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Turismo & Gastronomia

Menor quantidade de cacau deixa ovos de Páscoa com pior qualidade nutricional

Da Redação*
Publicado em 4 de abril de 2026 às 9:00

cacau

Foto: Danilo Verpa/Folhapress

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As tradicionais fileiras de ovos de Páscoa que dominam os supermercados nesta época do ano escondem um detalhe crucial que vai além do preço: a concentração de cacau.

Segundo especialistas, quanto menor a quantidade de cacau, pior é a qualidade nutricional do chocolate. Isso porque, no lugar dele, os fabricantes incluem mais açúcar e gordura.

O problema é que, na prática, rótulos de ovos de Páscoa e barras de chocolate não mostram a quantidade de cacau presente no produto, o que dificulta a escolha do consumidor por opções mais saudáveis – ou menos prejudiciais à saúde.

“O ideal é sempre optar por produtos que informem a porcentagem de cacau, para que seja possível escolher aqueles com maior concentração. Quando essa informação não está presente, já é um indicativo de que não se trata de um bom chocolate do ponto de vista nutricional”, diz a bióloga e nutricionista Yasmim Duro, especialista em emagrecimento e metabolismo.

Na ausência de informação clara sobre o teor de cacau, a escolha do produto pode ser feita por outros critérios. Um dos principais é observar a quantidade de ingredientes.

“Quanto menor for a lista, melhor”, diz Duro, pois isso geralmente indica menor presença de aditivos, como aromatizantes, gorduras e açúcares.

Também é importante verificar a posição do açúcar na lista de ingredientes.

Em muitos casos, ele aparece como o primeiro item, sinal de que está presente em maior quantidade.

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Além disso, o açúcar pode surgir com outros nomes, como sacarose, o que pode confundir o consumidor e mascarar sua real presença no produto.

“Se o açúcar aparece como primeiro ingrediente, estamos diante de um chocolate com baixa densidade de cacau. O ideal é que os primeiros itens sejam massa de cacau, liquor de cacau ou cacau em pó”, diz o nutrólogo Murilo Monteiro.

Outro ponto de atenção é a tabela nutricional, diz Duro, especialmente o item “açúcares adicionados”.

Diferentemente dos açúcares naturalmente presentes nos ingredientes, esses são incluídos durante a fabricação para adoçar o produto.

Assim, quanto menor a quantidade de açúcares adicionados, melhor tende a ser a qualidade nutricional do chocolate.

“Chocolates que contêm menos de 10 gramas de açúcar por porção – cerca de 25 gramas – geralmente apresentam maior concentração de cacau”, afirma Monteiro.

Na avaliação do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), as regras atuais de rotulagem não garantem transparência suficiente ao consumidor.

Embora os ingredientes sejam listados em ordem decrescente de quantidade, a ausência de informação sobre o percentual de cacau dificulta a compreensão real da composição.

Diferenças na prateleira

Uma regra da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estabeleceu que, para o alimento ser considerado chocolate de verdade, precisa ter no mínimo 25% de cacau – com exceção do branco, que exige ao menos 20% de manteiga da fruta. Abaixo disso, o rótulo precisa dizer “cobertura sabor chocolate” ou “alimento sabor chocolate”.

Essa diferença aparece nas prateleiras de forma pouco visível, geralmente em letras pequenas na embalagem, enquanto a palavra “chocolate” ganha destaque em tamanho muito maior.

Os resultados mostram que chocolates ao leite, branco e meio amargo, independentemente da classificação, apresentavam entre 25% e 30% de cacau. Já os produtos rotulados como amargos, que diziam ter 60% de cacau, tinham, na verdade, entre 25% e 30% também.

“Na prática, o consumidor brasileiro vem sendo exposto a produtos que não entregam os benefícios associados ao cacau e, quando consumidos em excesso, podem contribuir para problemas como obesidade, resistência à insulina e outras doenças metabólicas”, diz Eunice Gutzeit, vice-presidente da ANPC (Associação Nacional dos Produtores de Cacau).

Produção

No Brasil, a produção anual de cacau gira em torno de 200 mil toneladas, enquanto o consumo varia entre 250 mil e 270 mil toneladas, segundo a Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados).

A diferença é suprida por importações, o que fez com que a alta do preço lá fora também impactasse os preços no mercado brasileiro.

Os grandes fabricantes do chocolate não compram cacau, mas outros dois componentes da fruta: a massa, responsável pelo sabor e pela cor, e a manteiga de cacau, a gordura nobre que dá textura e cremosidade ao produto. É essa manteiga que diferencia a qualidade do chocolate.

“Como a manteiga de cacau é o ingrediente mais caro, muitas indústrias utilizam quantidades menores e recorrem a gorduras vegetais para ajustar textura e custo”, diz Lucas Rocha, chefe de confeitaria do Le Cordon Bleu Brasil.

Efeitos positivos

O cacau é o principal responsável pelos efeitos positivos atribuídos ao chocolate.

Rico em flavonóis e polifenóis, compostos bioativos com ação antioxidante, está associado à proteção cardiovascular, melhora da circulação, regulação da pressão arterial e redução de processos inflamatórios.

Além disso, o cacau contém substâncias como a feniletilamina e a teobromina, relacionadas à sensação de bem-estar, assim como minerais essenciais, como magnésio e ferro.

“Quanto mais cacau, melhor para a saúde”, diz o médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia). Ele afirma, porém, que isso não torna o chocolate isento de açúcar e calorias

*com informações de Vitor Hugo Batista/folhapress

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