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Saúde e Bem-estar
Foto: ParaibaOnline/Arquivo
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A coordenadora de Saúde Mental de Campina Grande, Lívia Sales, concedeu entrevista à Rádio Caturité FM nesta quarta-feira (14) e destacou a importância do Janeiro Branco, campanha nacional dedicada à conscientização sobre a saúde mental e emocional da população.
Durante a conversa, Lívia ressaltou que o adoecimento psíquico não acontece de forma repentina e que os sinais costumam surgir de maneira gradual, muitas vezes ignorados pelas próprias pessoas. Segundo ela, é fundamental compreender que qualquer indivíduo pode enfrentar transtornos mentais, independentemente da idade, nível de escolaridade, classe social ou ambiente de trabalho.
“Há um caminho ainda a ser percorrido, embora já se tenha caminhado, mas nós precisamos sim entender que a saúde mental, de fato, é uma demanda de qualquer um de nós. Ninguém adoece da noite para o dia. Os sinais vêm devagar e muitas vezes nós ignoramos, achando que acontece com todo mundo, menos comigo. Mas qualquer um de nós pode adoecer e ter um transtorno psíquico, por isso precisamos falar sobre esse tema e torná-lo algo comum no dia a dia”, destacou.
A coordenadora enfatizou que falar sobre emoções, sentimentos e vivências cotidianas é uma forma eficaz de prevenção, evitando que o sofrimento se torne mais intenso. Para ela, o Janeiro Branco vai além do incentivo à busca por ajuda profissional e envolve também o papel social de acolhimento e empatia.
“Quando a gente traz o tema à tona, consegue prevenir muito desse sofrimento intenso que tem repercutido na população. Janeiro Branco não é só dizer ‘procure ajuda’, é refletir sobre quem somos diante de quem precisa, como acolhemos, como quebramos nossos próprios preconceitos”, afirmou.
Lívia Sales também chamou atenção para o estigma ainda existente em relação à saúde mental, especialmente ao preconceito enfrentado por quem procura atendimento psicológico. Ela citou, como exemplo, situações vivenciadas por adolescentes que deixam de buscar ajuda por medo de julgamentos e brincadeiras nas redes sociais.
“Existe muito preconceito, tanto de terceiros quanto da própria pessoa, que tem medo de ser vista como frágil ou incapaz. Isso afasta principalmente os jovens dos serviços. Já tivemos adolescentes que relataram vergonha de procurar o CAPS por causa de piadas feitas na escola. Esses memes e brincadeiras acabam dificultando o acesso a serviços que são muito sérios”, explicou.
Outro ponto abordado na entrevista foi o acesso aos serviços públicos de saúde mental, especialmente para quem não pode arcar com atendimento particular. A coordenadora garantiu que a rede municipal está preparada para atender a população.
“Nem todo mundo pode pagar um psicólogo, mas todos têm direito ao atendimento pelo SUS. Campina Grande conta com uma rede de atenção psicossocial estruturada, com CAPS, Ambulatório de Saúde Mental, Centro de Convivência, suporte de emergência e acompanhamento psicológico e psiquiátrico também em policlínicas e unidades básicas de saúde”, reforçou.
Por fim, Lívia Sales destacou que o Janeiro Branco é um convite coletivo à reflexão, ao cuidado e à responsabilidade social, reforçando a importância de falar sobre saúde mental de forma aberta, acessível e sem preconceitos.
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