O que você procura?

Fechar

Blogs e Colunas

Dom Delson

Dom Delson

Arcebispo Metropolitano da Paraíba.

A missão tem o rosto de Cristo!

Por Dom Delson
Publicado em 17 de outubro de 2026 às 15:30

Continua depois da publicidade

Vivemos em um tempo marcado por profundas transformações culturais, conflitos de ideias e crescentes dificuldades nas relações humanas.

Em meio a tantas vozes que disputam a atenção e o coração das pessoas, torna-se cada vez mais necessário redescobrir aquilo que verdadeiramente dá sentido à existência.

O ser humano, apesar de todos os avanços da ciência e da tecnologia, continua carregando perguntas fundamentais: para que viver? Onde encontrar a verdade? Como construir uma sociedade mais justa e fraterna?

A fé cristã não ignora essas inquietações, mas apresenta ao mundo uma resposta que atravessa os séculos: Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

A missão da Igreja nasce precisamente dessa certeza. Não anunciamos uma ideologia, um projeto de poder ou simplesmente um conjunto de valores morais. Anunciamos uma Pessoa, cujo amor é capaz de renovar a existência humana.

O brilho da missão cristã não está no prestígio de suas instituições nem na força de sua influência social, mas na capacidade de tornar presente, no coração do mundo, a beleza transformadora do Evangelho.

Uma Igreja verdadeiramente missionária não procura colocar a si mesma no centro, mas conduzir a humanidade ao encontro com Jesus Cristo.

O Evangelho de Lucas nos recorda que o Senhor escolheu setenta e dois discípulos e os enviou, dois a dois, às cidades e aos lugares aonde Ele próprio deveria ir. Antes de partirem, ouviram uma recomendação que permanece atual: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita” (Lc 10,2).

Essa passagem revela que a missão não é uma atividade reservada a alguns cristãos particularmente dedicados. Ela pertence à própria identidade de todos os batizados. Quem verdadeiramente encontrou Cristo não pode guardar para si a alegria desse encontro.

Entretanto, anunciar o Evangelho em nossos dias exige mais do que entusiasmo. É necessário possuir raízes profundas na fé e maturidade para discernir os desafios de uma cultura frequentemente marcada pelo individualismo e pelo relativismo.

O Papa Bento XVI, ao refletir sobre a chamada ditadura do relativismo, advertia sobre o perigo de uma sociedade que não reconhece nada como definitivo e transforma o próprio eu e os seus desejos na medida última de todas as coisas.

Em contraposição, apresentava Jesus Cristo como a verdadeira medida do humanismo e recordava que a maturidade cristã nasce de uma amizade profunda com Ele.

Essa reflexão continua particularmente necessária. Quando o ser humano se coloca como critério absoluto da verdade, corre o risco de reduzir a liberdade à satisfação dos próprios interesses e de transformar as relações humanas em disputas permanentes.

Cristo, ao contrário, revela que a grandeza da pessoa está na capacidade de amar, servir e reconhecer a dignidade do outro.

O Evangelho não diminui a humanidade; antes, permite que ela descubra sua vocação mais elevada. Quanto mais nos aproximamos de Cristo, mais profundamente compreendemos o valor da vida humana.

Por isso, a missão cristã não pode ser confundida com a defesa incondicional dos sistemas políticos, das tendências culturais ou dos interesses dos poderosos deste mundo.

A Igreja não existe para reproduzir as divisões da sociedade, mas para anunciar uma verdade que ilumina e interpela todas as realidades humanas. Sua fidelidade ao Evangelho exige coragem para defender a justiça, a dignidade da vida, a solidariedade e a paz, mesmo quando essas convicções não encontram os aplausos da opinião pública.

O discípulo de Jesus não é chamado a seguir simplesmente as ondas de cada época, mas a testemunhar, em cada época, a novidade permanente de Cristo.

Nesse horizonte, ganha especial significado o apelo do Papa Leão XIV para que sejamos construtores de pontes por meio do diálogo e do encontro. Em um mundo ferido por guerras, polarizações e até mesmo pelas intermináveis batalhas de narrativas, a missão cristã precisa manifestar sua capacidade de aproximar pessoas, superar hostilidades e abrir caminhos de reconciliação.

Construir pontes não significa renunciar à verdade, mas testemunhá-la com a caridade que nasce do próprio coração de Cristo. Não há autêntica evangelização onde o anúncio de Deus se separa do amor concreto pelos irmãos.

A Boa Nova nos impulsiona a sair de nossas seguranças e a reconhecer que existem inúmeras pessoas esperando não somente uma palavra sobre Deus, mas a experiência de um amor que acolhe, escuta e transforma.

A missão começa quando deixamos de perguntar apenas o que o mundo pode oferecer à Igreja e passamos a perguntar como a Igreja pode servir melhor ao mundo, sem deixar de anunciar Jesus Cristo.

O Filho de Deus continua sendo a nossa medida! Nele encontramos a verdade que não oprime, a liberdade que não escraviza e o amor que não exclui. É a partir dessa medida que podemos colaborar na construção de uma sociedade mais humana, na qual as diferenças não se transformem necessariamente em inimizades e a busca pela justiça não seja separada da misericórdia.

O cristianismo não oferece uma fuga da realidade, mas uma maneira nova de habitá-la, com os olhos e o coração iluminados pelo Evangelho.

Peçamos à Virgem Maria, primeira discípula e mulher inteiramente disponível à vontade de Deus, que nos ensine a acolher e a anunciar seu Filho com generosidade.

Que nossas comunidades redescubram a alegria de uma fé que não se acomoda, de uma esperança que não desiste e de uma caridade que não estabelece fronteiras para amar. Afinal, o verdadeiro brilho da missão não consiste em fazer a Igreja aparecer diante do mundo, mas em permitir que, por meio dela, o mundo reconheça a presença e o amor de Jesus Cristo.

Leia também:

Na carne de Maria, o amor de Deus atravessou a nossa história

 

Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.

Valorize o jornalismo profissional e compartilhe informação de qualidade!

Continua depois da publicidade

ParaibaOnline

© 2003 - 2026 - ParaibaOnline - Rainha Publicidade e Propaganda Ltda - Todos os direitos reservados.

ParaibaOnline | Notícias de João Pessoa e Campina Grande Sra. Caixas | Caixas de papelão em Campina Grande Eticar Baterias | Baterias para Carros e Motos em Campina Grande e João Pessoa Sindilojas Campina Grande Sincopeças Paraíba Edmaq Equipamentos | Equipamentos paras Bares e Restaurantes em Campina Grande VLD DIstribuidora e Varejista de Peças para Caminhões Volvo na Paraíba Voldiesel Paraíba | Truck Center especializado em Caminhões Volvo na Paraíba Stancanelli Transportes | Transportadora de Cargas de São Paulo para toda a Paraíba Victor Rodrigues Negócios Digitais | Consultoria para empresas que querem vender no digital BeeCube Tecnologia e Publicidade | Presença Digital, Google, SEO e Site Arimatéa Souza | Coluna Aparte, comentários e bastidores da política da Paraíba ParaibaOnline | Notícias de João Pessoa e Campina Grande Eticar Baterias | Baterias para Carros e Motos em Campina Grande e João Pessoa Joseane Muniz Brandão | Empresária e Presidente do Sincopeças Paraíba Sincopeças Paraíba Edmaq Equipamentos | Equipamentos paras Bares e Restaurantes em Campina Grande VLD DIstribuidora e Varejista de Peças para Caminhões Volvo na Paraíba Voldiesel Paraíba | Oficina especializada em Caminhões Volvo na Paraíba