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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
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Neste domingo, celebramos a Solenidade de Todos os Santos e recordamos que Deus nos chama à santidade.
A vida ganha beleza e sentido não porque tudo seja fácil ou perfeito, mas porque cada pessoa é amada por Deus, tem uma vocação e é chamada a participar de algo maior. Como afirma o apóstolo Paulo, fomos chamados a participar “da herança dos santos na luz” (Cl 1,12).
O Papa Leão XIV expressa essa beleza ao dizer: “A vida ilumina-se não porque somos ricos, bonitos ou poderosos. Ela ilumina-se quando uma pessoa descobre dentro de si esta verdade: sou chamado por Deus, tenho uma vocação, tenho uma missão, a minha vida serve para algo maior que eu próprio! Cada criatura tem uma função a desempenhar.” Nossa vida ganha sentido quando descobrimos que Deus nos chama pelo nome e nos convida a responder ao seu amor no cotidiano: na família, no trabalho, no serviço aos outros e nas escolhas que fazemos.
A santidade, oferecida a todos, não é um distintivo que nos separa dos demais nem uma conquista reservada a poucas pessoas. Também não significa nunca falhar ou não enfrentar dificuldades.
É um dom de Deus e um caminho de conversão, no qual aprendemos, pouco a pouco, a amar como Cristo. No Batismo, recebemos esse chamado a viver como filhos e filhas de Deus e a crescer na comunhão com Ele.
Por isso, o livro do Apocalipse anuncia uma multidão incontável, de todos os povos e línguas, diante do trono e do Cordeiro, proclamando: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro” (Ap 7,9-10). Essa visão nos recorda que Deus chama pessoas de todas as condições e histórias. Cada uma pode responder a esse chamado de maneira única.
As bem-aventuranças revelam o caminho da santidade e o rosto do próprio Jesus: pobre em espírito, manso, misericordioso, puro de coração, promotor da paz e fiel à justiça, mesmo diante das perseguições.
Como discípulos de Cristo, somos chamados a nos deixar configurar por Ele ao longo de nossa peregrinação. Assim, a vocação à santidade transforma os gestos simples, as escolhas e os encontros de cada dia: manifesta-se na paciência, no perdão, na fidelidade ao bem e na atenção a quem precisa.
A Solenidade de Todos os Santos está próxima da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. Essa proximidade nos recorda a comunhão que une a Igreja peregrina, aqueles que passam pela purificação e os santos que já contemplam Deus.
Confiamos nossos falecidos à misericórdia divina e rezamos por eles, enquanto aguardamos a plenitude da vida eterna. O sofrimento e o mal não terão a última palavra: o amor de Deus é maior do que tudo o que nos aflige, e um dia Ele reunirá toda a sua família, quando já não haverá choro nem sofrimento.
Essa esperança nos ajuda a atravessar a saudade. Na homilia de início de seu pontificado, Bento XVI afirmou: “Quem crê, nunca está sozinho nem na vida nem na morte.” A fé não apaga a dor da separação, mas nos lembra que pertencemos a uma comunhão que a morte não destrói: Cristo permanece conosco e nos reúne no amor de Deus.
O caminho da santidade, portanto, não é percorrido sozinho. Somos acompanhados por Cristo, sustentados pela oração da Igreja e inspirados pelo testemunho dos santos. Celebrar Todos os Santos e rezar pelos fiéis defuntos é reconhecer que nossa história está nas mãos de Deus e que, em Cristo, a vida caminha para a plenitude da ressurreição. Somos chamados a algo maior: viver no amor de Deus e caminhar, com esperança, ao encontro dele.
Amanhã, no Dia de Finados, rezemos por nossos entes queridos que já partiram. Peçamos ao Senhor que os acolha em sua misericórdia, perdoe seus pecados e lhes conceda a vida eterna.
Que Nossa Senhora nos ajude a reconhecer a beleza da vida e a responder, com confiança, ao chamado de Deus: sermos santos e vivermos para algo maior do que nós mesmos.
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