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Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
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As nossas memórias são formadas por experiências vividas, partilhadas ou por eventos dos quais participamos ativamente ou como protagonistas ocasionais. Em todas essas situações, os nossos sentidos estão envolvidos, podendo despertar em nós lembranças adormecidas e sentimentos afetivos dos dias que deixamos para trás.
Pelo conteúdo dos versos, foi nesse contexto que Paul McCartney compôs a letra da belíssima canção “Days We Left Behind”, uma das 14 faixas que integram o disco “The Boys of Dungeon Lane”, cujo lançamento está previsto para o dia 29 de maio de 2026.
Na nostálgica “Days We Left Behind”, Paul revisita memórias de sua juventude em Liverpool, cidade onde ele nasceu, no Reino Unido, em 18 de junho de 1942. Na primeira estrofe da letra, ele expõe claramente essa fonte de inspiração: “Olhando para trás em preto e branco/ Lembranças do meu passado/ Bares esfumaçados e guitarras baratas/ Mas nada é feito para durar.”
E prossegue: “Nada permanece para sempre/ Nada vem à mente/ Ninguém pode apagar/ Os dias que deixamos para trás”.
Mais do que nostalgia, há nesses versos uma consciência do caráter transitório da vida, como se o passado sobrevivesse apenas naquilo que a memória insiste em preservar.
Nessas memórias, ele lembra dos amigos de outrora; da rua Forthlin, onde eles se encontravam; da rua Dungeon Lane, próxima à casa onde Paul passou a sua infância; e também das margens do Mersey: “See the boys of Dungeon Lane/ Along the Mersey shore…”.
Certamente, o título do álbum “The Boys of Dungeon Lane” teve origem nessa referência aos garotos da Dungeon Lane, colegas de Paul McCartney, entre outras lembranças do compositor, inclusive o som dos pássaros alçando voos acima dos ruídos da guerra.
Interessante observar que, na estrofe final, Paul encerra com um conselho: “Porque nada permanece o mesmo/ E ninguém precisa chorar/ Ninguém precisa se culpar/ Pelos dias que deixamos para trás/ Os dias que deixamos para trás”.
Assim é a vida. Para além da poesia, os dias que deixamos para trás nos legam boas e más recordações. Numa sincera análise de consciência, lembramos que, desde a infância, cometemos boas e más ações, nelas incluídos erros, transgressões e pecados que cometemos dos quais nos arrependemos.
Muitas vezes, essas lembranças invadem a nossa mente como a metáfora do morcego no famoso poema de Augusto dos Anjos: “A Consciência Humana é este morcego! / Por mais que a gente faça, à noite ele entra/ Imperceptivelmente em nosso quarto! ”.
Mas nem todas as lembranças são assim tão angustiantes como na analogia apresentada no soneto “O morcego”. Nem todas as memórias são tristes ou alegres. Elas são apenas fragmentos caleidoscópicos de nossa existência.
Portanto, parafraseando Paul McCartney: “Ninguém precisa se culpar pelos dias que deixamos para trás”. Afinal, toda vida é uma travessia entre o que fomos, o que somos, o que seremos e o que ainda ecoa em nossa memória.
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
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