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Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
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Desde a infância, o gosto pelos estudos e a tendência para o ensino estiveram presentes em minha vida. Estudar para aprender e repassar aos outros os resultados do aprendizado fizeram e ainda fazem parte do meu cotidiano.
Ao ingressar na universidade, o interesse pelo ensino levou-me, no início do curso de graduação em Engenharia Elétrica, a aproveitar a oportunidade de ser monitor das disciplinas Física Experimental e Eletrônica Básica. Certamente, isso me motivou a tornar-me professor e a atuar como docente entre 1977 e 2021.
O interesse pelo ensino levou-me a tornar-me sócio da Associação Brasileira de Ensino de Engenharia (ABENGE), membro do Conselho Editorial da Revista de Ensino de Engenharia, participar de vários Congressos Brasileiros de Ensino de Engenharia e, também, a integrar a Câmara Superior de Ensino da UFCG.
Talvez essa longa vivência com o ensino tenha me levado a discordar de alguns dicionários que apresentam a palavra ensino como sinônimo de educação, assim como a considerar equivocada a mudança da denominação ABENGE para Associação Brasileira de Educação em Engenharia. Trata-se de uma mudança sutil que não se limitou a trocar “Ensino” por “Educação”.
O ensino, geralmente praticado em instituições formais, como escolas, universidades e centros de treinamento, refere-se à transmissão de conhecimentos e habilidades, de forma didática, por meio de conteúdos estruturados.
Por sua vez, a educação é um conceito mais abrangente, pois envolve a formação integral do indivíduo, contemplando atitudes éticas e valores, que se iniciam no âmbito familiar e prosseguem no ambiente escolar.
Em síntese, o ensino é centrado no conteúdo, no aprendizado e na aquisição de habilidades, enquanto o foco da educação é a formação do indivíduo de maneira integral.
Na prática, o ensino não deve estar centrado apenas no professor ou no aluno. No meu entendimento, o ensino deve estar centrado no processo, cujo êxito ou fracasso é de responsabilidade dos agentes envolvidos, isto é, alunos e professores.
Nas aulas centradas no processo de ensino-aprendizagem, o aluno participa ativamente, tendo a oportunidade de confrontar o seu conhecimento prévio com a abordagem trazida pelo professor que, neste contexto, atuará não apenas como expositor, mas sobretudo, como facilitador do processo.
Nesse contexto, quando o ensino é mais voltado para a educação, há um risco a ser considerado: a atuação do professor menos como formador e mais como mediador. No ensino centrado no processo, prevalece o equilíbrio, o que é desejável.
O ensino forma profissionais capazes de executar, e a educação desvinculada do ensino forma profissionais e cidadãos críticos, que pensam e discutem, mas apresentam sérias dificuldades em transformar iniciativas em realizações concretas.
Os críticos do ensino pragmático, que forma profissionais, geralmente fundamentam suas críticas citando algumas teorias pedagógicas voltadas mais à formação política-ideológica do que à capacitação técnica.
Nos dias atuais, as facilidades de acesso às informações e às chamadas infotecnologias não comportam mais modelos de ensino centrados no professor ou no estudante, tampouco metodologias dissociadas das necessidades reais da sociedade contemporânea, o que torna essa discussão ainda mais relevante.
Assim, diante das mudanças impostas pelas infotecnologias, um novo tipo de professor torna-se relevante: aquele que exerce o papel de articulador de tecnologias e de informações. Isso requer também um novo tipo de aluno, dotado de iniciativa e apto a enfrentar mudanças tecnológicas e desafios crescentes fora do ambiente acadêmico.
Se a introdução das infotecnologias nas instituições de ensino proporcionou mudanças de paradigmas, no que diz respeito à educação no ambiente familiar, os pais também enfrentam desafios com relação aos filhos e netos, tais como:
O acesso precoce e excessivo às telas e a conteúdos inadequados para a idade das crianças;
O isolamento ou a redução de interação com os membros das famílias, caracterizado pela priorização das telas em vez do convívio social presencial;
A dificuldade de supervisão e acompanhamento familiar, pois os filhos dominam a infotecnologia com mais rapidez;
A dependência digital e a exposição a golpes;
Os riscos à segurança e a privacidade;
A perda da autoridade para impor limites, gerando conflitos entre a proibição e o diálogo.
Dessa forma, ao longo de minha trajetória docente e também como pai e avô, compreendi que ensino e educação, embora frequentemente tratados como sinônimos, podem ser compreendidos como dimensões complementares de um mesmo desafio.
O ensino sem educação pode produzir profissionais tecnicamente competentes, porém destituídos de sensibilidade ética e compromisso social; por outro lado, a educação dissociada do ensino corre o risco de formar indivíduos incapazes de transformar ideias em realizações concretas.
Atualmente, convivemos em uma sociedade profundamente marcada pelas infotecnologias, pelas mudanças de paradigma e pela fragilidade das relações humanas. Diante dessa realidade, torna-se indispensável preservar o equilíbrio entre conhecimento, valores e ação.
Talvez resida exatamente aí a missão maior das instituições de ensino e da família: formar seres humanos capazes de pensar criticamente sobre o mundo, mas, sobretudo, de agir sobre ele com competência, discernimento, ética e responsabilidade.
Leia a coluna anterior:
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