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Sociólogo.
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Escavacando meu velho baú empoeirado, encontrei um texto da minha lavra, datado de 2 de novembro de 1991, no Jornal da Paraíba, quando aquele noticiário era impresso. O título, “Já não se faz bumbum como antigamente”, parecia ter saído de um roteiro de algum programa de humor, quando não havia, até então, sido consignado o manual do politicamente correto. Contudo, tratava-se de uma “síndrome” que, no século seguinte, tornar-se-ia febre, porém com uma diferença: não era mais analógico e, sim, digital.
O pretexto para produzir este texto, foi instigado por essa novidade da Indústria da Exploração da Vaidade Humana, incluindo, ainda, o lançamento de uma sunga com o feito de promover a sensação do aumento do membro masculino.
Sendo jovem, curioso e afoito, aproveitei a oportunidade para fazer menção, em versão popular, de conceitos freudianos, os quais espero que fiquem claros com a reprodução de parte do artigo original:
“…Embora pareça banal, o assunto nos remete aos mistérios dos limites dos mistérios dos homens que Freud se empenhou em explicá-los. A propósito, foi o psicanalista austríaco que elaborou os conceitos de “princípio de prazer” e “princípio de realidade” – pressupostos que ajudam a elucidar a caminhada humana do seu estágio “primário” para o “civilizatório”.
O psicanalista de barbas avantajadas, conceituava o “princípio de prazer” como a fase dos primórdios humanos. Nesta, eles são movidos por uma conjunção de “impulsos animais”. Movem-se pelos seus instintos, na perspectiva incessante da busca pelo prazer, evitando as fisgadas da dor. No entanto, o “mundo exterior”, sobrepõe-se ao mundo “interior”, constatando a inviabilidade da benção de dormir, ad infinitum, no berço aconchegante do “princípio de prazer”.
Assim, a humanidade é levada a reconhecer a limitação de sua própria liberdade, restando-lhe do “princípio de prazer”, apenas a “fantasia”. A partir desse entendimento o tema das calcinhas e sungas deixam de ser banais, cabendo a cada um usá-las ou não”.
Passados mais de quarenta anos, devo dizer que o caso das calcinhas não passa de um ingênuo e bem comportado fenômeno. Lembremos que, antes das bonecas infláveis, notoriamente, bem mais ousadas, surgiram em tempos pretéritos, provavelmente no século XXVII, recebendo a sugestiva denominação de “dames de Voyage” (mulheres de viagem), bonecas de pano com o afã de amenizar o tédio de marinheiros holandeses em longas jornadas.
A sua produção em série, agora em sofisticado plástico, remonta ao início do século XX, tornando-se acessíveis a todos. Mesmo assim, ainda eram analógicas. Agora, numa radical virada de chave, elas são digitais e disponíveis para todos os gostos.
E assim caminha a humanidade.
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
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