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Jornalista, Pós-Graduada em Comunicação Educacional, Gerente de Negócios das marcas Natura e Avon.
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A última Reunião de Estratégia da Gerência Cactos, em João Pessoa, começou antes mesmo de eu cruzar a porta da sala.
Começou no silêncio do quarto de hotel.
Sobre a cama, repousava uma carta. Não era apenas uma carta. Era um relicário de palavras. Densa, perfeita, escrita numa página que parecia ter sido escolhida com o mesmo cuidado com que se escolhe um presente raro. Ao lado, um bombom fino e uma taça grande, personalizada, esperando o brinde de algo que ainda estava por acontecer. Ali, o encanto havia começado. Ali, eu já intuía que aquela reunião não seria comum.
A reunião iniciou como de praxe, com a apresentação dos resultados de 2025. Mas o que era protocolo tornou-se assombro: reconhecimento em cinco importantes indicadores, entre eles o Pódio de Melhor IAP – Índice de Alta Performance de 2025. Foi de tirar o fôlego. Naquele instante, recordei-me das minhas elucubrações silenciosas sobre forma e tempo de permanência naquela empresa transformadora, a Natura, onde iniciei em 1993 com a missão de dar vida a um setor que começava do zero.
Quase trinta e três anos depois, ali estava eu, fechando não apenas o ano de 2025, mas sendo laureada com um prêmio que, para mim, teve o brilho de uma Medalha de Ouro Olímpica. Um ciclo se fechava com excelência, dignidade e honra.
Após o almoço, uma dinâmica sobre boas práticas, ideias e estratégias para aprimorar e uniformizar seguimentos com clareza e qualidade de gestão. Como eu já não fazia parte daquele futuro que se desenhava, pedi permissão à minha GV, Aghata para retornar a Campina Grande. Ela sorriu, com aquele carinho que só os grandes líderes possuem, e disse: “Ainda não.”
Fui ao quarto, respondi algumas demandas e, às 15h, desci novamente. O clima estava diferente. Havia algo suspenso no ar. A projeção foi desligada assim que entrei. Fui convidada a sentar numa cadeira em frente à turma, numa posição privilegiada. Hoje, puxando pela memória, percebo que ali entrei num verdadeiro redemoinho e a ordem dos acontecimentos se embaralhou como num caleidoscópio.
Lembro de Lucielly lendo um texto belíssimo sobre minha jornada de quase 33 anos. Em seguida, a projeção de Faustão anunciando que eu estava no “Arquivo Confidencial”. E então fotos começaram a surgir: momentos, rostos, conquistas. Um filme conhecido que ainda tinha cores, cheiros e pulsações.
Vieram os áudios. Os vídeos. Vozes queridas que ajudaram a erguer as colunas que me sustentam até hoje.
Stellinha, minha ex-Gerente de Vendas, dizendo que eu era referência para ela. Abel Filho, meu atual Gerente de Mercado Caatinga (Nordeste), leve e carinhoso como sempre. Rodrigo Amorim, meu antigo GV, hoje Gerente Mercado Atlântica, com sua inteligência luminosa. Lene, amiga doce que há alguns anos tomou a mesma decisão que agora tomo, de óculos escuros e chapéu de praia, convidando-me para apreciar o mar. Dudu, elegante e refinada, mulher de presença marcante. E então… Odilon Guerra.
Ah, Odilon.
Gestor que levo no coração da forma mais bela. O que tanto me ensinou, estimulou e ajudou a ser melhor como profissional e como ser humano. Suas palavras me desmontaram.
Foram diversos recadinhos do coração de muita gente doce e querida, amigas, lideres, consultoras…. E o meu, já tão mexido, balançava como se fosse despencar.
Mas ainda não havia terminado.
Aghata me presenteou com uma belissima pulseira da Vivara. Uma peça delicada e simbólica, e cada uma das 14 Gerentes de Negócios colocou um pingente na pulseira, explicando o significado de sua escolha. Era como se cada uma deixasse ali um fragmento de profecia para meu futuro.
Depois vieram as rosas brancas.
Rosas que carregam uma simbologia imensa na cultura da Natura, desde a fundação de sua primeira loja. Elas encheram meus braços. Perfumaram-me de amor. Era como se cada pétala dissesse: missão cumprida!
E quando pensei que o coração não suportaria mais emoção, a porta se abriu.
Entraram meus filhos, Álvaro Neto e Arthur, e meu marido, Álvaro Barros. Flores nas mãos. Amor nos olhos. Não acreditei. A quarta-feira é o dia mais intenso de trabalho para eles. Não podiam se ausentar. Mas foram.
O coração acelerou como no retorno de uma antiga arritmia. Senti-me novamente dentro de um caleidoscópio de luzes e cores. E pensei, com a sinceridade de quem toca o ápice de um sentimento: Se eu morresse agora, morreria feliz.
A noite encerrou-se no elegante rooftop do Bara, em clima de celebração, alegria e dignidade. Um encerramento de ciclo à altura da jornada. Um dos mais belos momentos da minha vida profissional.
Esse dia memorável povoará minha memória por muitos anos. Será sempre alimentado pelo nobre sentimento de gratidão por ter tido ao meu alcance uma ferramenta poderosa para transformar vidas, muitas vidas, inclusive a minha.
Para finalizar, me ocorre um texto de Mário Quintana, que dedico as amigas queridas do Quinteto Abençoado: Wilminha, Lucielly, Giovanna e Jovercina: ‘As pessoas não se precisam, elas se completam…não por semem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegria e vida’.
Agora, é tempo de aproveitar a vida.
É tempo de viver esta bem-vinda e abençoada segunda aposentadoria, com a serenidade de quem cumpriu sua missão, agora mais que nunca, com o coração eternamente perfumado de rosas brancas.
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
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