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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
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O Domingo de Ramos da Paixão do Senhor introduz-nos no núcleo do mistério pascal, no qual se revela, de modo paradoxal, a realeza de Jesus Cristo: não fundada no poder mundano, mas consumada na oblação da cruz.
Ao entrar em Jerusalém sob aclamações — “Hosana! Bendito Aquele que vem em nome do Senhor!” (Jo 12,13) — o Senhor manifesta que a sua glória coincide com o abaixamento redentor, no qual Deus se deixa encontrar não segundo as expectativas humanas, mas na lógica do amor que se entrega.
Com efeito, como ensina Bento XVI, na cruz “manifesta-se o amor gratuito e misericordioso de Deus” e, nela, se revela a verdadeira potência divina, que não se impõe pela força, mas se doa até o fim para salvar o homem.
Esse mistério não permanece apenas como um acontecimento externo, mas se desdobra na interioridade da nossa vida.
O caminho de Cristo torna-se também o nosso caminho. O Senhor caminha conosco em todos os momentos, mesmo quando não conseguimos acompanhar seus passos.
Nessas horas, somos tentados a pensar que Deus se afastou de nós, mas isso não é verdade. Ele permanece ao nosso lado, sustentando-nos e dando-nos força para não sucumbirmos diante dos sofrimentos.
Essa caminhada de Cristo é profundamente solidária. Ele nos precede para reafirmar que não estamos sozinhos.
A Procissão de Ramos recorda que somos peregrinos neste mundo, chamados a entrar nesse movimento que nos conduz à cruz.
Caminhamos para o alto, caminhamos com Cristo. E ainda que, por vezes, nossos passos vacilem, Ele jamais nos abandona.
Mais ainda, essa procissão que hoje contemplamos é expressão de uma verdadeira profissão de esperança que atravessa toda a história da salvação: desde a criação do mundo, passando pelos pais da fé, pelos santos da Igreja, até alcançar a plenitude no céu.
Não caminhamos sem sentido, nem de modo isolado. Há uma comunhão que nos precede e nos acompanha. Somos parte de um povo que caminha, sustentado pela promessa de Deus, em direção à vida plena.
Quando nos afastamos do Senhor, a vida perde o seu verdadeiro sentido. Passamos a carregar pesos que não vêm d’Ele.
A cruz de Cristo, ao contrário, é redentora e consoladora. Ela pode pesar sobre nossos ombros, mas é carregada na esperança da Ressurreição. Não se trata de um fardo vazio, mas de um caminho que conduz à vida nova.
Ao iniciarmos mais uma Semana Santa, somos convidados a examinar os propósitos que cultivamos ao longo do caminho quaresmal. A fé que professamos não pode ser superficial: ela exige uma adesão concreta, enraizada na realidade da nossa vida.
O “sim” a Deus implica permitir que Cristo seja formado em nós, configurando nossas atitudes aos passos do próprio Senhor.
Se Ele entrou em Jerusalém decidido a passar pela cruz, também nós devemos segui-Lo com essa disposição. Do contrário, carregaremos fardos que apenas nos cansam e nos afastam do verdadeiro sentido da existência.
O Mistério da Morte e Ressurreição de Cristo nos mergulha na confiança em Deus. A cruz pode parecer escândalo e fraqueza diante das nossas limitações, mas, para quem amadurece na fé, ela se revela como caminho de vida e transformação. Quem fixa o olhar no Crucificado descobre o amor que consola e sustenta.
Que a Virgem Maria, fiel discípula que permaneceu aos pés da cruz de seu Filho, seja nosso amparo e consolo quando nos faltar a esperança.
Uma boa e santa Semana Santa a todo o povo paraibano, que tanto ama a Nosso Senhor.
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