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Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
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A lembrança mais remota que guardo de Salvador (BA) é a da chegada ao aeroporto por meio de uma espécie de túnel natural formado por bambuzais. A data eu não sei precisar, mas deve ter sido em 1959, quando, na companhia dos meus pais, vindos de Alagoinhas (BA), regressávamos a Campina Grande (PB), em um avião da companhia Lloyd Aéreo.
Dezessete anos depois, em julho de 1976, voltei a Salvador, saindo de Campina Grande em um ônibus da Viação São Geraldo, com o objetivo de realizar estágio na Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia – Coelba.
Sem conhecer a cidade, eu e alguns colegas do curso de graduação em Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba, hoje Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), chegamos à rodoviária de Salvador.
De lá, seguimos de táxi com destino ao Largo Dois de Julho. Ali começava a nossa busca por uma pensão ou pousada nos arredores. Não demorou e encontramos uma pousada na Praça Ana Nery, número 2, situada no Largo da Palma.
Localizado no bairro de Nazaré, o Largo da Palma ficou famoso por fazer parte da ambientação do filme “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, dirigido por Bruno Barreto e lançado no Brasil em 1976, tendo como atores principais José Wilker, Sônia Braga e Mauro Mendonça. Na pousada São José, no Largo da Palma, morei por dois meses.
Depois, mudei-me para uma pensão localizada na Rua do Sodré, no primeiro andar de um casarão antigo, de número 22, onde morei até o término do meu estágio, em dezembro de 1976. A vista frontal desse casarão é apresentada na Figura 1.

Foto: Arquivo particular
A vista das janelas frontais do velho casarão era simplesmente bela, reunindo patrimônio arquitetônico e paisagem natural em um mesmo cenário. De lá, via-se o Museu de Arte Sacra, instalado no antigo Convento de Santa Teresa de Ávila, construção datada do século XVII.
Visto do casarão, o Convento de Santa Teresa de Ávila parecia vigiar silenciosamente a Baía de Todos os Santos, tendo a Ilha de Itaparica ao fundo, na linha do horizonte, conforme mostrado na Figura 2.

Foto: Arquivo particular
Para se chegar à Rua do Sodré, vindo da Praça Castro Alves, o acesso dava-se pela Ladeira da Preguiça, situada em frente ao Museu de Arte Sacra.
A Ladeira da Preguiça tornou-se nacionalmente famosa a partir da canção homônima composta por Gilberto Gil, em 1971, em Londres, e lançada no Brasil em 1973.
Na esquina da Rua do Sodré, próxima ao Largo Dois de Julho, havia uma placa com os seguintes dizeres: “Nesta rua viveu e morreu o poeta Castro Alves”. Procurando saber a origem do nome da rua, fui informado de que ela seria uma homenagem a Jerônimo Sodré Pereira, proprietário do Solar do Sodré. O citado imóvel teria sido construído em 1661 e posteriormente adquirido pela família de Castro Alves.
Descendo a Rua do Sodré, a partir do Largo Dois de Julho, em direção à Cidade Baixa, passava-se em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Seguindo adiante, chegava-se à Praça Visconde de Cayru, onde estava localizado o Mercado Modelo, em frente ao Elevador Lacerda, um dos símbolos turísticos mais famosos de Salvador.
Salvador, com suas ladeiras que descem das nuvens para o mar, é uma cidade cheia de contrastes. Nela, o antigo e o moderno coexistem e ditam o ritmo da vida, ao som cadenciado do berimbau e ao compasso da ginga da capoeira. Salvador, cidade do sincretismo religioso. Salvador, cidade de todos os santos e de todos os orixás.
Leia a coluna anterior:
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