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Engenheiro Eletrônico, MBA em Software Business e Comércio Eletrônico, Diretor da Light Infocon Tecnologia S/A e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP – Associação Brasileira de Fomento à Inovação em Plataformas Tecnológicas.
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Essenciais para a transição energética, a indústria de alta tecnologia, a mobilidade elétrica e os sistemas de defesa, as chamadas “Terras Raras” (TR) ganharam importância geopolítica e econômica.
Com reservas expressivas e potencial de expansão da atividade mineral, o Brasil tem a oportunidade de transformar sua riqueza geológica em desenvolvimento industrial, inovação e maior protagonismo no mercado mundial.
As TR estão entre os recursos minerais mais estratégicos da economia contemporânea. Embora pouco conhecidas do público em geral, essas “substâncias” são fundamentais para a fabricação de produtos que vão desde smartphones, computadores, equipamentos eletrônicos em geral e aparelhos médicos, até motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, material de telecomunicações, satélites, e sistemas militares avançados.
O avanço da “eletrificação dos transportes”, das energias renováveis, da automação industrial e das tecnologias digitais (incluindo IA), ampliou muito, a demanda por determinados elementos desse grupo, colocando-os no centro de disputas comerciais, industriais e geopolíticas entre as principais economias do planeta (leia-se: Estados Unidos, China e União Europeia).
Nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição de destaque. O País possui um dos maiores “conjuntos de reservas conhecidas de TR” do mundo, mas ainda enfrenta o desafio de converter essa vantagem em capacidade de processamento, produção de materiais de alto valor agregado e participação mais expressiva, nas cadeias globais de tecnologia.
A questão central, portanto, vai muito além de extrair minério: trata-se de definir qual será o papel do Brasil em um mercado no qual o domínio tecnológico, o acesso a matérias-primas e a segurança das cadeias de suprimento, se tornaram fatores decisivos para a competitividade econômica e impacto geopolítico do país, no mundo atual.
“Terras Raras”: os minerais estratégicos que podem redefinir a indústria global e abrir novas oportunidades para o Brasil (II)
Mas, antes de continuar, vamos ao “básico”. O que são “Terras Raras” e por que recebem esse nome? As TR constituem um grupo de 17 elementos químicos: os “15 lantanídeos da Tabela Periódica, além do escândio e do ítrio”. Entre os mais conhecidos estão o neodímio, o praseodímio, o disprósio, o térbio, o lantânio e o cério.
Apesar do nome, esses elementos não são “necessariamente raros” na crosta terrestre. O termo está associado, principalmente, à dificuldade de “encontrar concentrações economicamente viáveis e de separar os elementos uns dos outros”.
Suas propriedades químicas semelhantes, tornam o processamento complexo, exigindo tecnologia especializada e investimentos milionários.
Segundo a IEA – International Energy Agency (Agência Internacional de Energia), o “alto valor estratégico” das TR decorre não apenas da disponibilidade geológica, mas das propriedades magnéticas, ópticas e químicas, que permitem fabricar componentes de elevado desempenho e extremamente necessários para vários segmentos da indústria, como vimos acima.
É importante destacar que, TR não são a mesma coisa que lítio, cobalto, nióbio ou grafite. Embora todos possam ser classificados como minerais críticos ou estratégicos (em determinadas aplicações industriais), pertencem a grupos químicos distintos e apresentam aplicações específicas.
A relevância econômica das TR está diretamente relacionada à capacidade de melhorar o desempenho, reduzir o tamanho e aumentar a eficiência de equipamentos e sistemas industriais.
Listo aqui, algumas de suas principais aplicações. Começando com o “assunto da moda”: Carros Elétricos. Neodímio, praseodímio, disprósio e térbio são utilizados em ímãs permanentes de alto desempenho, empregados em motores elétricos. Esses materiais permitem elevada densidade de potência e eficiência, contribuindo para o desempenho de veículos elétricos e híbridos.
Já na “Energia Eólica”, as TR são utilizadas para produzir imãs permanentes, utilizados em determinados geradores eólicos, especialmente em projetos que buscam alta eficiência e menor necessidade de manutenção.
Com relação a IA (Inteligência Artificial), eletrônica e telecomunicações, as TR integram componentes utilizados em discos rígidos (HDs), sistemas de áudio, sensores, equipamentos de comunicação e diversos dispositivos eletrônicos.
Em data centers, seus ímãs podem estar presentes em motores, sistemas de refrigeração e componentes de armazenamento, contribuindo, indiretamente, para a infraestrutura necessário a IA.
