para cuidar, servir, proteger e dignificar.
É justamente por isso que a Assunção de Nossa Senhora não é uma realidade distante da nossa vida. Maria, elevada ao Céu em corpo e alma, revela o destino último daquele que se entrega a Deus. Aquela que foi humilde serva na terra participa agora da glória do Céu. Aquela que disse “sim” à vontade de Deus tornou-se sinal de esperança para toda a humanidade.
O Papa Leão XIV, ao meditar sobre a Assunção, recordou que Maria, glorificada em corpo e alma, “brilha como ícone de esperança para os seus filhos peregrinos na história”. Sua vida foi uma peregrinação de esperança com Cristo, atravessando também a Cruz, até chegar à glória.
Essa esperança também nos chama a defender e promover a dignidade de toda vida humana. Em uma cultura que, tantas vezes, apresenta como progresso aquilo que acaba por tornar o ser humano descartável, o cristão é chamado a recordar que cada pessoa possui uma dignidade que não depende de sua força, utilidade, saúde, idade ou condição.
A Assunção de Maria proclama precisamente o contrário da lógica do descarte: o corpo humano é destinado à glória. Deus não despreza aquilo que somos. Ele deseja elevar o ser humano à plenitude da vida.
O Magnificat coloca essa lógica divina diante de nós: “Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes” (Lc 1,52). A grandeza de Maria não está no poder, na riqueza ou no prestígio. Está na humildade de quem permitiu que Deus realizasse nela grandes coisas.
Talvez esta seja uma das mensagens mais necessárias para o nosso tempo: não precisamos diminuir ninguém para nos sentirmos maiores. A lógica cristã é outra. Quem ama procura levantar o outro; quem ama ajuda o outro a descobrir sua dignidade; quem ama aponta para Deus.
Neste domingo, celebramos também a vida e a missão dos religiosos e religiosas, homens e mulheres que, por sua consagração, procuram testemunhar que Deus merece o primeiro lugar. Muitos de nós fomos catequizados, educados na fé, acompanhados e acolhidos por religiosas e religiosos que fizeram de sua própria vida uma oferta.
A vida consagrada presta um serviço indispensável à Igreja e ao mundo: testemunha que é possível entregar a própria vida por amor. Em uma sociedade marcada tantas vezes pelo individualismo, pela superficialidade das relações e pela busca constante de satisfação pessoal, os consagrados recordam que existe uma alegria maior quando a vida se transforma em dom.
Tudo a ver:
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