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Engenheiro Eletrônico, MBA em Software Business e Comércio Eletrônico, Diretor da Light Infocon Tecnologia S/A e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP – Associação Brasileira de Fomento à Inovação em Plataformas Tecnológicas.
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A coluna de hoje é um complemento da publicada na semana passada.
Nas últimas duas décadas, a presença da China na economia brasileira deixou de estar concentrada apenas na compra de commodities e passou a incorporar investimentos em infraestrutura, energia, indústria, logística e, cada vez mais, tecnologia.
Nesse cenário, a Região Nordeste vem consolidando sua posição como um dos principais destinos do capital chinês, beneficiando-se de sua localização estratégica, da expansão da geração de energia renovável (fotovoltaica e eólica) e do fortalecimento de seus Ecossistemas de Inovação (como o E.InovCG, de Campina Grande). Estudos do CEBC – Conselho Empresarial Brasil-China (cebc.org.br) mostram que o Nordeste passou a representar uma parcela crescente dos investimentos chineses realizados no Brasil.
Entretanto, no segmento estritamente tecnológico, os investimentos diretos chineses são mais seletivos e frequentemente, ocorrem por meio de centros de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), telecomunicações, transformação digital, universidades e cooperação científica.
Nesse contexto, a experiência do “China Office”, como escrevi na coluna anterior, muito antes de a atual aproximação econômica entre China e Nordeste ganhar força, essa iniciativa nascida em Campina Grande em 1996, já buscava construir pontes entre os dois países.
Essa ação, é considerada uma das primeiras estruturas brasileiras permanentes, de apoio à internacionalização de empresas de tecnologia no mercado chinês.
Crescem os investimentos chineses no Nordeste, reforçando oportunidades para o setor de tecnologia, com a Paraíba buscando ampliar protagonismo (II)
O “China Office” antecipou em décadas, o movimento de aproximação que hoje caracteriza as relações tecnológicas entre Brasil e China.
Embora os maiores aportes permaneçam direcionados aos setores de transmissão de energia, energia renovável (geração), mineração e logística, “observa-se uma tendência de expansão (mesmo que tímida) para áreas intensivas em conhecimento, como telecomunicações, economia digital, pesquisa científica, IA (Inteligência Artificial), cidades inteligentes e manufatura de alta tecnologia.
Essa evolução acompanha a própria transformação da economia chinesa, hoje fortemente orientada para inovação e tecnologias avançadas”.
Entre os estados nordestinos, Bahia, Ceará, Pernambuco e Maranhão concentram parte significativa dos grandes empreendimentos chineses.
Empresas como State Grid, Huawei, BYD, CGN, SPIC e outras ampliaram sua presença na região, acompanhando a estratégia global da China de internacionalização de empresas de base tecnológica e de fortalecimento de parcerias em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), especialmente em países considerados estratégicos, para a expansão de mercado e cooperação tecnológica.
Essa nova etapa, representa uma oportunidade para que estados nordestinos ampliem sua participação não apenas como receptores de investimentos industriais/infraestrutura, mas também como produtores de conhecimento e tecnologia.
Crescem os investimentos chineses no Nordeste, reforçando oportunidades para o setor de tecnologia, com a Paraíba buscando ampliar protagonismo (III)
Na Paraíba, embora ainda não existam investimentos chineses de grande porte, comparáveis aos observados em outros locais, diversos fatores colocam o estado em posição privilegiada para participar dessa nova fase da cooperação sino-brasileira.
Nesse cenário, a Paraíba reúne “ativos tecnológicos” interessantes. Campina Grande por exemplo, consolidou-se ao longo dos últimos 40 – 50 anos, como um dos principais polos brasileiros de TI (Tecnologia da Informação), Engenharia e Inovação.
A cidade reúne universidades reconhecidas nacional e internacionalmente, centros de pesquisa, empresas de software, incubadoras, e uma expressiva concentração de pesquisadores (Mestres e Doutores) nas áreas de computação, eletrônica, IA e engenharia elétrica.
Além de ter um dos primeiros Parques Tecnológicos do Brasil (o PaqTc-PB) fruto da “visão de futuro” do Dr. Lynaldo Cavalcanti.
Esse ambiente favorece iniciativas voltadas para pesquisa colaborativa, desenvolvimento de produtos tecnológicos, intercâmbio acadêmico e atração de empresas interessadas em inovação aberta. Inclusive, será realizada em Campina Grande, no final deste ano, a “Edição 2026 do INCODAY (International Cooperation Day)”, evento da BraFIP (brafip.org.br) e que conta com a organização e total apoio do SEBRAE-PB.
Crescem os investimentos chineses no Nordeste, reforçando oportunidades para o setor de tecnologia, com a Paraíba buscando ampliar protagonismo (IV)
Atualmente, quando a China figura entre os maiores investidores estrangeiros do Brasil e lidera diversos segmentos tecnológicos globais, a experiência iniciada por Campina Grande em 1996, ganha novo significado histórico.
Tudo indica que a próxima etapa da cooperação sino-brasileira deverá combinar grandes investimentos em infraestrutura com projetos voltados à inovação, pesquisa científica, transformação digital, semicondutores, computação quântica, IA, economia verde e tecnologias para a indústria.
Nesse “panorama”, a Paraíba reúne condições competitivas para ampliar sua inserção internacional, aproveitando a reputação construída por Campina Grande como Polo Tecnológico e de Inovação, retomando iniciativas de cooperação internacional inspiradas na experiência do China Office.
Mais do que atrair investimentos financeiros, o desafio passa a ser consolidar parcerias capazes de gerar conhecimento, formar talentos, criar startups, estimular empresas inovadoras e inserir/fortalecer o estado, nas cadeias globais de desenvolvimento tecnológico e centros de inovação.
A história demonstra claramente, que isso é possível. Temos experiência, capacidade técnica e os recursos humanos necessários, para levar adiante este desafio.
Com informações do CEBC (Conselho Empresarial Brasil China).
Leia a coluna anterior:
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