A IEA destaca que os “ímãs permanentes” representam a aplicação de maior crescimento estratégico das Terras Raras”. Em sua análise, eles respondem hoje, por cerca de 95% do consumo total desses elementos em valor.
“Terras Raras”: os minerais estratégicos que podem redefinir a indústria global e abrir novas oportunidades para o Brasil (III)
No segmento de “Defesa e Indústria Aeroespacial”, as TR são utilizadas em sistemas de orientação de mísseis, radares, aeronaves, equipamentos de comunicação e micromotores especializados. Sua presença em componentes compactos e de alto desempenho, torna esses elementos relevantes para a segurança nacional e a autonomia tecnológica.
Na “Medicina e em Equipamentos Científicos”, o gadolínio é utilizado em determinados agentes de contraste para exames de ressonância magnética. Outros elementos são empregados em detectores, equipamentos ópticos, lasers e instrumentos de pesquisa.
E na “Indústria em Geral’, o cério e lantânio são utilizados em catalisadores, polimento de vidros, tratamento de materiais e em diversos processos industriais. O cério, por exemplo, é empregado no polimento de precisão de vidros e componentes ópticos, enquanto o lantânio possui aplicações em catalisadores e materiais para “baterias específicas”.
Com as informações acima, fica claro a importância e o tamanho do mercado global deste “grupo de 17 elementos químicos”. O Brasil reúne condições geológicas para ocupar uma posição relevante nesse mercado.
O USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos), em seu relatório “Mineral Commodity Summaries” 2026 (Resumos de Commodities Minerais, Edição 2026), estima as reservas brasileiras de Terras Raras em aproximadamente 21 milhões de toneladas, colocando o País entre os maiores detentores de reservas no mundo.
Para efeito de comparação, no mesmo documento, o USGS estima reservas de 44 milhões de toneladas na China e 6,3 milhões de toneladas na Austrália. Os dados se referem às reservas estimadas, e não à produção anual ou à capacidade instalada de processamento.
A China ocupa uma posição dominante nesse mercado. Sua liderança foi construída ao longo de décadas, combinando disponibilidade mineral, investimentos industriais, capacidade de processamento, escala produtiva e domínio tecnológico.
“Terras Raras”: os minerais estratégicos que podem redefinir a indústria global e abrir novas oportunidades para o Brasil (IV)
Segundo ainda a IEA, em 2024, a China respondeu por aproximadamente 60% da produção mundial “minerada” de Terras Raras utilizadas em ímãs e por 91% do refino geral desses elementos. No segmento de ímãs permanentes sinterizados, sua participação chegou a 94% da produção global naquele ano.
Essa concentração torna esses produtos um instrumento relevante de política comercial e geopolítica. Restrições às exportações chinesas podem afetar fabricantes de automóveis, equipamentos eletrônicos, turbinas eólicas e sistemas de defesa em diversos países.
Em abril de 2025, a China introduziu controles de exportação sobre sete elementos de Terras Raras pesadas e produtos relacionados. A medida provocou dificuldades de abastecimento para fabricantes internacionais, levando algumas montadoras a reduzir o ritmo de produção ou interromper temporariamente suas operações.
A IEA também documentou a ampliação das restrições anunciadas em outubro daquele ano e os riscos que elas representam para as cadeias industriais globais.
O episódio reforçou a preocupação de Estados Unidos, União Europeia, Japão, Austrália, Coreia do Sul e outras economias, com a segurança do fornecimento de minerais críticos.
Diversificar fornecedores, desenvolver capacidade de refino fora da China e ampliar a reciclagem, tornaram-se objetivos de política industrial, segurança econômica e militar.
O desafio é considerável: abrir minas em outros países não resolve por si só, a dependência global. Sem capacidade independente de separação química, produção de metais, fabricação de ligas e ímãs permanentes, parte importante da cadeia de valor continua concentrada no mesmo país.
Nesse contexto, apresenta-se uma grande oportunidade para o Brasil. Para que essa “oportunidade” seja aproveitada, é necessário que tenhamos uma estratégia de desenvolvimento para o setor.
Essa estratégia deve contemplar políticas de atração de investimentos industriais, transferência de tecnologia, formação de fornecedores nacionais e estímulo à pesquisa aplicada.
A implantação de unidades de separação e processamento no território brasileiro, associada à produção de componentes industriais, poderia ampliar os efeitos econômicos da atividade mineral, gerando empregos qualificados, tributos, exportações de maior valor agregado e novas perspectivas para nossas empresas.
O Brasil não pode perder mais essa oportunidade!
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“PISA 2025”: Um alerta especial para o setor de TI (Tecnologia da Informação) brasileiro
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