O cotidiano da população em pauta
Chance rara
O evento SabaTeena 2026, promovido nesta quarta-feira pela Rede Paraíba de Comunicação com os três principais candidatos a governador da Paraíba, na presença de centenas de jovens estudantes que lotaram o auditório da Federação das Indústrias em Campina Grande, demonstrou que ainda existe espaço para a abordagem racional e consequente de temas que tocam direta e cotidianamente a vida das “pessoas normais”.
“Novo planejamento”
O tema inicialmente indagado foi saúde pública. Primeiro a responder, Cícero Lucena (MDB) defendeu o que chamou de “novo planejamento para o Estado” no setor, no sentido de o governo estadual ser parceiro dos municípios. Isso é fundamental!”
Ele mencionou que o orçamento para o setor de oncologia (tratamento de câncer) da Prefeitura de João Pessoa é da ordem de R$ 130 milhões anuais, atendendo predominantemente a outras cidades, enquanto o orçamento do Estado é de apenas R$ 40 milhões.
“Essencial”
Efraim verbalizou a necessidade de “descentralizar os serviços de saúde, principalmente os de especialidades”, visando acabar com “a ambulâncioterapia” (envio de pacientes para grandes cidades, por intermédio de ambulâncias).
“A tecnologia também é essencial. Temos aí a Telemedicina. É preciso a adoção do prontuário eletrônico”, enfatizou.
Já em curso
O governador Lucas Ribeiro (PP) disse em sua intervenção inicial que “a interiorização da saúde já está acontecendo”, citando em seguida as construções de hospitais públicos de grande porte em Campina Grande, Patos e Sousa, assim como a descentralização geográfica do serviço de hemodiálise.
Ação pretérita
Quando o tema proposto foi recursos hídricos, Cícero frisou que “tenho dito que não farei promessas, vou dar testemunho de vida”.
Ato contínuo afirmou que “Deus me permitiu, como ministro (da Integração Nacional), possibilitar a ampliação da transposição do Rio São Francisco com a introdução de uma “segunda entrada” d´água pelo setor Leste, com a água chegando pela cidade de Monteiro, nascente do Rio Paraíba.
“Hoje Campina pode acreditar no seu desenvolvimento porque tem, entre outros potenciais, a segurança hídrica”, assinalou o candidato do MDB.
Ações inadiáveis
“Água é vida (…) Água não pode ser secundário, deve ser prioridade. O tema barragem é essencial. Se fazem necessárias mais barragens. No governo Wilson Braga, nos anos 1980, foram feitas mais barragens do que nos últimos 16 anos na Paraíba. E somos o segundo pior estado no país na relação água armazenada X número de habitantes”, argumentou Efraim.
Após frisar que são inadiáveis mais obras estruturantes no estado, ele acentuou que “não dá mais para conviver com a ´cultura´ do carro pipa ano após ano. Fazer barragem aqui é essencial, para garantir a segurança hídrica do futuro (…) A Paraíba deve pensar em água como algo estratégico”.
Em execução
Na sua resposta, Lucas disse que “na prática hoje estamos construindo a maior adutora do Nordeste – a Transparaiba (…) São obras que não estão paradas nem a passos lentos (…) Em Campina, estamos fazendo a terceira adutora de Boqueirão para cá”.
Ele citou também “o projeto pronto” da adutora de Coremas para Patos, bem como mencionou “o compromisso do presidente Lula pra que o ramal do Piancó da transposição do Rio São Francisco seja construído.
Expansão
Confrontado com o tema segurança pública, Cícero disse que “é fundamental ter tecnologia”.
Ele se referiu às 3 mil câmeras de monitoramento instaladas em João Pessoa na sua gestão como prefeito, que abrangem escolas municipais e unidades de saúde, além das vias públicas.
