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Jornalista, Pós-Graduada em Comunicação Educacional, Gerente de Negócios das marcas Natura e Avon.
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Passamos boa parte da vida pedindo permissão.
Permissão para entrar, para sair, para falar, para amar, para mudar. Pedimos licença para ocupar espaços, para expressar opiniões, para sermos quem somos. E, não raro, a resposta vem em forma de negativa. Às vezes delicada, às vezes brutal. Às vezes dita em voz alta. Outras, apenas insinuada por um olhar de reprovação.
Mas, curiosamente, as negativas mais dolorosas não costumam vir dos outros: Vêm de nós.
Ao longo da vida, tornamo-nos especialistas em conceder permissões alheias e negar as próprias. Quantas vezes calamos uma verdade para não constranger alguém? Quantas vezes engolimos um incômodo para sermos educadas? Quantas vezes aceitamos o desconforto para evitar um tumulto que nem sequer provocamos?
Existe uma ironia subliminar nisso tudo: o “sim” que dou ao outro, sem convicção, muitas vezes é o “não” que ofereço voluntariamente a mim mesma. E assim seguimos.
Exemplo simpes. Amanhecemos felizes, leves, iluminadas por uma alegria sem motivo aparente, mas nos recusamos a vestir aquela roupa bonita porque não é fim de semana. Guardamos a bolsa desejada para uma ocasião especial. Reservamos os melhores sapatos para festas e jantares, como se a vida precisasse de autorização formal para acontecer.
Talvez tenhamos aprendido isso ainda na infância. Talvez tenha sido a herança carinhosa das mães e avós que separavam as roupas de domingo das roupas de semana, os copos de visita dos copos de uso diário, os melhores lençóis para ocasiões que quase nunca chegavam.
Mas a pergunta permanece: Quem é que me impede hoje? Quem exatamente proibiu que eu use minha melhor roupa numa segunda-feira comum? Que eu carregue minha bolsa favorita para ir ao supermercado? Que eu use o perfume especial para ficar sozinha em casa lendo um livro? Quem assinou esse decreto imperceptivel?
A verdade é que, muitas vezes, a carcereira da nossa liberdade mora dentro de nós.
Não nos permitimos quando ouvimos mais as expectativas dos outros do que os desejos do nosso coração.
Não nos permitimos quando deixamos de sair, de viajar, de experimentar algo novo, porque talvez encontremos pessoas cuja companhia não apreciamos.
Não nos permitimos quando damos importância excessiva ao olhar alheio, como se os outros passassem os dias pensando em nossas escolhas, quando, na realidade, estão ocupados demais tentando resolver as próprias vidas.
A boa notícia é que o tempo, esse professor severo e generoso, costuma nos ensinar algumas coisas. Chega uma fase da vida em que a energia negativa dos outros já não encontra abrigo dentro de nós. Construímos, sem perceber, uma fortaleza emocional feita de cicatrizes, experiências e autoconhecimento. E tudo aquilo que antes nos atingia passa a apenas tocar a superfície e retornar ao remetente.
A opinião do outro torna-se exatamente isso: a opinião do outro.Nada mais. Nada menos.
Este é um assunto profundo, daqueles que merecem mais páginas do que esta coluna pode oferecer. Talvez voltemos a ele outro dia.
Mas uma coisa aprendi, e agradeço profundamente aos anos, por esse presente chamado maturidade: hoje me permito muitas coisas que durante décadas me neguei.
Desaprendi a pedir licença para inúmeras bobagens que jamais precisaram da aprovação de ninguém.
Aprendi que, em muitos casos, é melhor pedir desculpas do que pedir permissão. Porque quando pedimos desculpas, a vida já aconteceu. O passo já foi dado. O sonho já foi tentado. A experiência já foi vivida.
E existe uma enorme diferença entre quem vive esperando autorização e quem assume a responsabilidade pelas próprias escolhas. Talvez seja isso que chamamos de coragem, ou liberdade, ou simplesmente maturidade.
Por isso, não peça licença para realizar seus sonhos. Não peça autorização para ser feliz. Não aguarde um carimbo de aprovação para tentar as batalhas que pertencem somente a você.
A vida passa depressa demais para ser vivida na sala de espera das permissões.
Vista a roupa bonita. Use a louça especial. Calce os melhores sapatos. Compre flores para si mesma.
Diga o que precisa ser dito com seu jeito e sua verdade, não morra envenenada por coisas que sufocaram sua garganta e amargaram seu coração. E se não puderem ser ditas, que sejam rasgadas. Só não permita que façam morada em você.
E ocupe o lugar que sempre foi seu.
Porque, no final disso tudo, a permissão mais importante que você receberá na vida é aquela que tiver a coragem de conceder a si mesma.
Veja a coluna anterior:
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