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O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.
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Na literatura infantil mundial há um conto de fadas escrito em 1837 por Hans Christian Andersen, intitulado A Roupa Nova do Rei. O conto narra a história de um rei que era muito vaidoso e gastava muito dinheiro com roupas novas e luxuosas.
Certo dia dois vigaristas foram ao rei e disseram que lhe fariam uma roupa com um tecido mágico, que seria invisível para os tolos e para os ineptos que ocupavam cargos no reino. O rei e seus ministros visitaram os teares vazios dos tecelões golpistas e, para não parecerem estúpidos fingiam que viam o tecido maravilhoso.
O rei pagou pelo tecido e mandou que o alfaiate fizesse a roupa. Este, por sua vez, também fingia que fazia a roupa, que o rei a vestiu fingindo que não a via. O rei, então, quis mostrar a roupa maravilhosa e fez um desfile pelas ruas da cidade, no qual os seus súditos e seus ministros fingiam que viam a roupa para não parecerem bobos.
Ocorreu, porém, que ao passar o desfile, na sua inocência uma criança gritou que o rei estava nu. O povo percebeu o engano de todos e começaram a gritar que o rei estava nu. Mesmo assim, ridicularizado e envergonhado o rei continuou o desfile, com seus ministros alçando a cauda da sua roupa invisível.
A moral dessa história é que ela critica a vaidade excessiva, a falsidade e a pressão social que as pessoas fazem concordando com os absurdos, apenas para que não se pareçam tolas ou ignorantes.
Há uma fábula mais real do que esta hoje em nosso Brasil? Uma corte judiciária que se entende poderosa, que extrapola suas finalidades e seus limites constitucionais, que põe e dispõe ao seu talante, estando seus ministros fingindo que se acham bem vestidos? E o povo que a tudo isso vê e aplaude a passagem do cortejo? E os representantes desse povo que também fingem ver a roupa do rei que não existe?
Onde está a criança brasileira para gritar que o rei está nu? A sociedade brasileira está a fazer vistas grossas a tantos pequenos reis que nas suas esferas de poder se arvoram como um grande rei. O poder real desses minúsculos reis é fictício, suas roupagens são invisíveis porque todos eles estão nus.
O rei é o povo e está na hora deste rei se vestir. 4 de Outubro está aí, bem na frente. A nova roupa do rei é o enterro da polarização política, que tem desviado o país dos seus tradicionais e verdadeiros caminhos. Vista-se, povo rei. Viva o Rei.
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