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Educação e Ciência
Foto: José Cruz/Agência Brasil
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Está iniciando-se a contagem regressiva para o Enem 2026, que segue como a principal porta de entrada para o ensino superior no Brasil.
Criado para avaliar a qualidade do ensino médio, o exame ganhou novas funções ao longo dos anos e, hoje, conhecer seu formato é um dos primeiros passos para uma boa preparação.
Com a nota do Enem, os candidatos podem disputar vagas em universidades públicas pelo Sisu, além de concorrer a bolsas de estudo pelo Prouni e a financiamentos pelo Fies.
Para ajudar na preparação, a reportagem reuniu respostas para algumas dúvidas sobre o Enem 2026, desde o formato da prova até as diferentes formas de utilizar a nota obtida no exame nacional.
QUANDO SERÁ?
O exame será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro, em dois domingos consecutivos.
QUAIS MATÉRIAS?
A estrutura do Enem busca refletir a formação escolar completa do estudante do ensino médio. Ao todo, são cinco áreas do conhecimento contempladas:
– Ciências humanas (filosofia, geografia, história, sociologia)
– Ciências da natureza (biologia, física e química)
– Matemática
– Linguagens (português, inglês ou espanhol, literatura, artes, educação física, tecnologias da informação e comunicação)
– Redação
COMO É O MODELO
A prova tem 180 questões de múltipla escolha, com 45 perguntas para cada área de conhecimento, e a redação.
No primeiro dia do exame, os participantes respondem a 90 questões referentes às áreas de linguagens, ciências humanas, além da redação.
No segundo dia, são aplicados itens relacionados a matemática e ciências da natureza, completando as outras 90 questões da prova.
DURAÇÃO DA PROVA
No primeiro domingo, no dia 8 de novembro, os estudantes têm até cinco horas e 30 minutos para concluir o exame -tempo estendido em razão da redação.
Já no segundo dia, são cinco horas disponíveis para finalizar a prova. Isso significa que, em média, o participante tem cerca de três minutos para responder a cada questão.
CÁLCULO DA NOTA
Um dos temas mais complexos do Enem está na forma como as notas são calculadas. A correção das questões objetivas utiliza a TRI (Teoria de Resposta ao Item).
Por exemplo, um aluno que acerta questões fáceis, mas erra as mais difíceis, tende a receber uma nota maior do que outro que acerta somente as mais difíceis, porque o sistema procura identificar possíveis acertos aleatórios, os famosos “chutes”.
O cálculo é feito pelo Cebraspe (Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos) e pelos pesquisadores do Inep, responsáveis também pela conferência e pela solução de eventual discrepância das notas.
O QUE É TRI?
É a metodologia utilizada para corrigir e dar nota às questões da prova. A TRI busca legitimar a avaliação e os conhecimentos dos candidatos, além de dificultar o acerto a partir do chute.
QUAIS SÃO AS COMPETÊNCIAS AVALIADAS?
O texto da redação é avaliado com base em cinco competências específicas, e cada uma pode render até 200 pontos, totalizando mil pontos possíveis.
As cinco competências são:
CORREÇÃO DA REDAÇÃO?
Após digitalização, a redação é avaliada por dois corretores independentes.
Dois especialistas avaliam cada texto, que analisam cinco competências e atribuem nota entre 0 e 200 pontos para cada uma delas. A nota final do candidato é formada pela média aritmética das pontuações totais atribuídas.
QUANDO HÁ DIVERGÊNCIA ENTRE AS NOTAS
Caso haja uma diferença superior a 100 pontos na nota final, ou de mais de 80 pontos em qualquer competência, a redação passa por um terceiro avaliador.
Nesse caso, a pontuação final é calculada com base na média das duas notas mais próximas. Persistindo a divergência, o texto é encaminhado para uma banca, que define, em conjunto, a nota final do participante.
Em 2025, apenas dez estudantes tiraram a nota máxima na redação do Enem. Foi a segunda edição consecutiva a registrar uma quantidade historicamente baixa de textos com pontuação máxima. Em 2024, 12 candidatos alcançaram a nota mil.
ATENDIMENTO ESPECIALIZADO
A partir de 2026, o Enem ampliou as condições de acessibilidade para candidatos que necessitam de atendimento especializado.
Entre as novidades, estudantes com diagnóstico de fibromialgia e transtornos mentais, como crises de ansiedade, TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo), passarão a ter direito a atendimento especializado.
Para esses participantes, será permitida a presença de um acompanhante -familiar ou profissional- ou de um cão de apoio emocional no local de aplicação do exame.
A principal mudança para esse grupo é a possibilidade de contar com um acompanhante ou um cão de apoio emocional. No entanto, o acompanhante não poderá permanecer na sala durante a realização da prova e ficará em um espaço reservado enquanto o exame estiver em andamento.
Os candidatos que já tinham direito ao atendimento especializado continuarão contemplados pela medida. Entre eles estão pessoas com deficiência física, visual, auditiva ou intelectual, surdos, diabéticos, pessoas com dislexia, TEA (Transtorno do Espectro Autista), gestantes, lactantes e idosos.
Para ter acesso ao atendimento, o candidato deveria ter solicitado o serviço no momento da inscrição.
GABARITO
De acordo com o edital publicado pelo MEC, o gabarito do Enem será divulgado no décimo dia útil após a aplicação do segundo dia de prova do exame nacional -ou seja, 27 de novembro.
CERTIFICADO DE CONCLUSÃO
Sim. Desde a última edição do exame nacional, é possível obter o certificado de conclusão do ensino médio por meio da nota do Enem.
Entre os requisitos mínimos para a obtenção do documento, o estudante deve ter pontuação mínima igual ou superior a 450 pontos em cada área do conhecimento -matemática, linguagens, ciências da natureza e ciências humanas-, e 500 pontos na redação.
Além disso, o candidato deve ter, no mínimo, 18 anos completos na data da primeira prova de cada edição do exame.
O QUE É O SISU?
O Sistema de Seleção Unificada é uma plataforma gerenciada pelo governo federal que permite que estudantes ingressem em universidades federais e estaduais de todo o país, com base na nota do Enem.
Para participar, é obrigatório que o candidato tenha feito uma das três últimas edições do Enem, não ter zerado a redação e já ter concluído o ensino médio.
O candidato pode escolher até duas opções de curso, indicando a ordem de preferência. Durante o período de inscrições, é possível mudar a escolha do curso, acompanhar a nota de corte e a classificação geral.
Na edição do Sisu 2026, 274,8 mil vagas em 7.388 cursos de 136 instituições de todo o país estavam disponíveis para seleção, segundo o MEC.
Além disso, o MEC lançou o Sisu+, que é uma etapa complementar do processo de seleção que visa preencher as vagas remanescentes após o término das chamadas regulares.
*Com informações de Lucas Leite/Folhapress
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