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Jornalista, Pós-Graduada em Comunicação Educacional, Gerente de Negócios das marcas Natura e Avon.
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Existem palavras que ferem, que humilham, que quando lançadas de maneira irresponsável podem atingir aquilo que uma pessoa levou uma vida inteira para construir: sua honra, sua reputação e sua dignidade.
É impossível permanecer indiferente diante de uma situação em que um professor, alguém cuja missão está entre as mais nobres que existem, é colocado sob suspeita por aquilo que deveria ser reconhecido como virtude: ser gentil, acolhedor, educado, respeitoso e humano.
E aqui começa a minha indignação: Existe algo muito errado quando a cordialidade passa a ser vista com desconfiança, quando a gentileza precisa ser acompanhada de medo e quando pessoas de bem começam a pensar duas vezes antes de sorrir, elogiar, acolher ou simplesmente tratar alguém com educação.
Que sociedade estamos construindo? O professor ocupa um lugar que deveria ser de absoluto respeito. Antes de existir o médico, o advogado, o engenheiro, o juiz, o empresário, o jornalista, o cientista ou qualquer outra profissão, existe alguém que ensinou. Toda profissão, diretamente, passa pelas mãos de um professor. É ele quem alfabetiza, desperta talentos, estimula perguntas, abre caminhos, ensina a pensar e, muitas vezes, enxerga potencial onde o próprio aluno ainda não consegue enxergar.
O professor é aquele que ajuda a formar todas as outras profissões. Por isso, quando um professor é injustamente exposto, não estamos diante apenas de uma questão pessoal. Estamos diante de algo que deveria provocar reflexão em toda a sociedade. É claro que denúncias precisam ser respeitadas e que, caso qualquer pessoa que se sinta constrangida, desrespeitada ou vítima de uma conduta inadequada deve ter o direito de falar, procurar ajuda e buscar os meios necessários para ser ouvida.
Mas existe uma diferença enorme entre relatar uma experiência e transformar uma percepção individual e equivocada em condenação.
Uma coisa é dizer: “Eu me senti desconfortável diante de determinada situação” Outra, completamente diferente, é transformar essa sensação em uma acusação categórica, espalhá-la, permitir que terceiros a reproduzam e, antes de qualquer apuração, transformar alguém em culpado aos olhos de todos.
Uma acusação não é uma sentença, assim como uma percepção não é necessariamente um fato, uma interpretação não é uma prova e narrativas repetidas muitas vezes não se transformam em verdade simplesmente porque encontrou eco ou malícia de quem queira nela acreditar.
Vivemos tempos perigosos para a reputação alheia. Tempos em que uma palavra pode viajar pelas redes sociais em segundos, enquanto a verdade, muitas vezes, precisa de tempo para ser apurada.
Um comentário pode destruir em minutos aquilo que décadas de trabalho construíram. E quem fica com a conta? Claro que é aquele que foi acusado.
Resta o sofrimento de quem teve seu nome colocado em dúvida, que precisou explicar o que não fez, que precisa reconstruir, diante dos outros, uma imagem que nunca deveria ter sido maculada.
E há uma crueldade ainda maior: os julgadores de ocasião. Aqueles que nada sabem sobre os fatos, não ouviram os dois lados, não conhecem a história, não estavam presentes, mas rapidamente assumem o papel de juízes cruéis. Julgam, condenam, atiram pedras, depois seguem suas vidas como se não houvesse um ser humano e uma família do outro lado.
Isso é uma forma de violência, já que uma pessoa pode perder oportunidades, credibilidade, reputação, relações, tranquilidade e até a confiança em si mesma.
Fico imaginando as noites longas, os dias compridos e a indagação principal repetida ciclicamente: “Como provar que não fiz aquilo que estão dizendo?”
E essa é uma das maiores perversidades de uma acusação injusta: exigir do acusado que prove uma inocência que deveria ser presumida.
No Brasil, honra, imagem e dignidade são bens juridicamente protegidos. O ordenamento jurídico prevê consequências para determinadas condutas contra a honra e também admite responsabilização civil quando há danos. Mas, antes mesmo da Justiça dos tribunais, existe uma Justiça que deveria funcionar dentro de cada um de nós: a consciência. Antes de falar, investigar, antes de compartilhar, verificar, antes de condenar, ouvir, antes de destruir, pensar, visto que reputação não se constrói em um dia. Ela é construída lentamente, com trabalho, comportamento, escolhas e coerência e pode ser destruída em poucos minutos.
