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Alexandre Moura

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Engenheiro Eletrônico, MBA em Software Business e Comércio Eletrônico, Diretor da Light Infocon Tecnologia S/A e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP – Associação Brasileira de Fomento à Inovação em Plataformas Tecnológicas.

“PISA 2025”: Um alerta especial para o setor de TI (Tecnologia da Informação) brasileiro

Por Alexandre Moura
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 8:11

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Complementando minha última coluna, sobre os resultados do “PISA 2025 e “focando” agora, nas empresas de base tecnológica, em especial as do segmento de TI (Tecnologia da Informação), veremos a seguir que, neste setor, os impactos são ainda mais preocupantes.

A produção de “software” em geral, tecnologia de IA (Inteligência Artificial), computação quântica, computação em nuvem, cibersegurança e robótica “dependem de profissionais capazes de resolver problemas abstratos e aprender continuamente”.

Programar, por exemplo, não é simplesmente conhecer e usar uma “linguagem de programação”. Programação envolve decomposição de problemas, lógica, abstração, matemática (e mais recentemente, até conhecimentos de física quântica), interpretação de requisitos, gerar relatórios técnicos, confeccionar manuais, ter capacidade de testar hipóteses e persistência para correção de eventuais erros.

O mesmo vale para ciência de dados, “machine learning”, engenharia de software, IA, computação quântica, segurança cibernética, “produção” de hardware, “gestão” de data center e engenharia de sistemas.

Por isso, o fato de quase nenhum estudante brasileiro alcançar os níveis mais elevados de Matemática no PISA 2025, deve ser observado com atenção pelo “Ecossistema Brasileiro de Tecnologia”.

O resultado não significa que o Brasil ficará sem bons programadores ou pesquisadores nessa área, mas é um “alerta” bastante preocupante.

O país possui universidades, institutos de pesquisa, empresas e polos tecnológicos capazes de produzir profissionais de alto nível. O problema é a “escala” necessária que fica extremamente prejudicada.

Uma “economia digital” competitiva precisa produzir milhares – e, em determinados segmentos, centenas de milhares – de profissionais com diferentes níveis de competência tecnológica.

Os “números” deste último PISA mostram um “risco” enorme para o futuro de nossas empresas de base tecnológica, especialmente para as startups e as MPEs.

Uma startup, normalmente, precisa crescer rapidamente, começando com equipes relativamente modestas. Seus profissionais precisam aprender tecnologias novas, trabalhar de maneira multidisciplinar e solucionar problemas para os quais nem sempre existem respostas prontas e ter disponibilidade de pessoal qualificado e na hora certa, é fundamental.

“PISA 2025”: Um alerta especial para o setor de TI (Tecnologia da Informação) Brasileiro (II)

Nesse ambiente, competências cognitivas básicas tornam-se ativos estratégicos. Uma deficiência generalizada na formação escolar pode produzir um fenômeno bem conhecido pelas empresas de tecnologia (especialmente as de TI), a chamada “escassez crônica de talentos adequados”.

Nesse cenário, a disputa pelos melhores profissionais aumenta. Empresas maiores conseguem pagar salários mais elevados e oferecer melhores condições de trabalho.

Nesse cenário, startups e pequenas empresas podem ter dificuldade para contratar e reter talentos. Pondo em risco sua sobrevivência.

O resultado pode ser concentração de profissionais altamente qualificados em grandes corporações e/ou centros econômicos, dificultando o desenvolvimento de Ecossistemas Tecnológicos em cidades menores.

Além disso, o problema não é apenas quantitativo: é também de inovação! Essa é uma consequência/necessidade menos visível, mas extremamente importante. A “inovação” depende de pessoas capazes de combinar conhecimentos diferentes, formular hipóteses, experimentar, interpretar resultados e aprender continuamente.

Um sistema educacional que produz poucos estudantes nos níveis mais altos de proficiência pode limitar a formação futura de pesquisadores, engenheiros, “empreendedores tecnológicos” e profissionais de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), afetando diretamente setores estratégicos para o desenvolvimento de uma nação.

Um país pode ter bons profissionais e, simultaneamente, uma base educacional fraca. O inverso também, é verdadeiro. Esse é um ponto importante para interpretar corretamente o caso brasileiro (na nossa realidade atual), refletida no PISA 2025.

O Brasil possui universidades e centros de excelência capazes de produzir pesquisa científica, tecnologia e profissionais altamente qualificados. O próprio Ecossistema tecnológico brasileiro demonstra isso. Entretanto, uma pequena parcela de estudantes excepcionalmente talentosos, formados por este Ecossistema, não é suficiente para sustentar uma economia de inovação em larga escala.

Para construir uma economia digital competitiva é necessário combinar: “uma grande base de trabalhadores com competências fundamentais, mais uma camada ampla de profissionais técnicos e ainda, uma parcela significativa de especialistas altamente qualificados”. Essa é a fórmula.

