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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
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O sofrimento continua presente em todos os cantos da terra, acompanhando silenciosamente a existência humana. Diante dele, somos tentados a perguntar pelo silêncio de Deus ou pelo sentido de tantas feridas que parecem não cicatrizar.
O Evangelho, porém, oferece outra perspectiva. Na parábola do trigo e do joio (Mt 13), Jesus revela um Deus que não abandona o campo da história nem age com a impaciência dos homens. Ele permanece, espera e conduz tudo ao tempo da colheita.
Foi essa certeza que São João Paulo II recordou ao refletir sobre o mistério do sofrimento humano. A dor não possui a última palavra quando é vivida em comunhão com Cristo. Aquilo que parece apenas perda pode tornar-se caminho de amadurecimento; aquilo que parece fracasso pode converter-se em lugar de encontro com Deus.
Vivemos, porém, numa cultura que rejeita o sofrimento e deseja eliminar toda experiência de limite. Queremos soluções imediatas, felicidade sem espera e frutos sem cultivo. Deus, ao contrário, respeita o tempo da graça.
Assim como o senhor da parábola não arranca o joio antes da hora para não ferir o trigo, também o Senhor conduz nossa história com uma paciência que salva. Sua misericórdia nunca é omissão; é amor que acredita na possibilidade de conversão e de crescimento.
É justamente nesse horizonte que a Igreja encontra o homem de modo privilegiado quando ele sofre. Cristo não contemplou a dor à distância. Aproximou-se dos feridos, tocou os doentes, consolou os aflitos e carregou sobre si o sofrimento humano.
Seu amor não recuou diante da cruz. Por isso, o homem ferido não é um obstáculo à missão da Igreja, mas o lugar onde ela reencontra sua própria identidade.
Diante da fragilidade humana, a comunidade cristã é chamada a agir como o Bom Pastor: aproximar-se, cuidar, permanecer. O sofrimento do outro nunca é uma interrupção da missão; é um dos lugares onde o Evangelho se torna mais concreto.
Cada gesto de escuta, cada mão estendida e cada presença fiel revelam que a caridade continua sendo a linguagem mais convincente da fé.
Tudo isso brota da oração. É nela que aprendemos a olhar o sofrimento com os olhos de Deus. A oração impede que a dor se transforme em desespero e faz nascer uma esperança paciente, capaz de sustentar quem já não encontra forças para caminhar.
Como recorda o Papa Leão XIV: “Através de frestas de ressurreição que surgem na escuridão, Ele entrega o nosso coração à esperança que nos sustenta: o poder da morte não é o destino último da nossa vida. De uma vez para sempre, estamos orientados para a plenitude, porque, em Cristo ressuscitado, também nós ressuscitamos.”
Mesmo marcada pela fragilidade de seus filhos, a Igreja permanece enviada para testemunhar essa esperança. Ela anuncia um Deus que não abandona o homem em sua dor, mas permanece ao seu lado com a paciência do Bom Pastor e do Senhor que espera o tempo da colheita.
Em um mundo marcado pela pressa e pela lógica da eficiência, o Evangelho nos convida a outro compasso: o ritmo da graça. Um ritmo que não desiste, não atropela, não condena precipitadamente, mas espera, cuida e transforma. É nesse ritmo que Deus conduz a nossa história e é nele que a Igreja é chamada a caminhar.
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A paciência da semente do Evangelho
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