O dito pelo não dito
Sintomático
O jornal Correio Braziliense publicou em seu canal no Youtube um vídeo relativo à posse do ministro Kássio Nunes Marques, esta semana, na presidência do Tribunal Superior Eleitoral.
Ao ser citado o nome do Jorge Messias, que não logrou êxito na tentativa de virar ministro do Supremo Tribunal Federal, a grande maioria dos presentes o aplaudiu, exceções feitas (na mesa que o presidia os trabalhos) aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Não são…
“Essa obra não impede outros investimentos e outras prioridades”, comentou ontem o governador Lucas Ribeiro (PP) no tocante às críticas feitas pelo ex-prefeito pessoense Cícero Lucena (MDB) à construção da ´Ponte do Futuro´, entre Cabedelo e Lucena.
… Excludentes
“Muitos aí que passaram e até prometeram, não cumpriram ou não quiseram fazer. E o Estado pode dar esse novo passo para o desenvolvimento e apontar para o futuro”, acrescentou Lucas.
Avanço
Está em fase final de licitação, após a liberação do projeto pelo Instituto do Patrimônio Histórico da Paraíba, a obra de revitalização do prédio da Prefeitura de Campina Grande na avenida Floriano Peixoto (centro), onde funcionou a Secretaria de Finanças.
Sob análise
Em entrevista ontem, o prefeito Bruno Cunha Lima disse que está em estudo a retomada do programa ´Tarifa Zero´ nos transportes públicos de Campina Grande.
O detalhe
Avalia-se a possibilidade de o dia semanal da gratuidade migrar do sábado para o domingo.
Em evento ontem, o prefeito campinense ´sugeriu´ (na verdade determinou) que os cadernos que serão distribuídos no próximo ano, aos alunos da rede municipal de ensino, estampem nas capas homenagens aos artistas da terra que marcaram a cultural regional.
´Batismo´
Gustavo Braga, que assumiu há algumas semanas o comando da desafiadora Secretaria de Saúde de Campina Grande, concedeu a sua primeira entrevista após ser investido no cargo, ontem, a este colunista, na Rádio Caturité FM (104.1), no Jornal da Manhã – a maior audiência regional no horário.
A seguir, trechos dessa conversa.
Diagnóstico
“Desde o fim de 2024 nós já identificamos oportunidades de trabalhar uma melhor eficiência dentro da gestão da pasta da saúde. Para isso, fizemos a contratação de uma grande consultoria, e passamos o ano inteiro levantando esses dados para poder fazer uma reestruturação, porque vinha, de fato, desde a epidemia, não tendo uma eficiente gestão administrativa e financeira.
Agravamento…
“Por vários motivos. Primeiro, porque o Orçamento Geral da União só foi votado em maio (2025) e as emendas parlamentares que compõem as receitas de qualquer município do país não foram pagas no ano passado.
Em novembro do ano passado, nós chegamos a um plano de ação para que a gente conseguisse reestruturar, a fim de eficientizar os gastos para melhor atender a população.
… Do quadro
“A engrenagem não estava muito azeitada para poder acontecer, e aí o prefeito (Bruno) chegou pra mim e disse que iria precisar que eu o ajudasse, já que eu acompanhei todos esses passos da auditoria e da consultoria ao longo do ano passado.
Por que aceitou o convite?
“Obviamente é um desafio enorme. Mas acredito que pelo trabalho que fizemos na Secretaria de Finanças desde 2021, o prefeito acreditou que teríamos a capacidade de realizar o mesmo na (Secretaria de) Saúde. E eu sou movido a grandes desafios, e não pude deixar de me inserir, porque não temos secretarias diferentes; é uma prefeitura só.
O que apontou a consultoria?
“Os diagnósticos foram inúmeros. O plano de ação tem em torno de 45 ações. Tínhamos sobreposições de especialidades; nós tínhamos concentração de serviços que gerava uma despesa maior de folha. Temos que melhorar o tempo de permanência das pessoas que se hospitalizam, sobretudo, no Hospital Pedro I.
Fio condutor
“Todos os dados e todas as normas preconizadas pelo Ministério da Saúde estão sendo obedecidas nesse plano de ação. E o principal ponto, o cerne, é que a gente traga a assistência básica de saúde para o protagonismo que nunca deveria ter saído dela.
Caminho de volta
“Temos aqui e em todo o país uma ideia hospitalocêntrica – deu algum problema, temos que ir para um hospital. E o principal do plano é reestruturar as UBS (unidades básicas de saúde), para que tenhamos médicos e medicação; para que os casos que chegam nas UPAs (unidades de pronto atendimento) e nos hospitais, que deveriam ser tratados nas bases, perto das pessoas, lá sejam resolvidos.
