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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
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O fim das férias nos convida a uma pergunta decisiva: o que levamos conosco ao retornar à rotina?
Jesus ensina que o Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo (cf. Mt 13,44). Quem o encontra vende tudo para possuí-lo, porque compreende que nada é mais precioso do que viver em comunhão com Deus.
Esse tesouro tem um nome: Jesus Cristo. É o próprio Pai quem no-Lo oferece e, pelo Batismo, faz-nos participantes dessa riqueza que não se desgasta.
Mas um tesouro dessa grandeza não pode permanecer escondido. Ele deve iluminar a vida inteira, inspirando nossas escolhas, sustentando-nos nas dificuldades e tornando-se a fonte da esperança que carregamos no coração.
Também o descanso deve ser iluminado por essa verdade. Como recordou recentemente o Papa, as férias não existem apenas para satisfazer desejos ou acumular experiências, mas para reencontrar o essencial: fortalecer os laços familiares, cuidar dos idosos, abrir espaço para a amizade, praticar a caridade e educar o coração para a sobriedade.
O descanso cristão nunca se fecha em si mesmo; ele nos torna mais sensíveis aos pobres, aos doentes, aos que sofrem e àqueles que sequer puderam descansar.
Agora que as férias chegam ao fim, somos chamados a regressar com um coração renovado. Sob o manto de Nossa Senhora das Neves, aprendemos que o maior tesouro não é aquilo que acumulamos, mas Aquele que encontramos.
Quem guarda Cristo no coração descobre que a paz não depende do lugar onde está, mas da presença de Deus em sua vida.
Voltar das férias também significa voltar à missão. A alegria do descanso não pode permanecer apenas como uma lembrança agradável, mas deve tornar-se força para viver o cotidiano com mais generosidade.
O discípulo de Cristo não retorna apenas às suas ocupações; regressa ao campo onde Deus o espera para semear o bem, testemunhar a esperança e fazer do trabalho um lugar de santificação.
A fé recebida no Batismo é o apoio que nos sustenta nas crises, consola-nos nas perdas e fortalece-nos quando enfrentamos o sofrimento e até mesmo a morte daqueles que amamos.
Encontrar o Senhor é fazer da própria vida um espaço permanente de acolhida do Evangelho. Isso exige conversão, mudança de mentalidade e a decisão cotidiana de caminhar com Cristo.
Talvez o maior fruto de um tempo de descanso seja descobrir que a felicidade não nasce do excesso, mas da simplicidade.
O Evangelho nos ensina que a vida não se mede pelos bens acumulados, mas pelo amor oferecido. Quem fez da oração, da convivência familiar, da contemplação e da caridade parte das férias percebe que o coração volta mais leve, livre e disposto a recomeçar.
Em tempos marcados pelo medo, pela ansiedade e pela insegurança, o cristão não pode permitir que essas vozes sejam a palavra definitiva sobre a sua existência.
Quem encontrou o verdadeiro Tesouro aprende a viver a cultura do encontro, tão necessária em nossos dias: o encontro com Deus, com os irmãos e consigo mesmo.
É da amizade com Cristo que nasce a coragem para recomeçar e construir relações marcadas pela misericórdia e pela paz.
Nossa Senhora das Neves, Padroeira da Paraíba, ensina-nos a guardar o verdadeiro Tesouro.
Maria não acumulou riquezas, mas conservou a Palavra de Deus no coração. Nela aprendemos que encontrar Cristo é o acontecimento que dá sentido a todos os tempos da vida: ao trabalho e ao descanso, às alegrias e às provações, às conquistas e às renúncias.
Ao encerrarmos mais um período de férias, permanece um convite: não deixemos o tesouro escondido voltar a ser soterrado pelas preocupações da rotina.
Levemos Cristo conosco para o trabalho, para a família, para a comunidade e para cada decisão. Quem encontrou esse Tesouro jamais regressa igual, porque descobriu que a verdadeira riqueza não consiste no que se possui, mas em Quem se segue.
Assim, o descanso cumpre sua missão: renovar o coração para que a vida inteira se torne um testemunho do Evangelho da paz, da misericórdia e da esperança.
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