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Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
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Em 2011, o escritor Braulio Tavares publicou o livro A nuvem de hoje, lançado pela Editora da Universidade Estadual da Paraíba. Segundo o próprio autor, o título do referido livro faz alusão ao fato de que artigos de jornal são como nuvens, visíveis a todos, mas passageiras.
Assim, também considero como nuvens transitórias os textos semanais publicados na minha coluna no blog ParaibaOnline desde 2017.
Antes de me tornar colaborador do ParaibaOnline, lancei nuvens sobre diferentes temas em jornais impressos paraibanos, entre eles: Diário da Borborema (1985 a 2009), Jornal da Paraíba (1987 a 2009), Gazeta do Sertão (1988), Correio da Paraíba (1993 e 1998), A União (1999 e 2001) e Jornal do Instituto Histórico de Campina Grande (2014 a 2026).
Quando criança, observar as nuvens no céu era algo de que eu gostava nas tardes de verão, quando o vento soprava leve e o calor do sol era mais ameno.
De vez em quando, aproveitando que a sombra da casa onde morava se projetava sobre a calçada, eu me deitava sobre ela e ficava a observar o movimento das nuvens, as imagens por elas formadas e o trajeto dos aviões lá no alto.
Tudo aquilo era motivo de divagações infantis. De que seriam feitas as nuvens? Vistas da terra, elas pareciam flocos de algodão. Mas, de onde elas se originavam? Para onde iriam depois que passavam sobre o céu de Campina Grande? E aquele avião voando tão alto, de onde ele viria e qual seria o seu destino?
Parte dessas curiosidades se dissipou quando viajei de avião pela primeira vez e tive a oportunidade de ver as nuvens através do vidro da janela.
A origem e o processo de formação das nuvens eu aprendi nas aulas de Ciências. Porém, outras dúvidas permaneciam na minha mente de criança e eu tinha vergonha de perguntar: qual seria o cheiro das nuvens? Elas teriam gosto?
Cientificamente, não podemos afirmar que uma nuvem tenha um cheiro marcante; porém, poeticamente, ela pode ter todos os cheiros e gostos que a imaginação quiser lhe dar.
Como a nuvem é formada por gotículas de água, vapor d’água ou cristais de gelo suspensos no ar, ela pode carregar consigo substâncias voláteis, provenientes do solo, da vegetação, do mar, da poluição, de microrganismos ou de outras fontes. Desse modo, ela pode trazer consigo cheiros memoriais.
Foi refletindo sobre esses fatos que me vieram à mente os versos de abertura da canção Somos quem podemos ser, lançada pelo grupo Engenheiros do Hawaii, em 1988: “Um dia me disseram/Que as nuvens não eram de algodão…”. Pois foi exatamente isso que imaginei quando, na infância, vi, pela primeira vez, como era produzido o algodão-doce.
Porém, o que mais me surpreendeu foi a resposta dada pelo meu neto quando minha filha perguntou a ele:
— João, meu filho, a nuvem tem gosto de quê?
Ao que ele respondeu prontamente:
— Ela tem gosto de sorvete!
Quando esse diálogo ocorreu, João tinha por volta de 3 anos de idade. Será que nos dias atuais, já próximo da adolescência, ele ainda guarda esse fato na memória?
Leia a coluna anterior:
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
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