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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
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A esperança cristã nasce da certeza de que Deus nunca abandona o homem em sua fragilidade. Mesmo quando o pecado, a dor ou o desânimo parecem obscurecer o horizonte, o Senhor continua vindo ao encontro de seus filhos, não para condená-los, mas para restaurá-los com seu amor misericordioso.
Jesus revela que Deus não se afasta da miséria humana; ao contrário, aproxima-se dela para curá-la e transformá-la. Por isso, suas palavras ecoam como um consolo e uma promessa: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9,12-13). Eis o fundamento da nossa esperança: Deus não espera que sejamos perfeitos para nos amar, mas nos ama para nos restaurar.
Segundo o Papa Francisco, “existe na Igreja, ainda que, com estilos diferentes nas várias épocas, uma ‘identidade de misericórdia’, dirigida tanto ao corpo quanto à alma, desejando, com seu Senhor, a salvação integral da pessoa. A obra da misericórdia divina coincide, assim, com a própria ação missionária da Igreja, com a evangelização, porque nela resplandece o rosto de Deus, tal como Jesus nos mostrou”.
Sem a misericórdia do Senhor, nada seríamos. É nela que repousa a nossa esperança, pois, como ensinava São João Paulo II: “fora da misericórdia de Deus não há qualquer outra fonte de esperança para os seres humanos”.
A esperança cristã não nasce do otimismo humano nem da ausência de sofrimentos, mas da certeza de que Deus jamais abandona os seus filhos. A Divina Misericórdia nos sustenta no caminho da fé, faz-nos adentrar nas chagas gloriosas do Ressuscitado e descobrir ali o amor que vence toda desesperança.
Ao contemplarmos as chagas de Cristo, vemos face a face o amor de Deus por nós. Como recorda o Papa Francisco: “entrar nas suas chagas significa contemplar o amor sem medidas que brota do seu coração. Este é o caminho. Significa entender que o seu coração bate por mim, por ti, por cada um de nós”.
É precisamente dessa experiência da misericórdia que nasce a esperança: quem experimenta o amor de Deus já não permanece prisioneiro do medo, da dúvida ou do desânimo. Como os discípulos, somos chamados a tocar o amor do Ressuscitado para encontrar “uma paz e uma alegria mais fortes do que qualquer dúvida”.
Por isso, devemos apoiar toda a nossa vida na misericórdia do Senhor. Nunca desconfiemos da gratuidade desse amor que nos quer sempre próximos de Deus. A misericórdia exige confiança, porque o amor deseja familiaridade. O Senhor não se aproxima de nós apenas em nossos acertos, mas sobretudo em nossas fragilidades, revelando-se como um Pai que jamais abandona seus filhos.
Quanto mais reconhecemos nossa necessidade de Deus, mais compreendemos que a misericórdia não é apenas um de seus atributos, mas o palpitar do seu coração. É nela que a esperança encontra seu fundamento, pois quem experimenta o amor misericordioso de Deus aprende a recomeçar, mesmo depois das quedas, e descobre que nenhuma ferida é maior do que a graça divina.
Em meio às provações, incertezas e dramas da vida, o cristão é chamado a permanecer firme na esperança. Muitas vezes vacilamos na fé, cansamo-nos diante do sofrimento ou nos sentimos incapazes de seguir adiante. Ainda assim, a misericórdia de Deus permanece como abrigo seguro para os corações feridos.
Até mesmo a nossa fraqueza pode ser colocada nas mãos do Senhor, porque Ele jamais desiste de nós. Quem confia na misericórdia divina encontra forças para perseverar, sabendo que o amor de Deus é sempre maior do que qualquer dor, fracasso ou desânimo.
Ao contemplarmos o mistério da misericórdia divina, nosso olhar também se volta para Maria, Mãe de Misericórdia e Mãe da Esperança. Aquela que permaneceu firme nas horas de dor continua sendo refúgio seguro para os pecadores e amparo para os que vacilam no caminho da fé, como a Igreja canta em sua ladainha: Refugium peccatorum, Refúgio dos Pecadores.
Em seu coração materno, aprendemos que jamais estamos sozinhos, pois Maria sempre conduz seus filhos ao encontro da ternura de Deus. Quando o peso das quedas, das dúvidas ou dos sofrimentos parecer grande demais, recorramos à sua intercessão materna: a Mãe de Misericórdia nos recorda que nunca há pecado maior do que a graça divina, nem noite tão escura que possa apagar a esperança daqueles que confiam no Senhor.
Leia a coluna anterior:
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