“Vamos alavancar interiorizando esse monitoramento, porque o Estado só tem 1.800 câmeras em todo território da Paraíba”, com a “integração com as câmeras da iniciativa privada”, prometeu o candidato, para fechar com o aceno na direção da “valorização dos policiais, que têm o segundo pior salário do Brasil”.
Amedrontados
“A Paraíba está com medo! Todos nós estamos com medo. Só quem não está com medo são os bandidos (…) É preciso ter rigor para combater as facções criminosas. É preciso asfixiar financeiramente o crime, não adianta correr atrás do trombadinha da esquina. Tem que enfrentar quem lidera. E isso se faz com coragem e experiência. Nós temos coragem (…) Presidio não pode ser o escritório do crime, tem que ter bloqueio de celular em presídio”, discorreu Efraim.
“Nosso diálogo”
Lucas tratou sobre o tema acentuando que “no nosso governo a gente não dialoga com o crime organizado. O nosso diálogo é com a lei! O que a gente tem visto por aí, Brasil afora, é a penetração do crime organizado no poder público, no meio político. Operações têm acontecido Brasil afora. Aqui na Paraíba também aconteceu uma: a Operação Território Livre. Depois vejam”.
Ele anunciou a criação do Batalhão de Policiamento Rodoviário.
Esgoto rumo ao rio
Quando foi proposto o tema meio ambiente, Efraim observou que “90% do nosso território pode estar a mercê de um processo de desertificação. É preciso pensar em formas de desenvolvimento sustentável”.
Posteriormente, o candidato renovou a denúncia de que a Cagepa não está tratando os esgotos coletados em Campina Grande. “O esgoto está sendo jogado (inclusive o hospitalar) no rio, inclusive com a irrigação de hortaliças, antes de chegar na barragem de Acauã. Não adianta Campina ter uma avançada rede de coleta e não ter como tratar esse esgoto”.
Aceno público
Lucas informou aos estudantes a existência do programa “agente ambiental” para a realização de projetos dentro e fora da sala de aula.
Logo sem seguida, ele fez menção ao prefeito Bruno Cunha Lima (que estava no auditório) ao falar sobre o Parque do Poeta, colocando-se à disposição para “construirmos juntos”, convidando em seguida Bruno para “sentar e conversar, independente das questões políticas”.
Iniciativas
Cicero relatou que “tivemos a oportunidade de fechar o lixão do Roger (bairro pessoense) para transformá-lo num parque.
Igualmente informou sobre a utilização de energia “limpa” em prédio municipal da Capital.
“Paraibano envergonhado”
“Investir em saneamento é salvar vidas”, afirmou Efraim ao se aprofundar na questão do saneamento básico. “É melhor enterrar canos do que crianças”, repetiu o senador uma expressão massificada no passado pelo ex-senador Cássio Cunha Lima. “É raro ver a fita de inauguração de um cano de esgoto”, ilustrou.
Ainda conforme Efraim, “falta a mentalidade para entender que isso é prioridade. Ele desdobrou citando “as nossas praias, orgulho nosso, que foram parar em redes nacionais” por conta do despejo de esgoto.
“O paraibano está envergonhado. Estão afastando os turistas”, arrematou.
Modelar
O atual governador se referiu à PPP (parceria público privada) para levar esgotamento sanitário a 85 municípios, contemplando dois milhões de paraibanos.
“Campina é referência em esgotamento sanitário, segundo o Instituto Trata Brasil. Temos feito investimentos e continuaremos fazendo”, assinalou.
Condenação
“Você cuida do futuro fazendo no presente”, disse Cícero, para enfatizar que o percentual de esgoto coletado em Campina está recuando, “o que é algo muito grave”.
Ainda conforme o candidato, Campina “foi condenada a passar 25 anos sem investimento sanitário; desprezaram o crescimento desta cidade”.
Posteriormente, ele disse que subiu, como prefeito, o percentual de coleta de esgoto em João Pessoa de 36% para 74%.
Alarga programa
Quando um estudante pautou o assunto cultura, Efraim afirmou que “cultura não pode ser um artigo de luxo, só para a elite”.