É preciso ter coragem para denunciar quando existe uma violência real, mas também é preciso ter coragem para reconhecer quando estamos diante de uma interpretação, de um equívoco ou de uma acusação sem fundamento.
Proteger vítimas é necessário. Proteger inocentes também. Uma coisa não pode existir em oposição à outra. Não podemos combater comportamentos abusivos criando uma sociedade onde todo gesto de gentileza seja tratado como suspeita.
Educação não é assédio, respeito não é assédio, cordialidade não é assédio, um elogio respeitoso não é uma violência. É preciso analisar contexto, intenção, comportamento, fatos, ter bom senso, responsabilidade e acima de tudo, é preciso NÃO perder a humanidade.
Infelizmente chegamos a um ponto em que algumas pessoas estão sendo ensinadas a desconfiar até da própria gentileza: o homem precisa pensar antes de elogiar, a mulher precisa pensar antes de acolher, o professor precisa medir cada palavra, o colega precisa calcular cada aproximação, e assim vamos construindo uma sociedade emocionalmente assustada, onde pessoas de caráter começam a se proteger sendo menos humanas.
Não pode ser esse o caminho. A sociedade precisa de limites, mas também precisa de equilíbrio, precisa ouvir denúncias, mas precisa investigar. Precisa proteger quem realmente sofre, mas também precisa impedir que inocentes sejam destruídos por acusações irresponsáveis. Justiça não é escolher antecipadamente quem é o culpado e depois procurar argumentos para justificar a condenação: Justiça é buscar a verdade.
Precisamos ter atenção a pergunta mais importante diante de qualquer acusação para que não seja: “Quem está dizendo?” e sim, “O que realmente aconteceu?”
É nesse ponto que volto ao professor que entra em uma sala de aula carregando muito mais do que livros, conteúdos e responsabilidades acadêmicas. Ele carrega a missão de formar pessoas, de ensinar, inspirar. É ele quem prepara profissionais que amanhã estarão cuidando de nossas vidas, construindo nossas casas, administrando nossas empresas, defendendo nossos direitos, pesquisando novas soluções e ocupando os mais diversos espaços da sociedade.
Todas as profissões precisam do professor: Por isso, atacar injustamente a honra de um professor é também atingir simbolicamente uma das instituições mais importantes da nossa sociedade: a educação.
Finalizo dedicando esta coluna ao professor da UFCG e Diácono Antonio Lisboa, não para transformá-lo em personagem de uma disputa, mas para registrar uma indignação diante de algo que considero profundamente injusto: quando características como gentileza, acolhimento, educação, respeito e firmeza passam a ser interpretadas sob o olhar da malícia. Registro meu respeito e solidariedade por este homem admirável que tanto admiro.
Que ele não seja julgado por aquilo que alguém imaginou, que seja respeitado por aquilo que efetivamente fez, que os fatos tenham mais força do que as versões, que a verdade tenha mais espaço do que os julgamentos e que nunca nos esqueçamos de que, a vítima desta acusação é um pai de família, um marido, um filho, uma pessoa com história belíssima, uma reputação construída em anos de vida, um homem temente a Deus, que os serve com obediência a sua igreja e a sua família tão bem estruturada.
A história da humanidade já tem nos ensinado, tantas vezes, que pessoas podem ser julgadas injustamente, justamente por aqueles que acreditam ter certeza do que nem viu. Até Jesus Cristo foi julgado, condenado e crucificado.
Não digo isso para comparar pessoas ou acontecimentos, mas para lembrar uma verdade que atravessa os séculos: ser acusado não significa ser culpado e julgar sem conhecer a verdade não nos torna justos, apenas nos torna parte da injustiça.
Que tenhamos mais responsabilidade com aquilo que dizemos, mais prudência com aquilo que compartilhamos, mais respeito por quem dedicou a vida a ensinar e mais humanidade antes de apontarmos o dedo. Palavras, acusações e mentiras têm consequências, mas a verdade também tem, e quando a verdade finalmente chega, ela não precisa gritar. Ela simplesmente permanece de pé.
E é por isso que, diante de toda acusação, de toda suspeita e de todo julgamento precipitado, eu escolho fazer duas perguntas simples, mas poderosas:
Antes de condenar, onde está a verdade?
Quem sou eu para julgar?
Veja a coluna anterior:
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