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Saúde e Bem-estar
Foto: Rafaela Araújo/Folhapress
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A hipertensão arterial figura hoje como o principal fator de risco para infarto e AVC globalmente.
O grande perigo reside em seu caráter assintomático: a condição pode evoluir de forma progressiva por anos, causando danos severos ao sistema circulatório e a diferentes órgãos antes mesmo que o paciente perceba os primeiros sinais.
Entenda, em sete pontos, o que é a pressão alta, quais são os valores considerados normais, os fatores de risco, as possíveis complicações e como é feito o tratamento.
É a força que o sangue faz contra as paredes das artérias para circular pelo corpo. A pressão arterial é medida por dois números.
O primeiro, chamado sistólico, indica a força do sangue nas artérias quando o coração se contrai.
O segundo, diastólico, mostra a pressão quando o coração relaxa entre os batimentos.
Em uma medida de 120 mmHg por 80 mmHg, o popular “12 por 8”, por exemplo, o 120 corresponde à pressão sistólica, e o 80, à diastólica.
A hipertensão é a elevação persistente da pressão arterial. Na maioria dos casos, trata-se da chamada hipertensão primária, quando não há uma causa única identificável.
A condição costuma resultar da combinação de predisposição genética, ou tendência familiar, com fatores de risco como obesidade, sobrepeso, sedentarismo e consumo excessivo de álcool.
Em uma parcela menor dos casos, a doença é classificada como hipertensão secundária, quando a pressão alta surge como consequência de outra condição de saúde – tumores, lesões renais, estenose da artéria renal (estreitamento da artéria que leva sangue para o rim) ou apneia do sono.
A hipertensão é considerada um dos fatores de risco mais comuns para doenças cardiovasculares e se torna ainda mais frequente com o avanço da idade.
A pressão é considerada normal quando está abaixo de 120 mmHg por 80 mmHg. No ano passado, a SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) passou a classificar o “12 por 8” como pré-hipertensão, como forma de alertar para acompanhamento mais frequente e necessidade de mudanças no estilo de vida.
De acordo com a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, da SBC, valores entre 120-139 mmHg por 80-89 mmHg passaram a ser classificados como pré-hipertensão, indicando maior risco cardiovascular.
Não há indicação de remédio para essa faixa, mas recomenda-se reavaliação periódica e controle de fatores de risco como excesso de peso, sedentarismo e consumo elevado de sal.
Pessoas com pressão entre 130-139 mmHg por 80-89 mmHg podem ser consideradas de alto risco cardiovascular quando apresentam condições associadas como diabetes, doença renal crônica ou lesão de órgão-alvo.
Nesses casos, se mudanças no estilo de vida não forem suficientes, o tratamento medicamentoso poderá ser indicado.
A partir de 140 mmHg por 90 mmHg (14 por 9) o quadro é considerado de hipertensão arterial, diagnóstico que deve ser confirmado com repetidas medições em diferentes ocasiões.
Entre os fatores que favorecem a elevação da pressão arterial estão obesidade, diabetes, colesterol e triglicérides altos, consumo excessivo de sal, ingestão frequente de álcool, tabagismo, sedentarismo e estresse crônico.
Há também uma parcela de pacientes com histórico familiar de pressão alta.
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5. ESTÁGIOS E FORMAS MAIS GRAVES DA DOENÇA
O quadro de hipertensão é dividido em três estágios, conforme a gravidade: estágio 1, quando a pressão varia de 14 por 9 a 15 por 9; estágio 2, entre 16 por 10 e 17 por 10; e estágio 3, quando atinge 18 por 11 ou mais.
Existem ainda classificações relacionadas à evolução e à resposta ao tratamento. A hipertensão resistente ocorre quando a pressão permanece acima da meta mesmo com o uso de três medicamentos em doses adequadas.
Já a hipertensão refratária é mais rara e definida pela persistência do descontrole apesar do uso de cinco fármacos ou mais.
Já a chamada hipertensão maligna é uma forma grave e de rápida evolução, caracterizada por elevação acentuada da pressão acompanhada de lesão aguda de órgãos como rins, retina e cérebro, sendo considerada uma emergência médica.
Quando não é controlada, a pressão alta pode provocar danos progressivos nos vasos sanguíneos e favorecer o desenvolvimento de diversas doenças cardiovasculares.
Entre as principais consequências estão infarto do miocárdio, AVC e insuficiência cardíaca.
A agressão constante às artérias pode levar ao desenvolvimento de aterosclerose, processo de acúmulo de gordura nas artérias.
No cérebro, a hipertensão está associada tanto ao AVC isquêmico, causado pelo entupimento de artérias, quanto ao AVC hemorrágico, provocado pela ruptura de um vaso e sangramento intracraniano.
A pressão alta também pode deixar o coração mais rígido ou mais fraco ao longo do tempo, contribuindo para a insuficiência cardíaca, segundo Eduardo Lima, cardiologista do Hospital Nove de Julho e líder da cardiologia da Rede Américas.
Por ser muito comum e afetar diretamente os vasos sanguíneos, a hipertensão aparece com frequência como o principal fator de risco modificável para doenças cardiovasculares.
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São receitadas medicações anti-hipertensivas para reduzir a pressão arterial.
Existem diversas classes de remédios disponíveis: medicamentos que atuam no sistema hormonal que regula a pressão, bloqueadores de canais de cálcio, diuréticos e betabloqueadores.
Em muitos casos, mais de um medicamento precisa ser usado ao mesmo tempo para controlar a doença – isso ocorre porque a hipertensão envolve diferentes partes do corpo.
Embora existam várias opções de tratamento, a pressão alta exige uso contínuo de medicamentos e acompanhamento médico, e a adesão ao tratamento é um dos principais desafios no controle da doença.
*com informações de Laiz Menezes/folhapress
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