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Benedito Antonio Luciano

Benedito Antonio Luciano

Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

O Último Pistoleiro

Por Benedito Antonio Luciano
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 8:00

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O Último Pistoleiro (“The Shootist”, 1976) é o título em português do último filme estrelado por John Wayne (1907-1979), o mais famoso ator do gênero faroeste do cinema norte-americano. Nesse filme, ele interpreta o personagem John Bernard Books, um dos melhores atiradores do Oeste, que ao ser diagnosticado com câncer em estágio terminal, retorna à cidade onde nasceu, para que pudesse morrer em paz e com dignidade.

Baseado no livro “The Shootist”, do escritor americano Glendon Swarthout (1918-1992), e dirigido por Don Siegel (1912-1991), O Último Pistoleiro é um bom filme, mas não está incluído pela crítica especializada entre os clássicos do faroeste, entre eles o famoso “Rastros de Ódio” (“The Searchers”, 1956), dirigido por John Ford (1894-1973), com John Wayne no papel principal.

A direção de Siegel é discreta, como se sobre ele pairasse o peso do carisma de John Wayne. Igualmente discreta é a trilha sonora de Elmer Bernstein (1922-2004), que só se destaca em alguns momentos de tensão. Merecem também destaque a fotografia, o ritmo narrativo e a composição de personagens secundários.

Antes dos créditos, na abertura do filme, em montagem acelerada, são exibidas cenas curtas, em preto e branco, de antigos faroestes clássicos com John Wayne em ação, sem citar os títulos, apenas as datas nas quais as ações teriam se passado: 1871, 1880, 1885, 1889 e 1895.

Depois dos créditos, há o tradicional plano geral – aquele em que a câmera mostra um enquadramento amplo da paisagem, com altas montanhas ao fundo e um cavaleiro solitário, vindo não se sabe de onde, em direção ao espectador.

No caminho, com destino a Carson City, Books é abordado por um salteador que, de arma em punho, exige que lhe seja entregue a carteira. Calmamente, Books enfia a mão no bolso interno do casaco – joga a carteira no chão, na direção do bandido, e, ao mesmo tempo, atira uma bala na barriga do assaltante.

O bandido cai no chão, retorcendo-se e gritando de dor. Books diz que ele não vai morrer e exige que o sujeito pegue a carteira no chão e a devolva. O bandido obedece e, antes de seguir em frente, Books dá um conselho ao baleado: – “Arranje outra profissão, porque nessa você não é bom”.

O dia da chegada de Books a Carson City, Nevada, EUA, é 22 de janeiro de 1901, em um contexto em que o antigo ambiente começa a dar lugar à modernidade. Lemos na tela que este é o “Primeiro Dia” e os fatos relativos à permanência de Brooks nessa cidade são relatados até o “Oitavo Dia”.

O clima de transição vivenciado pelo personagem Brooks, desde sua chegada a Carson City até sua morte em um duelo, é explicitado na fala do xerife da cidade:

– “Books, estamos em 1901. Os velhos tempos acabaram, e você não ficou sabendo. Temos água encanada, luz, telefone, e no ano que vem teremos asfalto e os bondes serão movidos a eletricidade. Quando nos livrarmos de gente como você, isso aqui será como o Jardim do Éden. Para resumir, o seu tempo passou. ”

Assim, se desenrola o filme, em cujo elenco se destacam atores veteranos convidados que contracenaram com John Wayne em outras oportunidades: James Stewart (Dr. Hostetler), Lauren Bacall (Bond Rogers), Ron Howard (Gillon Rogers), Richard Boone (Mike Sweeney), John Carradine (Hezekiah Beckum), Scatman Crothers (Moses Brown) e Harry Morgan (Delegado Walter J. Thibido).

Indicado ao Oscar de melhor direção de arte, O Último Pistoleiro é considerado por alguns analistas do gênero como o “melhor faroeste tardio” de John Wayne, pois sintetiza toda a sua trajetória e ressignifica o mito do personagem e do próprio ator diante da proximidade da morte.

Talvez, o mérito maior de O Último Pistoleiro seja o de que, nele, o protagonista principal não é retratado como um herói invencível, inflexível, sem falhas, mas como um homem que precisa conviver com o peso de sua própria lenda, com a habilidade que lhe deu fama e, ao mesmo tempo, o condenou a viver na solidão e a morrer de forma trágica.

Em síntese, O Último Pistoleiro é mais do que um simples faroeste: é uma obra que reflete sobre o fim de um ciclo, tanto do personagem quanto da carreira de John Wayne. Assim, o filme funciona como um crepúsculo simbólico do Velho Oeste e como um espelho da própria condição humana diante da inevitabilidade da morte.

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