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Jurani Clementino

Jurani Clementino

Jornalista, professor universitário, escritor e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

O beija-flor “Zé Droguinha”

Por Jurani Clementino
Publicado em 6 de maio de 2026 às 19:15

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Eu sempre achei que os beija-flores só tinham hábitos diurnos. Na verdade, tudo o que eu havia lido e pesquisado sobre essa pequena avezinha indefesa, dava conta de que, à noite, os beija-flores simplesmente hibernavam. Caíam em estado de sono profundo. Uma espécie de torpor, onde o coração reduzia consideravelmente os batimentos e a pequena ave mergulhava numa espécie de sono pesado. Agora, falando sério, se já é difícil a gente ver um beija-flor durante o dia, dado a sua miudeza e a sua esperteza, imagina durante a noite!
Mas quero dizer que eu tenho visto beija-flores com certa frequência, tanto durante o dia quanto durante a noite. Isso desde que, há alguns anos, cultivei um pé de algodão na minha varanda e depois, percebendo a visita discreta de algumas aves como papa capim, azulão e o próprio beija-flor, disponibilizei um recipiente com água e açúcar. Era o que eles queriam. Mas eu percebi que a noite tudo virava um silêncio profundo. As aves se isolavam em seus locais de descanso e abandonavam minha varanda.
Até que certo dia ouvi um barulho de asas batendo e uns pequenos grunhidos na janela. Pensei comigo: quem danado tá vindo aqui a essa hora!? Isso era entre nove da noite e duas da manhã. Da última vez, no domingo passado, eu estava assistindo ao show da cantora colombiana Shakira pela televisão. Naquela apresentação na praia de Copacabana no Rio de Janeiro.
Fiquei olhando pelo vidro da janela e para a minha surpresa era o beija flor, que mesmo no escuro, estava enfiando o bico no bebedouro e sugando a água adocicada. Fui atrás de saber se, por acaso, aquele era um animal com hábitos noturnos. Nenhuma das fontes consultadas dizia que os beija-flores costumavam sair à noite por aí. Todos os estudos afirmavam que eles praticamente hibernavam quando anoitecia e só retornavam a vida quando os primeiros raios de sol despontavam no horizonte.
Imaginei que fosse o composto que havia na água, o açúcar, que, por ser uma espécie de droga viciante para os humanos, talvez tivesse transformado os pobres beija-flores urbanos em dependentes químicos. Desses usuários que não se controlam mais e saem no meio da noite atrás de um pouco de combustível para repor a sua força e energia.
E fui me sentindo culpado em pensar que transformei o ingênuo beija-flor, numa espécie de Zé Droguinha que a toda hora deseja de doses de glicose no sangue. Que aproveita a hora em que todos estão dormindo e foge da casa dos pais para ir até a “boca de fumo” saciar o seu vício. Que, a medida em que a dependência fica incontrolável, passa a roubar os troços da própria residência e vender por qualquer valor, apenas o suficiente para adquirir um ilícito barato e acabar com a abstinência. Esse beija-flor anda fugindo da normalidade e rompendo o bom funcionamento do seu ecossistema.
Bom, outra coisa que tenho percebido é que os beija-flores são bastante arengueiros, encrenqueiros e, quase sempre, armam uma confusão durante a disputa pela água adocicada. Não sei se isso também tem a ver com a dependência química. Apenas vejo que eles ficam brigando, ameaçando e indo pra cima dos azulões e papa capim que também aparecem por ali com certa frequência.
Ah, esses beija-flores, – bonitinhos, mas ordinários -, não são flor que se cheiro.
P.S.: Hoje é o aniversário de 71 anos de minha mãe, Dona Fátima. Vida longa, minha rainha. Beijos e Saudades.

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