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Alexandre Moura

Alexandre Moura

Engenheiro Eletrônico, MBA em Software Business e Comércio Eletrônico, Diretor da Light Infocon Tecnologia S/A e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP – Associação Brasileira de Fomento à Inovação em Plataformas Tecnológicas.

Principais “riscos” em relação à segurança cibernética para quem usa redes sociais

Por Alexandre Moura
Publicado em 5 de março de 2026 às 8:00

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O uso cotidiano de redes sociais como Instagram, Facebook e WhatsApp consolidou-se como ferramenta essencial de comunicação, marketing e relacionamentos (inclusive institucional), já faz bastante tempo. No entanto, a crescente dependência dessas plataformas tem ampliado, na mesma proporção, a probabilidade de ataques por hackers (criminosos digitais), que utilizam/exploram as vulnerabilidades dessas redes para suas ações criminosas.

Especialistas em Segurança Cibernética (“conjunto de práticas, tecnologias e processos, projetados para proteger computadores, redes, dados e dispositivos móveis, de acessos não autorizados e principalmente, de ataques de hackers”), alertam que os riscos não se limitam ao usuário individual – eles se estendem às empresas e entidades às quais essas pessoas estão vinculadas.

Entre as principais ameaças está a “Engenharia Social”, técnica que explora a confiança, a curiosidade ou o senso de urgência da vítima. Golpes envolvendo links falsos, promoções inexistentes, mensagens alarmistas ou pedidos de ajuda simulados, são cada vez mais sofisticados.

Ao “clicar” em um link malicioso ou fornecer um código de verificação, o usuário pode entregar o controle da própria conta ao criminoso.

Infelizmente, graças ao uso cada vez maior de IA (Inteligência Artificial) pelos criminosos, essa “sofisticação” é o grande desafio sendo enfrentado atualmente.

Principais “Riscos”, em relação à Segurança Cibernética, para quem usa Redes Sociais (II)

Com a utilização de IA é possível fazer “Engenharia Social Hiper-realista”, produzindo e-mails, mensagens e documentos com contextos quase perfeitos”, dificultando muito a descoberta das fraudes. Vídeos e áudios gerados por ou com o auxílio de IA, já estão em níveis de realismo que podem realmente, prejudicar reputações pessoais/corporativas e causar perdas financeiras consideráveis.

A capacidade da IA “de simular vozes”, por exemplo, cria riscos diretos a decisões financeiras e estratégicas, das empresas.

No WhatsApp tem se tornado comum, a “clonagem de contas por meio da captura do código de autenticação enviado por SMS”.

Já no Instagram e Facebook, ataques de Phishing (golpe digital que usa mensagens falsas fingindo ser de fontes confiáveis, visando enganar pessoas e roubar dados) simulam páginas de login idênticas às originais, capturando assim, credenciais de acesso.

Uma vez comprometida, a conta passa a ser utilizada para aplicar novos golpes na rede de contatos da vítima.

Outro risco relevante é a “superexposição de informações pessoais”. Fotos, vídeos, localização em tempo real, rotinas familiares, cargo profissional e até detalhes sobre viagens, podem ser utilizados para fraudes financeiras, extorsão ou roubo de identidade.

Para empresas, a situação é ainda mais sensível. Um colaborador que publica imagens do ambiente interno da organização pode, inadvertidamente, expor informações estratégicas: como layout de segurança, documentos visíveis sobre mesas, crachás com “QR Codes” de acesso ou sistemas abertos em telas de computador.

Em termos técnicos, trata-se do chamado “vazamento indireto de informação”.

Principais “Riscos”, em relação à Segurança Cibernética, para quem usa Redes Sociais (III)

Outro ponto de muita preocupação, refere-se aos “ataques direcionados às organizações (empresas, bancos e órgãos públicos). Perfis corporativos nas redes sociais tornaram-se ativos digitais valiosos.

Além do “dano reputacional”, a invasão de uma conta empresarial, por exemplo, pode gerar prejuízo financeiro direto, seja pela veiculação de anúncios fraudulentos, seja pela manipulação de campanhas pagas e/ou uso de dados de terceiros.

No Brasil, incidentes envolvendo dados pessoais podem gerar responsabilização com base na LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

Se um colaborador utiliza redes sociais corporativas de forma negligente e ocorre vazamento de dados de clientes, a organização pode ser responsabilizada administrativamente e judicialmente.

Há também, o risco de ataques do tipo “BEC” (Business Email Compromise – “Comprometimento de E-mail Comercial”) que na grande maioria das vezes, tem “início nas redes sociais”.

Um hacker coleta informações públicas “sobre hierarquia interna e rotina da empresa”, cria um perfil falso se passando por um diretor ou gerente, “entra” na rede social do colaborador e solicita transferências bancárias ou envio de dados confidenciais por parte do subordinado.

Em um cenário mais complexo, a invasão de uma conta pessoal de um funcionário pode servir como porta de entrada para ataques mais amplos, especialmente quando o mesmo utiliza senhas idênticas ou semelhantes em sistemas corporativos.

Daí a importância de ter senhas bem “robustas” e diferentes, para cada tipo de operação.

Vale destacar que a criação de perfis falsos utilizando nome, logomarca ou identidade visual da empresa é prática comum em fraudes digitais e ficou ainda “mais fácil” com o uso de IA.

Clientes e parceiros podem ser induzidos a realizar pagamentos ou fornecer dados sensíveis, acreditando tratar-se de um canal oficial.

Principais “Riscos”, em relação à Segurança Cibernética, para quem usa Redes Sociais (IV)

Uma preocupação importante é em relação ao uso de “redes Wi-Fi públicas”, normalmente sem proteção adequada.

Aqui o risco aumenta exponencialmente, especialmente no quesito “interceptação de dados”.

Ataques do tipo “man-in-the-middle” (ou “homem no meio”, ocorre quando um cibercriminoso intercepta a comunicação entre duas partes para roubar dados sensíveis, como senhas e informações financeiras), permitem que criminosos capturem informações transmitidas entre o dispositivo (tablet, computador ou smartphone) e a plataforma da rede social (via, por exemplo, “Wi-Fi” e/ou “Bluetooth”).

A ausência de autenticação em dois fatores (conhecida como “2FA”) agrava o cenário, tornando mais fácil a “tomada” de controle das contas.

A mitigação desses riscos depende menos de tecnologia sofisticada e mais de governança e cultura organizacional.

Para pessoas físicas, recomenda-se: 1) Ativar autenticação em dois fatores; 2) Utilizar senhas únicas e complexas; 3) Evitar compartilhamento excessivo de informações pessoais; e 4) Desconfiar sempre, de links e solicitações urgentes.

Para empresas, a adoção de políticas claras de uso de redes sociais, treinamentos periódicos em segurança da informação e monitoramento de menções à marca são medidas essenciais.

Programas de conscientização reduzem significativamente a probabilidade de incidentes decorrentes de erro humano. Lembrando que os “elos mais fracos” da corrente de proteção cibernética são exatamente nós, os humanos!

E em um ambiente digital cada vez mais “hiper conectado” e integrado à vida pessoal e profissional, a segurança cibernética deixou de ser um tema restrito ao setor de TI (Tecnologia da Informação).

Ela se tornou uma responsabilidade compartilhada — individual e corporativa — cuja negligência pode resultar em perdas financeiras, danos reputacionais e comprometimento estratégico.

Desta forma, o “comportamento digital” tornou-se parte da governança e da gestão de riscos de qualquer instituição, com a “prudência e educação digital” tornando-se ativos tão valiosos quanto qualquer investimento financeiro.

Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.

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