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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
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Na Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, o Brasil se reúne aos pés da Mãe de Jesus. Levamos a ela nossas alegrias e angústias, as dores de nossas famílias, as esperanças de nosso povo e os muitos sinais de cansaço que marcam o coração humano. Maria nos acolhe como Mãe e, com ternura, conduz cada um de nós ao encontro de seu Filho.
Ao contemplarmos Nossa Senhora, somos convidados a compreender onde está a verdadeira beleza da vida. Não se trata de esconder as marcas do tempo, as fragilidades ou as feridas que carregamos. A beleza mais profunda nasce quando a nossa história é atravessada pelo amor de Deus.
Na homilia da Solenidade da Assunção, em agosto deste ano, o Papa Leão XIV recordou que a glorificação de Maria, em corpo e alma, nos ensina que a verdadeira beleza não está em esconder os sinais da passagem do tempo, mas em deixar aparecer, também em nossa carne, os sinais do amor que não tem fim.
É uma luz preciosa para contemplarmos a Mãe Aparecida: nela, toda a humanidade encontra-se acolhida, iluminada e conduzida para Deus.
Na carne de Maria, que gerou Jesus, que O sustentou nos braços, que caminhou com Ele e permaneceu de pé junto à cruz, vemos os sinais de uma vida inteiramente oferecida ao Senhor. Ela não viveu distante das dores humanas, mas permitiu que cada alegria e cada prova fossem transformadas em fidelidade.
Por isso, nela resplandece a beleza de uma existência marcada pela entrega de todos os dias.
Maria não teve uma vida sem dores. Conheceu a incompreensão, a insegurança, a fuga, a pobreza, a separação e a dor dilacerante de contemplar o Filho crucificado. Mas nenhuma dessas marcas foi inútil.
Em sua carne e em seu coração, a graça transformou a dor em entrega, o silêncio em escuta e a prova em esperança. Por isso, Maria nos ensina que a vida não se mede pela ausência de feridas, mas pelo amor com que aprendemos a carregá-las diante de Deus.
Ao lado de Maria, aprendemos também a reconhecer o valor dos gestos simples e escondidos.
Em Nazaré, ela viveu o cotidiano da casa, do trabalho, da oração e do cuidado; em Caná, percebeu a necessidade antes mesmo que lhe fosse apresentada; no Calvário, permaneceu quando tantos se afastaram. Sua santidade não se fez de aparências, mas de uma disponibilidade inteira à vontade de Deus. É nessa fidelidade concreta que sua beleza se torna próxima de nós.
A imagem encontrada nas águas do Rio Paraíba do Sul recorda ainda que Deus escolhe o que é pequeno e aparentemente frágil para manifestar a força de sua graça.
A Mãe Aparecida, de rosto negro, fala ao coração de um povo tantas vezes ferido pela exclusão e pelo preconceito. Diante dela, ninguém deveria sentir-se invisível ou sem valor: todos são filhos amados, chamados a encontrar na Igreja uma casa de acolhida, dignidade e esperança. A Igreja é uma tenda que acolhe a todos os filhos de Deus.
É também assim que nasce a missão da Igreja. A missão não é uma propaganda religiosa, nem uma tarefa distante da realidade. Ela acontece quando cristãos e cristãs levam aos irmãos os sinais concretos do amor que não tem fim: uma palavra de consolo, uma escuta sincera, um gesto de perdão, a defesa da dignidade humana, a proximidade com os pobres e a coragem de não abandonar quem sofre.
Olhar para a Mãe Aparecida é recordar que Deus se aproxima de seu povo e que o amor pode deixar marcas visíveis na história. Como Maria, somos chamados a acolher Cristo e levá-Lo ao mundo. Onde houver sofrimento, que haja uma presença que console; onde houver divisão, que haja mãos que reconstruam; onde houver medo, que haja cristãos capazes de testemunhar esperança.
Ó Mãe Aparecida, ajudai-nos a não esconder as feridas de nossa humanidade, mas a permitir que nelas se manifestem os sinais luminosos do amor de Deus. Formai em nós um coração semelhante ao vosso: fiel, disponível, compassivo e missionário. Amém.
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