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Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
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Ao reler a crônica “A Rodagem”, de autoria do confrade José Edmilson Rodrigues, publicada no blog Retalhos Históricos de Campina Grande, vieram-me à mente algumas lembranças da rua do Cachimbo Apagado (atual rua Firmino Leite), localizada no bairro do Monte Santo, em Campina Grande (PB).
Até hoje, não sei o motivo de a rua ter sido conhecida originalmente como “Cachimbo Apagado”.
Sei que, na citada rua, por volta de 1966, residia meu tio, Horácio Antonio Luciano, irmão de meu pai, igualmente funcionário do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), e ali também funcionava uma pequena bodega pertencente ao Sr. Pedro Almeida, pai da esposa de meu tio.
Foi naquela rua que, por volta de 1966, conheci o saudoso amigo Jurandir Alfredo e outros colegas que jogavam bola num campinho de terra localizado em um terreno baldio, em frente à casa onde ele morava. Entre esses colegas, destaco: Ademir Ferreira, Jerônimo (Galeguinho), João Dantas, José Ernesto, Valdir, Valdemir, Valmir e Zito.
O curioso é que, naquela época, só havia casas de um lado da rua. Outra particularidade daquela rua era a existência, na parte mais baixa, de uma grande erosão por onde escoavam os resíduos de uma fábrica de sabão localizada na rua João Maurício de Medeiros. Essa erosão era conhecida como “Vulcão”.
Depois, o prédio dessa fábrica foi convertido em uma fábrica de calçados e, posteriormente, transformado em uma igreja evangélica.
Um registro interessante é que parte dos resíduos da fábrica de sabão, descartados no “Vulcão”, era aproveitada por algumas mulheres para formar bolas de sabão e, com elas, lavar roupas ou vendê-las na feira da Prata.
Depois que o meu tio se mudou da rua do Cachimbo Apagado e os jogos no campinho deixaram de existir, os contatos com os colegas dos bate-bolas se restringiram às visitas ao amigo Jurandir Alfredo.
Na adolescência, as nossas conversas e interesses giravam em torno de dois assuntos pelos quais nutríamos grande apreço: música e poesia. Nessa época, ele estudava no Senai, e eu, no Colégio Estadual da Prata.
Na idade adulta, a nossa amizade permaneceu firme. Em fevereiro de 1981, ele lançou um livro intitulado Crônicas e Poesias, cujos manuscritos originais me confiou, antes de deixar Campina Grande para trabalhar em São Paulo, onde faleceu precocemente, em dezembro de 1990.
Talvez por isso, ao recordar o antigo Cachimbo Apagado, a memória de Jurandir Alfredo continue tão viva quanto as lembranças daquele tempo de amizades sinceras e de sonhos juvenis, que o tempo e a distância não conseguiram apagar.
Leia a coluna anterior:
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