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Flávio Bolsonaro afirma que fuga não é fraqueza e fala em ‘novas eleições’

Da Redação
Publicado em 31 de outubro de 2026 às 7:32

flavio band

Foto: Frame/Band

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O ex-presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou, nesta sexta-feira (30), que sua fuga para os Estados Unidos após perder o segundo turno “não é sinal de fraqueza”, voltou a insinuar fraude no resultado sem apresentar provas e falou em haver “novas eleições” antes de 2030.

Dois dias após divulgar uma carta com teor golpista e de ser isolado pelas principais lideranças da própria direta, Flávio fez uma transmissão ao vivo no Instagram por cerca de 20 minutos nesta noite em sua primeira fala a apoiadores desde que fugiu do país, na terça-feira (27).

Ele relatou ter tomado a decisão de ir embora do Brasil em uma conversa com sua mulher, Fernanda Bolsonaro, poupando aliados de envolvimento na organização da fuga, e agradeceu aos apoiadores pelos cerca de 60 milhões de votos.

“Isso [os 60 milhões de votos] me dá muita força, muita consciência, ainda mais coragem para enfrentar o que tiver que enfrentar, se preciso for, para resgatar, para salvar o nosso país, para disputar mais uma eleição para presidente da República. Eu não estou falando de 2030, não, eu estou falando de antes disso”, disse.

O senador anunciou, na segunda (26), que entraria com uma ação eleitoral por abuso de poder político e econômico, acusando o presidente Lula (PT) de ter usado a máquina pública para ganhar a eleição —um exemplo seria o aumento no valor do Bolsa Família concedido às vésperas do pleito.

Na live desta sexta, ele disse que Lula fez “gols de mão” e mencionou governadores cassados sob a mesma acusação de uso da máquina. “Foram vários gols de mão que o meu adversário fez e que não foram anulados pelo VAR [árbitro de vídeo]. Jogou completamente fora da legislação eleitoral”, completou.

Caso a Justiça Eleitoral entenda que houve abuso de poder e casse a chapa eleita num período de menos de dois anos após o último pleito, o país passaria por um nova eleição direta para a Presidência, conforme determina a lei.

Porém, na live, Flávio também voltou a falar em fraude eleitoral —tese que seus advogados já tinham o aconselhado a descartar. Ele repetiu que não concorda com a proclamação do resultado da eleição pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e, sem provas, declarou que seria “matematicamente impossível” o que ocorreu no pleito.

O candidato do PL saiu na frente no primeiro turno, em 4 de outubro, mas, em uma virada histórica, Lula ganhou 10 milhões de votos e bateu o bolsonarista. O petista teve 51,79% dos votos válidos no segundo turno, contra 48,21% do senador. O presidente da corte eleitoral, Kassio Nunes Marques, que é próximo do clã bolsonarista, reconheceu o resultado das urnas.

Na live, Flávio chegou a insinuar que os eleitores de Lula não eram reais. “É uma honra que poucos no Brasil podem carregar, ser tão bem votado assim, sabendo que meus votos realmente vieram de eleitores reais.”

“Enquanto nós não tivermos mais camadas de segurança para as eleições, elas vão continuar acontecendo diante do manto da desconfiança. Eu fico muito triste de ver o adversário jogando fora da lei eleitoral e nada acontecendo”, disse ele, elencando casos de cassação por abuso de poder econômico e político do Rio e de Roraima, misturado ao discurso de seu pai, que questionava a segurança das urnas.

Flávio também falou em queda do governo Lula e fez referência à ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que sofreu um impeachment em 2015 por crime de responsabilidade pelas chamadas “pedaladas fiscais”.

“Se ele [Lula] fizer aquilo que ele prometeu, o Brasil vai quebrar ainda mais rápido. Então infelizmente o Brasil está fadado a quebrar. Eu acho que esse é um dos fatores que vai acabar derrubando o atual presidente da República, muito antes do que muita gente imagina”, disse.

“A minha expectativa é que a economia vai ser o principal fator de desgaste do atual governo. O cenário é muito pior do que o da Dilma lá em 2014, 2015”, completou.