“Não podemos ter artistas em Campina que ficam com o emprego limitado a três meses”, avançou o candidato.
O senador disse que pretende transformar o programa ´Bolsa Atleta´ em ´Bolsa Talentos´, englobando atletas, artistas e pesquisadores.
Intenção
Lucas informou que deseja construir em João Pessoa um centro paralímpico, “melhor do que” o existe em São Paulo.
De papel passado
Cicero fez alusão aos eventos multiculturais que criou e/ou estimulou enquanto prefeito de João Pessoa, assim como realçou o calendário anual de 42 corridas de rua na Capital.
Sobre turismo, o candidato atestou que “vivemos um momento muito especial”.
Adiante, registrou como ponto destoante “a ausência do Estado” no Maior São João do Mundo. “Só chegou de última hora em 2026”.
Ele anunciou “o compromisso de fixar em lei recursos” para o São João de Campina, independente de quem seja o prefeito ou o governador.
Tripé
Lucas listou iniciativas governamentais para o segmento: Centro de Convenções de Campina, Polo Turístico Cabo Branco e revitalização do centro histórico da Capital.
Empreguismo
Efraim disse que “o que é extremamente importante no turismo é pensá-lo como política de estado, com inteligência, mercado e posicionamento de marketing. Turismo não pode ser calendário de festa”.
Mais à frente, ele acusou o governo atual de ter transformado a Secretaria de Turismo num” cabide de emprego”, tirando técnicos para colocar ex-prefeitos.
Apoio abrangente
A abordagem dos candidatos sobre geração de empregos foi genericamente direcionada por Cicero e por Lucas para a qualificação da mão de obra.
De sua parte, Efraim disse que “o binômio escola X mercado de trabalho é algo que tem que ser construído”, com a observação adicional de que o jovem atualmente não quer apenas “o primeiro emprego”, mas outros tipos de oportunidade.
Ele externou a intenção de oferecer um ICMS diferenciado para empresas que contratarem jovens oriundos das escolas do Estado.
Prioritário
Na reta final da sabatina o tema foi educação. Cícero comentou que “a primeira grande missão do próximo governador será fortalecer o ensino infantil, auxiliando os pequenos municípios para a melhoria da estrutura das escolas”.
“Mas é preciso preparar e corrigir o que acontece na rede estadual de ensino”, ressalvou, para defender a “interiorização do ensino profissionalizante. Quero uma educação cumprindo o seu papel”.
Avanço
O atual governador pontificou que atualmente a Paraíba tem 157 escolas com ensino técnico, “preparando os jovens para o mercado de trabalho”.
“A Paraíba avançou no ensino e no aprendizado, conforme o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)”, acrescentou.
Sem infraestrutura
“Falar em educação é mirar o futuro. Não quero renovar, mas inovar e fazer diferente. Quero avançar na universalização do ensino integral”, enfatizou Efraim.
Ele criticou a falta de climatização nas escolas do Estado, especialmente na região sertaneja: “Imagine o que é aprender matemática e português a 40 graus”.
Enfoques finais
Nas suas considerações finais, Cícero Lucena explicitou o desejo de “fazer um estado mais justo, solidário, humano e inclusivo”.
Ele criticou o fato de um aluno na rede estadual poder avançar de ano com até “seis disciplinas pendentes”.
Na sua despedida, Efraim Filho disse que a interação com os jovens o estimulou “para fazer um olhar para o amanhã”.
“Eu não quero apenas renovar. Eu quero fazer diferente”, finalizou.
“Tenho o compromisso de cuidar da juventude e do Estado inteiro. Aqui só tem um candidato que está apontando para o futuro e não vai deixar este Estado retroceder”, concluiu Lucas Ribeiro.
Imagens e entrevistas do evento você confere aqui.
Estão ´virando moda´ as campanhas eleitorais solo na Paraíba…