Caso concreto
Um exemplo: hoje a gente atende, em média, no pronto atendimento do Hospital Pedro I, em torno de 350 pessoas por dia. Apenas 2% delas chegam a ser hospitalizadas – ou seja, a cada 100 pessoas só duas precisam ser internadas. Então, a grande maioria, que está com síndromes leves, deveria estar sendo tratada na saúde básica. E isso aumenta as filas e a irritabilidade de quem precisa verdadeiramente de um hospital.
Se…
Se tivermos a UBS bem estruturadas, salários em dia e funcionários treinados para fazer esses atendimentos – e já começamos a fazer isso -, não será preciso vir tratar uma ´dor de cabeça´. Esses gargalos nos deixam com equipes inchadas, com muita gente para atender, sem a gente de fato tratar o problema., E é isso que preconiza o SUS (Sistema Único de Saúde) (…) Estamos trazendo o SUS para onde ele nunca deveria ter saído.
Ambientes para estagiários
“Fizemos um contrato de parceria com a Unifacisa, porque eles precisam de campo de trabalho para os alunos que fazem Medicina lá (…) Pra isso, vão pagar R$ 700 mil por semestre, em forma de equipamentos para a saúde básica.
Metas
“Nós vivemos em qualquer serviço público o ´paradoxo da qualidade´. Na hora que se faz um trabalho bom, há uma sobrecarga e gera mais demanda (…) Não tenho a pretensão de dizer que resolveremos todos os problemas, porque é humanamente impossível. Mas o nosso plano é focar na unidade básica de saúde.
Em poucas semanas
“Vamos virar de semestre com as unidades básicas de saúde funcionando conforme planeja a Secretaria. A Saúde não pode perder tempo (…) A batida do bombo é forte.
Tamanho dos cortes
“Nós deveremos eficientizar as estruturas da Saúde municipal. Mas não vou me adiantar agora. No tempo certo vamos fazer os anúncios, até para não gerar especulação negativa.
“Reordenamento”
“Fizemos um reordenamento das farmácias municipais. Não adianta a gente ter uma farmácia em cada esquina, se eu não consigo ter o remédio em cada esquina. Não é a farmácia que traz o remédio (…) A logística fica muito difícil e aumenta o descontrole.
Do começo ao fim
“Nós tínhamos o controle dos remédios que são comprados e entregues, mas não tínhamos o controle de quem recebe, da porta de saída (…) Nós tínhamos 87 farmácias e hoje estamos com 47. Mas farmácias abastecidas (…) Até junho, praticamente todos os medicamentos obrigatórios para o município estarão estocados.
“Protagonismo
“Vamos dar a ênfase e o protagonismo que a assistência básica tem que ter, justamente para diminuir essa necessidade de a pessoa ir ao hospital ou à UPA, a não ser que seja estritamente necessário, dentro do protocolo internacional de intermação.
Dupla regulação
“É, de fato, um assunto espinhoso. Nós não chegamos a tratar especificamente sobre ele (…) A gente não tem que trazer o ambiente político ou qualquer outra desavença pessoal para um setor tão importante quanto é a saúde. E estou sentindo a reciprocidade (da Secretaria de Saúde do Estado), para que a gente possa, se ajudando, fazendo uma saúde melhor em Campina Grande.
Pisos salariais
“Essa é outra guerra espinhosa que nós trataremos em breve. E isso tem que ser tratada com uma certa calma, e não na velocidade que eu gostaria.
Presencial
“Vamos, de fato, trazer a marcação de consultas de volta para os postos. É um problema a ser enfrentado, e rapidamente. Não adianta ter um telefone que não funciona. Se não funciona, vai deixar de existir. É como o aplicativo, que é bom para pode acompanhar o exame já marcado.
Ociosidade
“Temos uma taxa de absenteísmo estúpida. Nós disponibilizamos cerca de 78 mil consultas por mês. Dessas 7 mil, a gente tem 47% de consultas que não são realizadas, por diversos motivos.
“Se você checar numa UPA, seis em cada dez pessoas que estão lá buscam atestado médico. Imagine o que é isso! E grande parte é de funcionários da AeC, Orbital e Alpargatas, que têm planos médicos. E aí a gente lota um serviço e deixa de atender pessoas que estão precisando serem tratadas”.
O dito pelo não dito
Ainda Gustavo Braga: “Estive com Dalton Gadelha (…) A mesa de negociação e o diálogo é muito melhor do que qualquer briga judicial”.
O Gaeco continua a ´exumar´ o que foi feito no Hospital Padre Zé de João Pessoa…