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Turismo & Gastronomia
Foto: Folhapress
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Vídeos que circulam nas redes sociais neste mês apresentam uma paisagem que parece saída de um filme: águas calmas, transparentes e completamente iluminadas sob o céu noturno.
O cenário é a Praia da Redinha, em Natal (RN), que se tornou o fenômeno deste verão. No entanto, o “boom” do banho de mar na madrugada potiguar já repercute na Paraíba, onde banhistas começam a buscar experiências similares em trechos iluminados da orla de João Pessoa e Cabedelo.
Enquanto a capital vizinha lida com multidões atraídas pela iluminação do novo Mercado Público, a capital paraibana consolida sua própria estratégia turística.
O movimento em Natal serve de termômetro para o setor local, visto que o turismo impulsiona hotéis de João Pessoa e aumenta busca por profissionais bilíngues, indicando que a demanda por serviços diferenciados na orla paraibana nunca foi tão alta.
A “Redinha Miami”, como vem sendo chamada no TikTok, reflete uma tendência de ocupação do espaço público que exige ordenamento — um desafio que João Pessoa já monitora de perto, especialmente agora que se destaca entre os destinos litorâneos mais procurados no Carnaval.
No Rio Grande do Norte, o banho noturno trouxe faturamento recorde para o comércio, mas também alertas das autoridades sobre a segurança no mar após as 19h.
Vídeos apresentam uma paisagem idílica. É noite e as águas calmas e transparentes do mar são iluminadas pelas luzes que vêm do Mercado Público. Ao fundo, a ponte Newton Navarro, que liga a zona leste de Natal ao litoral norte, emoldura o cenário.
Em um dos vídeos que ganharam as redes sociais neste mês, um frequentador diz que estava na Redinha às 21h e o local, completamente lotado.
O banho de mar noturno na praia da Redinha logo se tornou uma febre do verão da capital potiguar, chegando a ficar lotada inclusive nas madrugadas.
A Redinha está localizada na zona norte de Natal, a 8 quilômetros do centro da cidade e próxima a outros pontos turísticos locais, como a praia de Genipabu e o Forte dos Reis Magos.
O trecho que caiu nas graças repentinas do público é conhecido pelas águas calmas e cristalinas na maré cheia, tendo a ponte Newton Navarro e um Mercado Público entre os cenários principais.
É do Mercado, reinaugurado em dezembro de 2024 pela prefeitura como espaço para alimentação, artesanato e cultura, que vem a maior parte da iluminação refletida na água.
A praia ganhou as redes a partir de um vídeo da influenciadora Cecilia Karolyne dos Santos, 22, em que ela aparecia nadando na praia durante a noite. Desde então, multidões passaram a ocupar a areia, as pedras, o deque do mercado e o mar.
Os vídeos registram milhões de visualizações, com legendas como “a Redinha virou Miami?”, “paraíso no quintal de casa” e “o Caribe potiguar”.
O fenômeno de lotação em praias nordestinas não é exclusividade potiguar; em solo paraibano, o turismo impulsiona hotéis de João Pessoa e região litorânea e aumenta busca por profissionais bilíngues, refletindo um aquecimento similar no setor.”
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A reportagem visitou a praia no último dia 12, quando a noite começou chuvosa, mas o sinal de mau tempo não intimidou os visitantes, que chegavam à praia com coolers com bebidas e petiscos. O trânsito estava tranquilo, mas no fim de semana houve filas de carros e dificuldade para estacionar.
Maria Vitória Teixeira, de 22, foi ver de perto a novidade. “Eu achei tão bonito quando vi. É no Instagram, no Facebook, no TikTok não aparece outra coisa. A Redinha está em todo canto”, disse ela, após experimentar, pela primeira vez, o banho de mar noturno.
O corretor de imóveis Marcelo Leal, 44, saiu da zona sul de Natal com os filhos para curtir um banho de mar por volta das 20h.
ÁGUAS CALMAS
Ele destaca as águas calmas como ponto alto da praia, mas afirma que é preciso melhorar a estrutura de acesso: “Tem muita pedra solta”, disse ele, em referência ao enrocamento, estrutura instalada para conter a erosão marinha.
A iluminação do trecho que ganhou fama vem do Mercado Público, que reabriu as portas em dezembro de 2025, após meses fechado. O equipamento funciona até as 19h e tem servido de mirante para quem quer apenas observar o movimento.
O fluxo de consumidores ganhou embalo com o banho noturno: “[O movimento] está excepcional. Dobrou, triplicou”, disse a garçonete Wenny Shirley, 28.
Cristina Jordânia, 32, também fez uma renda extra. Ela trabalha no ramo de coquetéis e diz nem saber quantas caipirinhas e outros drinks serviu no último sábado, quando o movimento na areia e na água seguiu até 4h da madrugada.
COMÉRCIO INFORMAL
O movimento fez a prefeitura fechar o cerco aos ambulantes. Ao todo, 63 que atuavam no local receberam notificações, com a determinação de saída imediata. Para trabalhar eles terão de fazer um cadastro.
Na segunda-feira, eram poucos os que vendiam bolos, churrasco, pastéis, sobremesas e porções de ginga com tapioca a iguaria mais famosa da praia e um dos símbolos da culinária do Rio Grande do Norte.
Na última semana, as águas cristalinas deram lugar a um tom mais esverdeado. O biólogo Paulo Gerson de Lima, professor da Universidade Potiguar, afirma que a mudança é causada por algas microscópicas que crescem em ambientes enriquecidos por material orgânico de manguezal.
“É um processo natural, um fenômeno temporal”, afirma, destacando que a dinâmica costeira deve renovar as águas em breve. Enquanto a mudança não chega, a recomendação é evitar o banho: “Como o local fica numa área estuarina, com influência do manguezal, as águas ficam mais orgânicas, com possibilidade de presença de coliformes fecais”.
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A reportagem questionou a prefeitura sobre investimentos previstos para a área e quando devem chegar ao público, mas não houve resposta.
Segundo comunicados oficiais, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo elabora um projeto que prevê uma rampa de acesso à praia, reforço na iluminação pública, ampliação da limpeza urbana, ordenamento do trânsito e do comércio.
Um pedido de destacamento de guarda-vidas foi feito na segunda-feira e está sendo avaliado pelo Corpo de Bombeiros, que diz ter um efetivo já comprometido com a Operação Verão. A corporação alerta que, à noite, a visibilidade no mar é reduzida, dificultando a identificação de buracos e correntes de retorno.
EMBARCAÇÕES
Alheios a potenciais riscos, banhistas se espalham entre as pequenas embarcações na areia da praia, enquanto caixas de som tocam trap, pagode e forró.
“Isso está no auge. É uma diversão sadia, familiar, que aguça a curiosidade”, afirma a operadora de caixa Eleni Santos, 55, que chegou à praia ainda de tarde e emendou para o banho noturno.
Lucas Gabriel, 15, diz que a luz refletida no mar é como um convite irrecusável: “É que a água brilha”.
*RENATA MOURA/folhapress e redação local
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