Em caso de impeachment de presidente, é o vice quem assume o governo –Geraldo Alckmin (PSB) no caso. Na hipótese de ambos os cargos ficarem vagos, há dois caminhos. Se isso ocorrer em menos de dois anos após a eleição, haverá uma nova eleição direta para a Presidência.

Se for após dois anos, a eleição é indireta, realizada pelo Congresso.

Em reação a Flávio dizer que vai disputar a próxima eleição presidencial, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, fez uma publicação na noite desta sexta exaltando o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é a principal alternativa na direita.

“O ego não pode falar mais alto que o bom senso. O governador Tarcísio é uma grande liderança e já comprovou que é leal ao ex-presidente Bolsonaro”, disse.

Flávio Bolsonaro também afirmou que decidiu deixar o país depois de ir visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar, na segunda-feira, em Brasília, e ser intimado no local por agentes da Polícia Federal que o informaram sobre o cancelamento de seus passaportes por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo ele, Moraes “forçou a mão” horas depois do pleito para tentar intimidá-lo. Como mostrou a Folha, o senador descumpriu a determinação e não entregou os documentos. Ele é alvo de um inquérito no Supremo para apurar suspeita de lavagem de dinheiro com o advogado Willer Tomaz, também investigado no caso das fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Nesta sexta, Flávio Bolsonaro disse ser “falsamente” acusado de envolvimento com contas bancárias de Willer, a quem classificou como um amigo. O bolsonarista também é formalmente investigado no inquérito do Supremo que envolve o filme “Dark Horse”, que recebeu ao menos R$ 65 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Não há, porém, ordem de prisão contra Flávio —mas o senador disse que saiu do país pois esse seria o objetivo final do que chamou de sistema.

“Pergunte a qualquer parlamentar que você votou se ele se sente confortável de expressar a sua opinião, de falar o que verdadeiramente pensa, sem se preocupar com represálias, sem se preocupar de ser vítima de perseguição”, disse.

“Daqui eu vou continuar tendo uma voz ativa, vou poder continuar exercendo a minha liderança que eu devo aqui ao presidente Bolsonaro. […] Como é que ele consegue orientar se ele não tem voz, se ele tá censurado, injustiçado?”, comparou.

Ainda de acordo com o relato de Flávio, o ex-presidente presenciou a abordagem da PF. “Então, eu olhei para a cara dele e falei: ‘Pai, começou a perseguição’. Até um pouco antes do que eu imaginava que começaria, porque todos sabem que o Brasil hoje vive um regime de exceção”, disse.

Seguindo a cartilha bolsonarista e se dizendo vítima de perseguição, Flávio afirmou que iria trabalhar “para democracia ser restabelecida no nosso país”.

Bolsonaro, segundo ele, teria dito ainda: “Já sabe aonde eles querem chegar com isso, né?”, insinuando que o filho seria preso.

“Não tinha nenhuma dúvida que eu seria usado como moeda de troca pra algum interesse no sistema. Eu perdi para o sistema, não perdi para meu adversário. […] Então eu falei que eu não me submeteria a isso. Isso não é nenhum sinal de fraqueza não, gente. Eu posso ser tudo menos burro. Eu soube fazer análise de cenário e entendi onde é que eles chegariam –e rápido, mais rápido do que eu imaginava”, disse.

O senador ainda criticou as negociações articuladas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de um possível indulto ou anistia a Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, em troca do apoio da direita à sua reeleição para o comando da Casa.

“Essas tentativas de negociação usando como moeda de troca a liberdade do presidente Bolsonaro são nojentas. É a palavra que vem à minha cabeça nesse momento”, declarou.

Flávio Bolsonaro disse que “a trincheira” será o Congresso Nacional, em especial o Senado, que terá uma maioria de direita a partir de 2027, e declarou apoio à candidatura do chefe de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), para a presidência da Casa. O pleito vai ser realizado em fevereiro do ano que vem.

“É a única forma de a gente conseguir ter uma resistência para impedir ou retardar o grande caos que o atual presidente da República vai instaurar no nosso país”, disse.

Repetindo o que disse em carta golpista, Flávio disse que vai exercer sua liderança dos EUA. No documento, ele chegou a se autoproclamar “presidente eleito” do Brasil, mas depois recuou.

O irmão dele, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), também mora no país, de onde já articulou sanções contra o governo brasileiro.

* Com informações da folhapress

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