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Jornalista, Pós-Graduada em Comunicação Educacional, Gerente de Negócios das marcas Natura e Avon.
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O texto que escrevo neste momento foi “encomendado” por uma pessoa muito querida.
Com este foco, conversando com algumas mulheres que passaram ou passam por essa transição, conclui que seria de bom tom trazer esse tema, que de leveza não tem nada, tentando mitigá-lo da melhor forma possível. Sendo assim, mão a obra! Vamos la!
Há um tipo de amor que dói justamente onde um dia foi mais generoso.
É aquele amor que, enquanto existe, entrega o melhor de si: tempo, cuidado, intimidade, sonhos, segredos, vulnerabilidades. É o amor que oferece o céu sem perguntar o preço, que abre as portas por inteiro e acredita que do outro lado existe alguém disposto a cuidar do que acabou de receber.
Mas algumas histórias terminam. E, às vezes, terminam de uma maneira que ninguém imaginava.
O que antes era afeto transforma-se em ressentimento, a confidência vira munição, o que foi vivido com intensidade passa a ser usado como arma. E há pessoas que parece encontrar algum prazer em assistir ao sofrimento de quem um dia amaram. Pior: entristecem quando descobrem que o outro se reergueu, sorriu novamente, encontrou paz e seguiu em frente. É uma espécie de inversão cruel do sentimento.
Como pode alguém a quem você desejou o céu, depois da separação, torcer para que conheça o inferno?
Talvez porque algumas pessoas não saibam amar sem possuir. E, quando percebem que perderam o lugar que ocupavam na vida do outro, tentam transformar a ausência em punição. Precisam acreditar que o outro está sofrendo para que a própria importância continue existindo.
E então surge uma das maiores contradições da vida: aquilo que um dia foi celebrado como intimidade passa a ser negado, diminuído ou desfigurado, como se tudo o que foi vivido jamais tivesse existido. Mas existiu.
O amor pode ter acabado, a relação pode ter fracassado, as pessoas podem ter mudado, e mudam mesmo; as vezes para melhor, outras para pior. Entretanto, isso não apaga automaticamente a verdade dos momentos que foram vividos, pois o que foi bonito não precisa se tornar feio apenas porque terminou.
E essa lógica não pertence apenas aos relacionamentos amorosos. Ela também aparece nas amizades, nas parcerias, nas relações profissionais e até dentro das famílias. Há pessoas que, quando se sentem contrariadas ou feridas, revelam uma versão de si que jamais imaginávamos existir.
É por isso que reservas são necessárias. Não como estratégia de frieza ou como incapacidade de confiar, muito menos como uma maneira de viver desconfiando de todo mundo, mas porque abrir demais a alma para quem ainda não provou que sabe cuidar dela, pode ser perigoso.
Existem coisas que precisam de tempo para serem reveladas. Confiança não deveria ser um mergulho profundo de olhos fechados; deveria ser uma construção, entendendo que aos poucos, vamos entregando pequenas partes de nós e observando o que o outro faz com aquilo que recebeu, porque confiança não é apenas contar um segredo: é saber que, mesmo quando o vínculo terminar, aquele segredo continuará seguro. E isso envolve caráter.
E talvez essa seja uma das maiores provas de caráter: descobrir que você poderia ferir alguém e escolher não fazê-lo. A maturidade está justamente aí.
Não precisamos deixar de nos entregar, só precisamos aprender a quem nos entregar, já que viver com o coração completamente fechado também tem um preço, e a pessoa que, para nunca mais ser ferida, decide nunca mais confiar, pode até diminuir o risco da dor, mas também diminui a possibilidade do encontro, da intimidade, da amizade verdadeira e do amor que cura. O cuidado não deve encolher a suas possibilidades. Deve apenas ensiná-la a escolher melhor onde repousar.
E talvez seja essa a medida certa: continuar sendo generoso sem ser ingênuo; continuar amando sem se abandonar; continuar acreditando nas pessoas sem entregar a qualquer pessoa as chaves de tudo aquilo que somos. Pior do que se ver exposto é perceber que aquilo que você revelou em confiança foi transformado em arma por quem deveria ter protegido.
Ainda assim, eu me recuso a acreditar que o mundo seja feito tão somente de pessoas assim. Existem pessoas boas, leais, pessoas que recebem uma confidência e a tratam como um objeto sagrado, que sabem que a vulnerabilidade do outro não é oportunidade de poder, mas um pedido de cuidado. Existem sim, pessoas que permanecem dignas mesmo quando a relação termina, porque sabem que caráter não depende da permanência do vínculo.
Refletindo sobre o assunto, vejo que tenho a sorte de conhecer algumas delas, e por elas rendo muitas graças a Deus.
São raridades que não devemos deixar escapar. Pessoas assim merecem um lugar especial na nossa vida, porque confiança verdadeira é um patrimônio que não se compra, não se negocia e não se substitui facilmente.
Talvez por isso eu pense que as pessoas honestas deveriam ser guardadas em um cofre, mas não em qualquer cofre, apenas naquele que só tem uma chave e ela fica por dentro: o cofre do coração.
No finalmente, amar não deveria significar entregar nossa alma a qualquer pessoa, deveria significar encontrar alguém diante de quem podemos abrir a porta sem medo de que, um dia, essa mesma pessoa tente arrombá-la para destruir o que encontrou lá dentro.
E quando alguém fizer isso, que a nossa maior resposta não seja a vingança: Que seja a paz, já que existe algo que dói muito mais em quem desejou nossa queda: nos ver inteiros, de pé, felizes, renovados, seguindo em frente, e principalmente, perceber que aquilo que tentaram destruir em nós continuou vivo.
Nossa confiança pode até ser quebrada, mas não precisa ter o poder de quebrar a nossa capacidade de amar, porém…não dê munição a quem não o merecer. Como bem disse Francis Bacon: “Conhecimento é Poder”. Isso não é só sobre cultura e status.
Leia a coluna anterior:
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