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Jornalista, Pós-Graduada em Comunicação Educacional, Gerente de Negócios das marcas Natura e Avon.
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Há pessoas que atravessam a nossa vida como a brisa: passam leves e passageiros, mas não deixam vestígios. Há outras que chegam como vento forte, com o impacto de um furacão, preenchendo espaços e fazendo morada dentro de nós. São os amigos verdadeiros. Essas raras dádivas que o tempo nos oferece como um dos maiores privilégios da existência.
A amizade verdadeira possui um valor que não se mede em presença constante, em fotografias publicadas ou em palavras ditas ao acaso. Ela se revela na profundidade da confiança, na leveza da convivência e na certeza do acolhimento. Um amigo de verdade é aquele, diante de quem podemos despir a alma sem medo de sermos julgados ou diminuídos. É quem conhece nossas sombras e, ainda assim, escolhe permanecer.
Existem amizades que se tornam abrigo. Pessoas que nos permitiram beber de sua essência, partilhar seus pensamentos, suas dúvidas, suas angústias e também suas alegrias mais belas. Pessoas que nos ensinaram que amar não é cobrar presença, exigir perfeição ou contabilizar gestos. Amigos nos mostram, na prática, a beleza do doar sem esperar retorno, do cuidar sem alarde, do permanecer isento de condições.
Uma amiga verdadeira é uma irmã que a vida entregou sem os laços do sangue, mas com todos os privilégios do amor mais genuíno. É aquela para quem entregamos nossos segredos mais profundos com a serenidade de quem sabe que eles estarão protegidos. Aquela, diante de quem podemos dar as costas sem o menor receio de receber punhaladas. Em tempos de relações frágeis, superficiais e descartáveis, encontrar alguém assim é quase um milagre.
E talvez por isso a célebre frase de François de La Rochefoucauld faça tanto sentido também nas amizades sólidas: “A ausência diminui as paixões medíocres, mas aumenta as grandes, como o vento apaga velas e atiça fogueiras.” As amizades verdadeiras resistem ao tempo, à distância e até ao silêncio. Porque foram construídas sobre honestidade, respeito e afeto sincero sem máscaras e sem medo de julgamentos. Sou privilegiada. Tenho amizades que foram testadas, tanto pelo tempo quanto pela distancia, e nossos encontros, quando acontecem, têm a mesma celebração do afeto e do reencontro, isentos de ironias ou cobranças.
Os bons amigos não são aqueles que apenas concordam conosco para preservar conveniências. São os que têm coragem de dizer o que precisamos ouvir, ainda que isso nos confronte. Quem ama de verdade orienta, alerta, aconselha e não se cala diante dos nossos erros. A amizade madura não vive apenas de elogios; ela também floresce na verdade dita com carinho.
Talvez seja por isso que os amigos são comparáveis aos melhores remédios. Curam não apenas o corpo cansado pelas batalhas da vida, mas sobretudo a alma ferida pelos desencantos do caminho.
Entre amigos, amigas, há conversas que funcionam como oração. Há abraços que restauram forças que julgávamos perdidas. Há presenças que devolvem sentido aos dias difíceis, por isso sempre levo comigo o sentimento a cada momento partilhado com amigos: somos casas espirituais que se retroalimentam de puro afeto e onde o espirito descansa.
Num mundo cada vez mais acelerado, onde muitos colecionam contatos e poucos cultivam vínculos, preservar amizades verdadeiras tornou-se um ato de resistência emocional. E também um exercício de gratidão. Gratidão por cada pessoa que nos permitiu entrar em sua vida sem reservas. Gratidão pelos risos compartilhados, pelas lágrimas acolhidas e pela certeza de que, em algum lugar do mundo, existem corações e orações que torcem e caminham ao nosso lado mesmo quando os olhos não os veem.
Assim sendo, as grandes riquezas da vida não cabem em cofres. Elas habitam nas pessoas. E entre todas elas, os amigos verdadeiros talvez sejam uma das formas mais bonitas de Deus nos lembrar que nunca fomos feitos para caminhar sozinhos.
Que privilégio imenso é atravessar a vida encontrando pessoas raras que se transformam em porto, luz e permanência. Amigos verdadeiros são irmãos escolhidos pelo coração, presentes raros que o tempo apenas confirma e amadurece. A eles, nossa eterna gratidão por permanecerem quando o mundo se ausenta, por segurarem nossas mãos nos dias difíceis e por celebrarem conosco cada pequena vitória.
Que nunca nos falte humildade para reconhecer o valor dessas presenças tão sagradas, nem sensibilidade para cultivar os laços que fazem a existência mais leve, mais humana e infinitamente mais bonita, afinal, serão sempre os afetos verdadeiros e as amizades construídas com lealdade, verdade e amor, aquilo que dará sentido à nossa travessia.
Há também o avesso quase imperceptível da amizade e desta nem vale falar muito, pois são aquelas que se vestem de proximidade, mas jamais alcança a profundidade do afeto verdadeiro. Relações que, por vezes, atravessam anos; outras, são breves como vento de passagem, e, ainda assim, deixam a descoberta amarga de que o vínculo existia apenas de um lado.
Mas até essas experiências carregam um valor imenso. Porque existem pessoas que chegam à nossa vida não para permanecer, mas para ensinar. Ensinar, sobretudo, aquilo que jamais devemos nos tornar. E isso também é uma forma preciosa de aprendizado.
Quem utiliza a fragilidade do outro sob o manto de uma possível amizade, revela muito mais sobre si do que sobre quem foi ferido. Afinal, amizade que só floresce enquanto há utilidade, conveniência ou benefício, não é abrigo: é desgaste disfarçado de afeto. E permanecer nela é desperdiçar tempo, energia e verdade.
Por isso, ao longo da vida, talvez uma das perguntas mais importantes seja esta: quem merece nosso acolhimento, nossa confiança, nossa permanência e um lugar definitivo em nossa história?
Que tenhamos discernimento para reconhecer os amigos que são porto, presença e verdade. E maturidade para deixar partir aqueles que apenas pareciam ser.
Leia a coluna anterior:
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