“PISA 2025”: Um alerta especial para o setor de TI (Tecnologia da Informação) Brasileiro (III)

Os números do PISA sugerem que o Brasil ainda possui uma base muito “estreita em comparação com economias mais desenvolvidas” e a “distância”, infelizmente, está aumentando.

Além disso, o PISA 2025 também revela uma dimensão socioeconômica preocupante. No Brasil, os estudantes pertencentes aos 25% mais favorecidos economicamente, superaram os 25% menos favorecidos em “96 pontos em Ciências”, por exemplo. A “diferença média entre esses grupos na OCDE foi de 85 pontos”.

E pior, entre 2015 e 2025, a diferença de desempenho entre os grupos socioeconômicos extremos aumentou no Brasil. O desempenho melhorou entre os estudantes “favorecidos”, enquanto permaneceu estável entre os “desfavorecidos”, segundo os dados da OCDE.

Para as empresas, isso significa que o país pode estar desperdiçando uma enorme quantidade de “potenciais talentos”. Uma criança e/ou adolescente de baixa renda, que não desenvolve adequadamente suas competências básicas pode jamais chegar (ou chegar com deficiências sérias) à universidade, a um curso técnico ou a uma empresa de tecnologia, mesmo possuindo capacidade intelectual para isso.

Para o setor empresarial, reduzir essa desigualdade não é apenas uma questão social. É também, uma forma de “ampliar o mercado futuro de talentos”.

O Brasil possui uma população grande e um mercado consumidor significativo. Isso deveria representar uma vantagem competitiva para a economia digital. Entretanto, população numerosa não significa automaticamente abundância de capital humano qualificado.

O desafio brasileiro é transformar “população” em talento, talento em conhecimento e conhecimento em produtividade e inovação.

Nesse aspecto (como escrevi anteriormente), o PISA funciona como um “indicador de futuro” (ou falta dele). Se uma parcela significativa dos jovens chega aos 15 anos, sem dominar competências fundamentais, será necessário compensar (se for possível) essa deficiência posteriormente, seja por meio de educação profissional, treinamento corporativo e/ou programas de qualificação e requalificação.

Isso custa bastante tempo e muito dinheiro.

Diante desse cenário, esperar que apenas o sistema público e privado de ensino resolva o problema, é temerário.

“PISA 2025”: Um alerta especial para o setor de TI (Tecnologia da Informação) Brasileiro (IV)

Empresas, entidades empresariais, universidades, institutos federais, escolas técnicas, organizações do “Sistema S” (SEBRAE, SENAR e SENAI) e governos (nos três níveis), precisam estabelecer uma agenda permanente de desenvolvimento de competências. Essa é uma ação/medida “para ontem”.

Por outro lado, nesse ponto, existe uma oportunidade particularmente importante para cidades brasileiras de porte médio, como Campina Grande. Os Ecossistemas Locais de Inovação (como o E.InovCG), em vez de esperar que os talentos migrem para São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília ou até para o exterior (mesmo que de forma “remota”), podem sugerir mecanismos a quem de direito, para formar, atrair e reter profissionais.

Nesse modelo, a escola forma a base; o ensino técnico desenvolve competências profissionais; a universidade produz conhecimento; as empresas transformam conhecimento em produtos e serviços; e startups experimentam novos modelos de negócios.

A educação deixa, assim, de ser “vista apenas como política social” passando a ser tratada, também, como “infraestrutura econômica”.

Esse é o nosso grande desafio para os próximos 10 a 15 anos. “Horizonte” temporal que coincide com uma transformação global, do mercado de trabalho.

Conforme, o “Future of Jobs Report 2025” (Relatório sobre o Futuro do Trabalho 2025) do Fórum Econômico Mundial, “cerca de 40% das competências atualmente exigidas pelo mercado de trabalho deverão mudar radicalmente até 2030”.

Mesmo que o resultado do PISA 2025, provavelmente, tenha pouco efeito imediato sobre os “balanços” das empresas, ele deveria provocar uma pergunta muito mais incômoda para todos nós: Se continuarmos formando nossos jovens no ritmo atual (e com essa “qualidade”), teremos profissionais suficientes e capazes, para a economia que queremos construir daqui a 10-15 anos?

Caso a resposta seja “não”, a questão seguinte é inevitável: Quem vai fazer alguma “coisa” a respeito, para mudar essa realidade?

Por isso, na minha modesta opinião, a agenda empresarial precisa mudar e rápido! Educação básica (de boa qualidade), formação profissional, tecnologia e inovação não podem mais ser tratadas como agendas separadas.

Se nada for feito, tenho certeza, que os efeitos dessa “inação” aparecerão gradualmente e, talvez, quando forem sentidos pelos empresários e pela sociedade, será tarde demais.

Leia a coluna anterior:

“PISA 2025”: Desempenho brasileiro acende alerta para empresas

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