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O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.
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Em todas as épocas sempre predominou no mundo o imperialismo de uma determinada nação, que por sua pujança em todos os sentidos estabeleceu domínio sobre as outras nações. As nações que dominaram a Terra na Antiguidade foram o Egito, de 1600 a 782 AC, pelo período de 818 anos. Foi sucedido pela Assíria, que dominou o mundo de 782 a 607 AC, por 175 anos. Veio a seguir a Babilônia, de 607 a 539 AC, pelo período de 68 anos. Após este a Pérsia, de 539 a 332 AC, perfazendo 207 anos.
O penúltimo domínio na Antiguidade foi da Grécia. O domínio grego perdurou de 332 a 63 AC, num total de 269 anos. Seguiu-se-lhe Roma, último domínio que ultrapassando esse período da História da Humanidade, adentrou na era cristã. Seu período de dominação foi de 63 AC a 589 DC, contabilizando 652 anos. Veio em seguida a Inglaterra, tendo o domínio britânico se efetivado por 1.356 anos, de 589 a 1945. Com a Segunda Guerra Mundial o domínio britânico cedeu lugar aos Estados Unidos da América do Norte, que comanda desde 1945 aos dias atuais. São, pois, 80 anos de dominação.
Como assim demonstrado, são ciclos de dominação que se sucedem, perpetuando-se na história a temporariedade de poder político e econômico das nações. Na vida tudo tem começo e fim, tudo dá lugar ao novo numa regeneração permanente. E pelo que se pressente, parece ter chegado a vez dos Estados Unidos ceder seu espaço, haja vista a nebulosidade do seu futuro ameaçado com o isolamento da economia a que se propõe realizar o governo americano.
Nenhum país pode subsistir se sua economia não for aberta. Todas não são capazes de produzir tudo que necessitam, realidade que leva forçosamente ao comércio internacional, estabelecendo-se déficits ou superávits nas balanças comerciais. Garantir que o comércio internacional ocorra de forma mais livre e previsível possível, é função da Organização Mundial do Comércio, porém, ela perdeu sua funcionalidade ante a política tarifária que o governo americano está impondo ao resto do mundo.
São objetivos da Organização Mundial do Comércio negociar a redução ou mesmo eliminar práticas protecionistas que possam representar obstáculos ao comércio internacional, garantir a transparência de acordos internacionais, desenvolver normas e regras de comércio internacional, entre outros. Os americanos destruíram a ordem comercial internacional, ordem que eles próprios foram responsáveis por sua constituição. Declarada a guerra comercial, defender-se-ão os países com as armas que dispõem, porém, não ficarão a reboque dos exclusivos interesses americanos.
O que o governo americano quer é proteger suas indústrias, porém, o preço a pagar será deveras alto, tanto político quanto econômico. As bolsas de valores estão em queda, o dólar está se desvalorizando, a inflação global haverá de se elevar, a recessão deverá se estabelecer na economia americana, o desemprego crescerá, os fluxos de investimentos mudarão, novos mercados serão demandados, poderá ocorrer estagflação, ou seja, estagnação da economia acompanhada de inflação. O freio de arrumação trumpista é por demais perigoso. O “dia da libertação econômica” propugnado pelo presidente Donald Trump poderá fazer do sonho americano um pesadelo.
Os Estados Unidos perderam a credibilidade mundial. As normas e regras do comércio internacional foram totalmente desrespeitadas. Todos os países estão reagindo e, provavelmente, a criação de nova ordem geopolítica-econômica mundial poderá advir como resultado desse desastroso comportamento. O surgimento de liderança de uma outra nação apresenta-se plenamente viável e o domínio americano de 80 anos tenderá ao adormecimento. A história acima de dominação mundial segue o seu curso.
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
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