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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
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A parábola das dez jovens (Mt 25,1-13) apresenta a vida cristã como uma espera pelo encontro definitivo com Cristo. Todas receberam lâmpadas, saíram ao encontro do noivo e adormeceram.
A diferença estava no óleo: cinco se prepararam para sustentar a chama; as outras permaneceram somente com a lâmpada. Jesus ensina que não basta começar a caminhada da fé: é preciso perseverar e manter acesa a luz do Evangelho nas estradas do mundo.
As jovens saíram ao encontro do noivo. A existência humana, portanto, não é uma caminhada sem destino: fomos criados para o encontro com Deus. A lâmpada representa a fé recebida no Batismo, mas carregá-la não significa necessariamente mantê-la acesa. Podemos conservar os sinais exteriores da religião e, interiormente, permanecer distantes do Senhor e do seu amor.
A fé precisa tornar-se relação viva com Cristo e presença luminosa na sociedade. O cristão é chamado a iluminar as trevas da mentira, da injustiça, da violência e da indiferença. Leão XIV recorda que a esperança na cidade de Deus nos compromete com as cidades dos homens.
Esperar a eternidade não significa abandonar o mundo, mas trabalhar para torná-lo mais humano, justo e fraterno. Sem amor, porém, não podemos assumir nosso lugar missionário nas estradas do mundo. Não anunciamos a nós mesmos, nossas opiniões ou preferências, mas Jesus Cristo e sua salvação.
O Papa Francisco ensinava que a fé nos permite “ver o mundo com os olhos e o coração de Deus”. Por isso, devemos evangelizar com o olhar amoroso do Senhor, sem condenações ou pretensões de superioridade.
As jovens previdentes levaram óleo para sustentar suas lâmpadas. Esse óleo representa a oração, a Palavra de Deus, os sacramentos, a caridade, a conversão e a fidelidade cotidiana.
Não basta ter recebido a fé; é preciso cultivá-la. Podemos ajudar uns aos outros, mas ninguém pode substituir nossa resposta pessoal a Deus nem nos emprestar uma vida interior que nunca construímos.
Também na sociedade precisamos desse óleo. Boas intenções e discursos não bastam para transformar o mundo. É necessário formar a consciência, conhecer a realidade e agir com responsabilidade. Uma sociedade se sustenta pela honestidade de seus cidadãos, pela seriedade das instituições e pelo compromisso com os mais vulneráveis.
O noivo demorou, e todas as jovens adormeceram. A diferença não estava em permanecer fisicamente acordado, mas em estar preparado. A vigilância cristã não consiste em viver assustado com o fim do mundo, mas em permanecer fiel quando Deus parece demorar e o bem realizado não produz resultados imediatos.
Existem momentos em que a injustiça parece vencer, a mentira parece dominar e a fidelidade parece inútil. É justamente nesse tempo que a esperança é provada. O óleo é a perseverança silenciosa daqueles que continuam praticando o bem. Educar, acolher, defender a vida em todas as suas fases, combater a pobreza e promover a paz exigem tempo. Quem espera o Noivo não cruza os braços, mas assume com responsabilidade seu lugar na história.
“Eis o noivo! Ide ao seu encontro!” O grito da meia-noite recorda que chegará o momento em que cada pessoa será colocada diante da verdade de sua vida. A porta fechada não revela um Deus sem misericórdia, mas a seriedade de nossas escolhas. As jovens imprevidentes chamaram: “Senhor! Senhor!”, mas ouviram: “Não vos conheço”.
Não basta pronunciar o nome de Deus sem viver em comunhão com Ele. Cristo deseja reconhecer em nós os frutos de sua graça: a fé vivida, o amor oferecido e o bem praticado.
Leão XIV afirma: “É hoje – não amanhã – que é preciso converter-se”. Enquanto a porta permanece aberta, podemos renovar o óleo e reacender a lâmpada. Vigiar é viver o presente à luz da eternidade, mantendo o coração voltado para Deus e os olhos atentos às dores dos irmãos.
A pergunta da parábola não é apenas quando o Noivo chegará, mas como encontrará nosso coração. Teremos somente a lâmpada exterior ou também o óleo de uma fé alimentada pela graça e transformada em amor? A lâmpada da fé permanece verdadeiramente acesa quando ilumina nossa caminhada e também as estradas do mundo.
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