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Saúde e Bem-estar
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo
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A falha em combater o estigma social em torno do HIV pode causar cerca de 440 mil mortes evitáveis nesta década, segundo projeção de uma pesquisa internacional de opinião pública realizada pela iniciativa não governamental Tackle HIV.
“Esse estigma traz impactos enormes para a sociedade em geral: seja o medo de fazer o teste, o medo de tomar os medicamentos ou o medo criado pelo preconceito de conviver com pessoas que vivem com HIV”, afirma o representante e um dos idealizadores do projeto, Gareth Thomas.
Segundo a plataforma, os avanços científicos são históricos, porém, o medo afasta as pessoas da testagem e do início do tratamento. Embora novas infecções por HIV e mortes relacionadas à Aids tenham atingido os menores níveis globais em 2025, em 21 países de três regiões — entre eles o Brasil — o número de casos aumentou.
De acordo com informações do Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, que reúne dados do ano anterior, foram notificados 39.216 casos de infecção pelo HIV no país. A maioria (38,4%) foi registrada na Região Sudeste.
Thomas acredita que a pesquisa é importante para compreender como diferentes locais respondem a uma mesma situação e, a partir disso, desenvolver soluções adaptadas às demandas de cada região.
“Toda vez que vamos a um novo país ou a uma nova região, fazemos uma pesquisa com os moradores locais para entender o trabalho que precisamos realizar ali, seja focado em uma determinada característica ou em um grupo específico”, afirmou, após desembarcar no Rio de Janeiro para a 26ª Conferência Internacional de Aids, maior evento global sobre a doença, sediado pela primeira vez no Brasil.
Desinformação
A pesquisa aponta que 36% dos brasileiros entrevistados acreditam que homens heterossexuais não correm risco de contrair o HIV. Entre as mulheres heterossexuais, essa percepção é compartilhada por 37% dos participantes. Ao todo, 2.006 adultos brasileiros responderam aos questionários online.
Apenas 48% dos entrevistados já haviam feito o teste de HIV. Entre os 40% que cogitaram realizar o exame, a maioria desistiu por considerar que “não está em risco”.
Outro dado mostra que 19% ainda acreditam que pessoas vivendo com HIV não podem manter uma vida sexual ativa. Apenas 29% sabiam que pessoas em tratamento eficaz e com carga viral indetectável não transmitem o vírus em relações sexuais.
Unaids 2030
Alinhado à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) estabeleceu metas para erradicar a Aids como ameaça à saúde pública.
Entre elas estão os objetivos “95-95-95”, já alcançados por países como Botsuana, Ruanda, República Unida da Tanzânia e Zimbábue. Isso significa que 95% das pessoas que vivem com HIV conhecem seu diagnóstico; 95% das pessoas diagnosticadas estão em tratamento antirretroviral; e 95% das pessoas em tratamento apresentam carga viral suprimida.
O Brasil atingiu a primeira meta em 2020, quando 95% das pessoas vivendo com HIV já conheciam seu diagnóstico. Em 2024, alcançou a terceira meta, referente à supressão da carga viral em 95% das pessoas em tratamento.
Na última terça-feira (28), o Governo Federal demonstrou interesse na profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável, capaz de prevenir a infecção em pessoas saudáveis por até seis meses, e estuda a possibilidade de incorporar o método ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Tackle HIV
A Tackle HIV é uma campanha global de conscientização criada para combater o estigma, o preconceito e a desinformação sobre o vírus. A iniciativa foi idealizada pelo ex-jogador de rugby galês Gareth Thomas em parceria com a ViiV Healthcare e organizações filantrópicas, como a Terrence Higgins Trust.
Thomas, que defendeu a seleção do País de Gales, foi o primeiro jogador profissional de rugby em atividade a assumir publicamente sua homossexualidade, em 2009. Dez anos depois, revelou seu diagnóstico de HIV positivo e, desde então, atua no combate à discriminação.
“É fundamental passar a mensagem de que receber um teste positivo, com todos os avanços da ciência e da medicina, não é mais uma sentença de morte. Testar positivo significa que você pode começar o tratamento assim que receber o diagnóstico e viver uma vida normal, feliz e saudável, sem limitações mentais ou físicas causadas pelo vírus”, concluiu.
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