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Turismo & Gastronomia
Foto: Secom-PB/Arquivo
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O aumento do preço do querosene de aviação e a valorização do dólar têm provocado mudanças no planejamento das companhias aéreas e preocupado o setor de turismo. O cenário foi analisado pelo agente de turismo Alessandro Sousa, durante a coluna “Pé na Estrada”, que destacou a redução da oferta de voos, a possibilidade de aumento nas tarifas e os impactos para os passageiros.
Segundo Alessandro, o último trimestre de 2026 tem levado empresas aéreas de diferentes países, especialmente do Brasil, a rever projetos e adotar medidas de contenção de custos, já de olho em 2027.
O especialista explicou que as companhias estão readequando suas operações, com a redução da quantidade de voos em determinadas cidades, inclusive capitais, para concentrar os passageiros em horários de maior procura e melhorar a ocupação das aeronaves.
“Com o combustível mais caro e o dólar próximo de R$ 5,50, as empresas buscam otimizar as operações e reduzir despesas”, explicou.
Durante a conversa, Alessandro destacou uma contradição no setor: enquanto operadoras de turismo e o próprio Ministério do Turismo intensificam a divulgação do Brasil como destino turístico, as companhias aéreas reduzem a oferta de voos.
Na avaliação do agente de turismo, a diminuição da quantidade de operações tende a pressionar os preços das passagens, tanto nos trechos nacionais quanto nos internacionais. Como exemplo, ele citou a rota entre João Pessoa e Brasília.
“Caso uma companhia reduza de três para apenas um voo diário, a tendência é que a operação restante concentre mais passageiros, fazendo com que as tarifas aumentem mais rapidamente”, pontuou.
Alessandro também explicou que nem sempre um voo lotado representa uma operação lucrativa para a companhia aérea. Segundo ele, a rentabilidade depende não apenas da quantidade de passageiros, mas também do valor das passagens comercializadas e dos custos envolvidos.
Já em relação aos voos concentrados em determinados horários, o especialista ponderou que as companhias também levam em consideração a procura dos passageiros por horários específicos.
“Em uma rota com voos às 4h, às 8h e às 11h, por exemplo, a operação das 11h pode apresentar maior procura por ser considerada mais atrativa pelos passageiros. Nesse cenário, a empresa pode oferecer tarifas menores nos horários de menor demanda e cobrar valores mais elevados no voo mais procurado”, disse.
No entanto, se as tarifas dos horários menos disputados não forem suficientes para cobrir os custos operacionais, a companhia pode optar por retirar uma dessas frequências e concentrar os passageiros no voo mais rentável.
Dessa forma, Alessandro ressaltou que a ocupação elevada de uma aeronave não significa necessariamente que aquela operação esteja gerando lucro.
Questionado sobre a pouca presença de empresas aéreas estrangeiras no mercado brasileiro, Alessandro apontou a elevada carga tributária, os custos operacionais e a desvalorização do real como fatores que dificultam a entrada de novas companhias.
Segundo ele, as empresas precisam lidar com despesas vinculadas ao dólar, enquanto parte significativa de suas receitas é obtida em reais.
“Essa diferença cambial, somada aos impostos e às taxas cobradas no Brasil, reduz a atratividade do mercado”.
O agente de turismo também comentou a estrutura societária das companhias que operam no país, citando a participação de grupos e investidores estrangeiros no setor.
Outro assunto abordado na coluna foi a mudança no calendário de operações da Gol Linhas Aéreas em Campina Grande.
De acordo com Alessandro, a companhia havia informado anteriormente que manteria os voos na cidade até 31 de janeiro de 2027. No entanto, o planejamento foi alterado, e a retirada das operações foi antecipada para 29 de dezembro de 2026.
Com a saída da Gol, Campina Grande deverá continuar contando com operações da Latam e da Azul.

Foto: ParaibaOnline
O especialista demonstrou expectativa de que a Azul possa voltar a ampliar sua presença no mercado local a partir do segundo semestre de 2028, período em que está prevista a chegada de novas aeronaves E2, da Embraer. A possibilidade, porém, dependerá das condições econômicas e das estratégias comerciais da companhia.
Alessandro também orientou os passageiros que possuem passagens da Gol para datas a partir de 30 de dezembro de 2026 a procurarem os canais de atendimento da empresa ou o local onde adquiriram os bilhetes para solicitar a reacomodação.
Segundo ele, a agência de turismo em que trabalha está oferecendo a transferência dos passageiros para voos com saída de João Pessoa, sem cobrança adicional pela reacomodação. Os custos de deslocamento até a capital paraibana, tanto na ida quanto na volta, ficam sob responsabilidade dos passageiros.
O especialista alertou que deixar para resolver a situação diretamente no aeroporto pode trazer dificuldades, principalmente por causa da alta temporada de férias e do período de Carnaval.
Embora a companhia deva manter funcionários no aeroporto de Campina Grande por aproximadamente 30 dias para prestar suporte aos passageiros, a disponibilidade de vagas em outros voos poderá ser limitada.
Por isso, Alessandro recomendou que os clientes procurem antecipadamente a reacomodação, evitando deixar a resolução para a data da viagem.
O agente de turismo destacou que a mudança afeta passageiros que já haviam comprado bilhetes para as férias de janeiro e o período de Carnaval, exigindo reorganização dos planos de viagem.
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