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O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.
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Se há uma eleição presidencial mais sem substância neste país é esta de 2026. Uma eleição em que os eleitores foram ao primeiro turno sem uma consciência formada à falta de debates entre os candidatos à presidência da República. Os candidatos não participaram de debates programados pelas emissoras de televisão, deixando os eleitores num limbo eleitoral por desconhecimento total de suas propostas.
Ao debate final que seria realizado compareceram os candidatos de menor expressão eleitoral, a ele se furtando de última hora os dois candidatos que agora se defrontam no segundo turno. O resultado não poderia ter sido outro e com razões justificadoras, o cancelamento do próprio debate. Em conclusão, os eleitores votaram às cegas no primeiro turno.
Para este segundo turno as emissoras estão com a programação de quatro debates, um dos quais já não ocorreu por ausência de confirmação de presença por parte de ambos os candidatos. Diante disso, tudo faz crer agora que os outros não acontecerão, o que deixará mais uma vez os eleitores às tontas, sem uma definição consciente de escolha do seu voto. Já se anuncia a realização de entrevistas individuais dos candidatos, que não substituem o debate ao vivo.
Esses debates são oportunidades para que os candidatos apresentem suas propostas, respondam a questionamentos e confrontem as posições dos adversários diante do eleitorado. O não comparecimento dos candidatos aos debates pode parecer até estratégico, porém, absolutamente desrespeitoso para com os eleitores. Estes estão sendo empurrados às urnas para votarem sem conhecimento verdadeiro da realidade política, como um bando de animais que são levados pelo pastor a beber água, apenas porque eles estão com sede.
É bastante visível que não interessa aos dois candidatos o confronto pessoal ante as câmeras de televisão, – basta saber que até o momento nenhum deles confirmou presença às emissoras responsáveis pela organização e realização dos debates -, situação que denota ainda hoje as antigas práticas dos coronéis que conduziam seus “eleitores de cabresto” às urnas no dia da eleição, com o controle dos títulos eleitorais em suas mãos.
Contentando-se na produção de notícias, de áudios, de vídeos e sua circulação pela internet, através dos quais os ataques pessoais e as falsas notícias ganham volume, tornando as campanhas uma estrondosa baixaria, que desqualificam os próprios autores, tornam-se os eleitores meros espectadores da passagem das caravanas, às quais acenam mediante suas simpatias e emoções, sem bases lógicas e racionais para o voto consciente e construtor de um futuro venturoso do país, consentâneo com as imagens de um país livre, igualitário e fraterno, que sempre deverá ser o nosso Brasil.
Que os dois candidatos, para serem honestos com o eleitorado brasileiro, se enfrentem com respeito mútuo, debatendo a realidade nacional e discutindo suas propostas, afastando-se dos ataques pessoais e das mentiras, dando a cada eleitor o direito de escolha consciente do voto, para a maior grandeza do Brasil.
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