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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
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Vivemos em um tempo marcado pela polarização, pela velocidade das opiniões e pelo excesso de vozes que disputam nossa atenção. Também a vida da Igreja não está imune a essas tensões.
Muitas vezes somos tentados a acreditar que a comunhão se constrói pela força dos discursos, pela vitória de um grupo sobre outro ou pela imposição das próprias ideias. Entretanto, o Evangelho nos revela um caminho diferente: a verdadeira unidade nasce do silêncio que se abre à ação de Deus.
Em uma de suas recentes catequeses, o Papa Leão recordou que “a esperança cristã não nasce no ruído, mas no silêncio de uma espera repleta de amor. Não é produto da euforia, mas de um abandono confiante. Quando parece que tudo está parado, lembremo-nos do Sábado Santo. Mesmo no túmulo, Deus está a preparar a maior surpresa. A verdadeira alegria nasce da espera vivida, da fé paciente, da esperança de que o que é vivido no amor certamente ressurgirá para a vida eterna.”
Essas palavras iluminam também a vida e a missão da Igreja. A comunhão não é fruto da ansiedade nem da precipitação, mas da confiança de que o Espírito Santo continua conduzindo o Povo de Deus, mesmo quando tudo parece obscuro.
A unidade da Igreja nunca foi construída pelo barulho. Ela nasce aos pés da Cruz. Ali, enquanto o mundo se divide entre acusações, violência e interesses ideológicos, Cristo oferece a própria vida para reunir na unidade os filhos de Deus dispersos.
O silêncio do Calvário revela que a comunhão cristã não é simples uniformidade, mas participação no mesmo Mistério Pascal. Na Cruz, desaparecem as pretensões humanas e resplandece o amor que reconcilia, restaura e faz de muitos um só Corpo. O Sábado Santo também oferece uma profunda lição para a vida eclesial. Há momentos em que somos chamados menos a falar e mais a permanecer: permanecer unidos, perseverar na oração e confiar na ação discreta de Deus.
Como afirma o Papa Leão: “O Filho, depois de ter concluído a sua obra de salvação, descansa. Não porque está cansado, mas porque terminou o seu trabalho. Não porque se rendeu, mas porque amou até ao fim (…). Trata-se de um descanso repleto da presença oculta do Senhor.” Também a Igreja aprende que Deus continua agindo, mesmo quando seus frutos de unidade e comunhão ainda não são visíveis.
A comunhão da Igreja é um dom que nasce da Cruz e se fortalece na docilidade ao Espírito Santo. Ela não é fruto de estratégias humanas nem da simples concordância de opiniões, mas da participação no mesmo Mistério Pascal de Cristo. Por isso, a unidade eclesial exige de cada fiel um coração convertido, capaz de colocar a escuta acima da disputa, a humildade acima da vaidade e a caridade acima de qualquer polarização. Somente quem aprende a silenciar diante de Deus é capaz de reconhecer no irmão alguém com quem partilha a mesma dignidade de filho e a mesma vocação à santidade.
Em um mundo marcado por tantas divisões, a Igreja é chamada a tornar visível a comunhão que brota do Evangelho. Não se trata de ignorar as diferenças legítimas, mas de vivê-las na fidelidade à mesma fé, em comunhão com os pastores e na docilidade ao Espírito Santo, que continua conduzindo o Povo de Deus ao longo da história.
Cada gesto de reconciliação, cada palavra de misericórdia e cada atitude de serviço tornam presente essa unidade que Cristo pediu ao Pai na Última Ceia: “que todos sejam um” (Jo 17,21). Assim, a Igreja oferece ao mundo um testemunho eloquente de que a verdadeira comunhão não nasce do barulho das disputas ideológicas, mas da força discreta da graça de Deus, que transforma os corações.
Que a Virgem do Silêncio nos ensine a percorrer esse caminho de comunhão que atravessa os ruídos de nosso tempo. Quanto mais a Igreja aprende a escutar, a rezar e a esperar em Deus, mais se torna sinal de unidade para um mundo fragmentado.
A verdadeira comunhão não nasce do barulho das disputas nem da imposição de vontades, mas da ação discreta do Espírito Santo, que continua fazendo da Igreja um só Corpo e um só coração em Cristo. Rezemos, mais do que nunca, pela unidade da Igreja.
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